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quarta-feira, maio 24, 2006

Arguta apresenta: “As aventuras de Brand” (Vida de Cão)


Atendendo a pedidos, estou postando a historia da cadelinha “Brand”, que contei durante a apresentação que fizemos pela manhã no evento sobre Internet (patrocínio UOL) no Hotel Unique, em São Paulo.

Brand é uma simpática cadelinha de raça que mora, cercada de amor e carinho, em uma pequena casa no bairro do Paraíso.
Os donos tratam Brand como se fosse uma filha, sempre bem cuidada, banhada e alimentada.
Brand cresceu bonita e charmosa, chamando a atenção de todos que tinham contato com ela.
Uma vez por semana, na porta da casa de Brand, acontecia uma feira livre.
Era o dia em que Brand fazia a festa. Seus donos deixavam que saisse para passear na feira onde, em função de seu charme, a cadelinha recebia atenção e comida de todos os feirantes e fregueses.
Um dia, Brand pensou que seria muito bom viver na rua, livre da ditadura do lar.
Não que Brand fosse ingrata, mas a verdade é que aquele monte de regras e restrições que seus donos entendiam como cuidado eram um tanto aborrecidos se comparados à festa que era seu “dia de feira”.
Seduzida pelo imediatismo, Brand fugiu de casa.
Nos primeiros dias, tudo foi muito divertido.
Brand, sempre fofinha, era acolhida e mimada onde quer que estivesse. Andava felicíssima.
Mas o tempo foi passando e Brand, sem os cuidados do dono, foi perdendo seu charme.
O pelo cresceu e ficou sujo. Vieram as pulgas. Os machucados....
Em algumas semanas Brand estava parecida com qualquer outro cachorro vira-latas.
Então Brand descobriu que o mundo sabe ser muito duro com quem não tem uma boa imagem. Quando conseguia chamar a atenção, era de forma negativa. Ninguém mais a queria por perto e nem lhe dava comida.
E nossa querida cadelinha Brand foi definhando.
Até que um dia, Brand passava por perto de sua antiga casa, de cabeça baixa e olhos tristes, pensando em como era boa a vida no tempo em que se deixava cuidar. E, para sua sorte, seu dono saia de casa nesse exato momento. Demorou para reconhecer sua Brand mas, enfim, resgatou-a feliz.
Foi necessário muito trabalho para recuperar a Brand e, aqui entre nós, ela nunca mais foi a mesma depois dessa trágica experiência.

Moral da história: Uma promoçãozinha de vez em quando pode até fazer a vida da marca mais interessante, mas em excesso acaba com ela !

quarta-feira, maio 17, 2006

Crise de Autoridade


Estamos todos estupefatos com os acontecimentos.
Vivemos, nos últimos 3 ou 4 dias, um pequeno exemplo das conseqüências possíveis de um sistema político-social inadequado para nosso país.
É importante notar que não se tratou de uma “guerra civil”, como queriam alguns. Não foi a população que se revoltou contra o governo. Ela sequer estava armada.
O que aconteceu, antes de tudo, foi uma demonstração de autoridade, e de falta dela.
Nas últimas décadas acompanhamos a derrocada das autoridades institucionais.
Começando em casa, com a ausência ou omissão dos pais na educação dos filhos, onde perdidas as referências de moral e bons costumes os filhos fazem o que bem entendem (e os pais “negociam”).
Segue nas escolas, nas quais, em função do novo modelo educacional baseado na “não-reprovação”, professores mal remunerados ainda não encontraram uma forma de substituir o autoritarismo (a ditadura das notas) por alguma forma de autoridade. Os alunos mandam (e os professores “negociam”). E, quando alguém tem a coragem de desafiar a “autoridade” discente, sempre pode contar com a presença dos pais (que só visitam as escolas nessa situação) em defesa do “juris esculhambandi” de seus filhos (regularmente através de ameaças).
E chegamos aos “poderes” constitucionais. Segundo professam os jornais, o legislativo legisla em causa própria, o executivo executa o que lhe convém e o judiciário, quando julga, também não dá bons exemplos. E aí aplica-se um derivativo da negociação: a negociata.
O problema é, portanto, endêmico.
Urge o resgate do sistema educacional brasileiro, destruído na época dos governos militares e nunca mais recuperado.
Só um povo educado é capaz e educar as novas gerações e exigir, através dos instrumentos disponibilizados pela democracia, o bom comportamento dos governantes.
Houve época em que faltavam referências.
Agora sobram ... Pena que sejam péssimas referências.

sexta-feira, maio 05, 2006

O Porradódromo

Em busca das melhores práticas para convivência de nossos recursos humanos encontro, depois da coqueluche dos Fumódromos, o revolucionário conceito do Porradródomo.
Trata-se de um pequeno espaço dedicado à solução de conflitos onde os funcionários podem, de maneira reservada, discutir apaixonadamente seus pontos de vistas divergentes em busca de consenso.
O investimento necessário para construção de um Porradródomo é relativamente pequeno.
Um espaço de aproximadamente 9 metros quadrados é suficiente e recomenda-se que seja reservado em área próxima ao ambulatório da empresa.
A área de Recursos Humanos sugere o isolamento acústico, revestimento das paredes com material capaz de absorver impactos, piso lavável e total ausência de objetos perfuro-cortantes.
Empresas que adotaram o Porradródomo apontam para uma sensível redução no número de e-mails acusatórios com cópia para a diretoria.
Aderbal da S. (também conhecido como Maguila), funcionário de uma grande corporação e usuário regular do Porradródomo, afirma com voz fanha:
- É buito divertido !

quarta-feira, maio 03, 2006

A política e os negócios


Bem que tentei, mas não pude deixar de postar um comentário sobre o “causo” da nacionalização dos recursos naturais da Bolívia.
Para quem não está acompanhando o tema, o novo presidente da Bolívia, Evo Morales, decretou a nacionalização de recursos naturais de seu país, particularmente do petróleo e seus derivados.
Até aí, reconheço que essa é uma decisão soberana, que nos cabe respeitar.
Entretanto, vai uma primeira crítica para a execução. O Presidente da Bolívia ordenou a invasão da Petrobrás boliviana pelo exército e decretou que todos os seus ativos fossem transferidos para a estatal petroleira (de quem a Petrobrás havia comprado anteriormente as propriedades).
Na minha opinião, uma mudança drástica, injusta e ilegítima das regras de negócio no país, que traz grandes prejuízos para o Petrobrás e, por conseqüência, para o Brasil.
Como executivo de uma empresa que ainda não tem negócios na Bolívia (mas que considerava seriamente essa hipótese), cabe-me apenas descartar enfaticamente qualquer possibilidade de investimento naquele país a curto e médio prazo.
Mas acho importante comentar a posição do governo brasileiro diante do assunto.
De acordo com os jornais de hoje, nosso governo aceitou (e referendou) a decisão e as medidas adotadas pelo governo boliviano, optando por negociar a permanência da Petrobrás no país de acordo com as novas regras impostas.
Fosse a Petrobrás uma empresa privada e estivéssemos falando do Presidente dessa empresa, não teria qualquer comentário a fazer. Talvez fosse essa a melhor decisão a tomar.
Entretanto, quando o Presidente do Brasil referenda esse tipo de atitude, coloca em risco a credibilidade e a confiança que os investidores estrangeiros tem em nossas próprias instituições.
Se nosso governo acredita que as ações do governo boliviano são corretas, amanhã poderá decidir fazer o mesmo no Brasil.
Pessoalmente, não acredito que isso vá acontecer. O Brasil atingiu um estado de maturidade democrática que dificilmente irá regredir a ponto de permitir que aconteça uma barbaridade destas.
Mas quem não vive aqui não tem porque acreditar nisso. Os europeus e norte-americanos (maiores investidores na região) em geral não tem conhecimento suficiente para distinguir o Brasil da Bolívia, ou Luiz Inácio de Evo Morales.
Temo que a conta que o Brasil terá que pagar por essa infeliz manifestação de apoio ao governo boliviano será maior do que a conta do gás.

Sucesso Profissional 2 – A questão da autoridade

Minha última postagem sobre sucesso profissional gerou uma série de comentários, alguns no blog e outros pessoais ou por e-mail.
Basicamente, os comentários foram de 3 naturezas distintas.
Um grupo (majoritário) concordou com o conceito de que o sucesso está diretamente relacionado com a atitude e considerou interessante e útil a classificação das pessoas nos 4 grupos que mencionei (acomodados, alarmistas, solucionadores e realizadores).
Outro grupo achou bastante oportuno discutir a questão do sucesso profissional sob a ótica da realização pessoal e profissional, independentemente do status e da hierarquia.
E um terceiro grupo (minoritário) sugeriu discutir quais seriam as características identificadoras de um perfil de “diretor”, tema deste “post”.
Lembrei-me de um teste a que fui submetido há aproximadamente 3 anos como parte de um programa de avaliação de potenciais e competências da empresa em que trabalho.
O Work Levels (esse é o nome do teste) avalia o potencial de um profissional para ascender na hierarquia de uma empresa a partir de seu conforto com o “horizonte de tempo” das decisões e a inerente necessidade de lidar com incertezas e ambigüidades.
O conceito, embora limitado, é interessante e apropriado. Na medida em que o profissional assume postos mais altos na hierarquia da empresa, aumenta a demanda por decisões com menor grau de certeza e com implicações de mais largo prazo. E observo que a grande maioria das pessoas se sente bastante desconfortável com isso.
Entretanto, creio que o principal desafio para um profissional em ascendência, no modelo de gestão praticado pela maioria das empresas, é o exercício da autoridade.
Autoridade é um conceito complexo. Muito comum confundir autoridade com arrogância, prepotência, liderança, comando, chefia, e outros conceitos associados à forma pela qual se exerce a autoridade.
A “autoridade” a que me refiro não tem sinônimos. É uma complexa fusão de autonomia de pensamento, conhecimento, responsabilidade, comprometimento e determinação.
Cargos de comando exigem o desenvolvimento desta competência.
O desenvolvimento da autoridade é um processo visceral. É necessário, primeiramente, conquistar a autoridade sobre si mesmo, para depois exercê-la no papel de executivo.
É para pensar ...

segunda-feira, abril 24, 2006

Seu Chico, o governo e a Maracutaia


Confesso que fui irônico outro dia, quando falei do fruto da Maracutaia. Foi, sim, uma crítica velada ao desleixo e à conivência das autoridades brasileiras com a corrupção. Talvez tenha sido injusto. Em alguns casos, o governo tem demonstrado extrema preocupação com o dinheiro do povo. Vejam o caso do seu Chico, por exemplo. Seu Chico já ultrapassou a casa dos 80 anos e vive sozinho em uma pequena chácara nas proximidades de São Paulo. Já não trabalha. Vive do que planta e da ajuda de seus filhos. Na semana passada, após anos de disputa jurídica contra o INSS, obteve ganho de causa em primeira instância em seu processo de aposentadoria. O Juiz decretou que seu Chico teria o direito de receber aproximadamente R$ 350,00 mensais e ordenou o pagamento retroativo. Como isso representaria um desembolso em torno de R$ 9.000,00 que sairia dos cofres públicos, o INSS recorreu da sentença. Essa medida resulta em que o processo deverá se arrastar por mais 5 ou 10 anos, isto se o seu Chico tiver dinheiro para pagar um advogado e saúde para continuar lutando contra o INSS. A linha dura do governo com seu Chico é compreensível. O INSS toma medidas como essa justamente para evitar que gente como o seu Chico viva do fruto das Maracutaias. Já não bastam os milhões em malas, cuecas e contas em paraísos fiscais ? Não chegam os bilhões desviados em obras públicas faraônicas ? E ainda vem o seu Chico querendo levar seus 9 mil reais !?! Mesmo que tenha direito a receber essa quantia, seu Chico deveria ser patriota e ter uma visão mais abrangente da realidade brasileira. O dinheiro arrecadado pelo governo não dá para todo mundo. Seu Chico nunca ocupou um cargo público sequer em sua vida. Não participou de nenhum esquema e nem apoiou qualquer manobra. Não pode querer, portanto, ter prioridade na divisão do dinheiro do governo. Obviamente, a prioridade é dos que nele militam. Temos, portanto, pelo menos um exemplo de austeridade: a luta do governo para que seu Chico não se locuplete com os R$ 9.000,00 a que tem direito e, insensivelmente, insiste em receber junto com seu mensalão de 350 reais. Pelo menos nesse caso, o governo não está deixando brechas para o cultivo da Maracutáia. Em tempo: eu visitei a chácara do seu Chico. Lá tem um pouco de tudo, menos Maracutáia.

segunda-feira, abril 17, 2006

Segredos do Sucesso Profissional

Os profissionais mais jovens tendem a identificar como “sucesso” a escalada dos níveis hierárquicos de uma empresa.
Diretores, portanto, costuma ser apontados como pessoas de “sucesso”.
Um primeiro comentário cabível é que essa definição de sucesso resultaria na frustração da grande maioria dos profissionais já que o número de postos de diretoria nas empresas é bastante restrito e, como conseqüência, a maioria dos profissionais não será capaz de ter sucesso caso esse seja seu objetivo (ser diretor).
Acredito que ter sucesso profissional é ser capaz de encontrar uma profissão ou posição onde sejamos capazes de nos realizar profissionalmente, obtendo satisfação e prazer no trabalho, e com uma remuneração que nos permita alcançar também os objetivos pessoais.
Admiro quem, apesar de toda a pressão social para escalar altos postos hierárquicos, é capaz de identificar qual, de fato, é seu melhor caminho pessoal-profissional, realizando-se em outras posições ou atividades que lhe pareçam mais de acordo com sua própria natureza.
Independentemente do caminho escolhido por cada um, creio que, em função da oportunidade que tive durante todos esses anos de acompanhar o desenvolvimento de inúmeros profissionais realizados, posso dar um palpite sobre qual seria o segredo do sucesso.
O primeiro grande segredo é o auto-conhecimento. Saber o quer, conhecer seus talentos e limitações e compreender a dinâmica de funcionamento pessoal são aspectos fundamentais para o sucesso profissional.
O segundo grande segredo é escolher o lado certo. A vida profissional é recheada de desafios e oportunidades; de problemas e soluções.
O profissional de sucesso, geralmente, é o que encara problemas como desafios e se dispõe a encontrar soluções que se transformam em oportunidades.
Nesse sentido, tenho observado que os profissionais se dividem em 4 tipos básicos:
- os Acomodados: não se preocupam com a empresa (e, portanto, a empresa não se preocupa com eles)
- os Alarmistas: estão sempre apontando um problema. São úteis para a empresa, mas muito aborrecidos e, portanto, acabam sendo preteridos quando surge uma oportunidade de promoção.
- os Solucionadores: encontrando um problema, são os primeiros a sugerir ou apoiar uma solução. São percebidos de forma bastante positiva na organização.
- os Realizadores: identificado um problema e uma possível solução, se oferecem imediatamente para participar de sua implementação, motivando toda a equipe. Esses costumam ser os “xodós” das chefias.
Profissionais solucionadores-realizadores são sempre os primeiros da lista de candidatos a uma promoção, porque estão do lado da solução.
Entre eles, a empresa deverá escolher os que tem outras competências compatíveis com a função a ser exercida.

quinta-feira, abril 13, 2006

Frutas Exóticas Brasileiras : Maracutáia

O Brasil é conhecido mundialmente pela abundância de sua fauna e flora.
A diversidade chama a atenção dos estrangeiros, particularmente no caso de nossas frutas exóticas.
Dentre elas, a Maracutáia assume, sem dúvida, o posto da fruta mais notória do momento.
A Maracutáia foi trazida para o Brasil pelos expatriados portugueses no momento do descobrimento.
A corte portuguesa era apaixonada por esse fruto polpudo, que já naquela época era alvo da volúpia dos governantes.
Muito comum, na corte, ouvir alguém comentar com voz melíflua ao pé do ouvido: “Adoro uma boa Maracutáia !”
A Maracutáia espalhou-se rapidamente pelo Brasil, incentivada pelos Bandeirantes e pelos governadores das Capitanias Hereditárias.
Seu cultivo é artesanal. As sementes da Maracutáia são plantadas em brechas abertas em terreno propício com auxílio de picaretas.
Existem alguns hábitos e superstições curiosas relativos ao cultivo, plantio e consumo da fruta.
Acredita-se que o cultivo da Maracutáia deve ser feito em grupo. A idéia, transmitida de geração para geração, é de que quando um grande grupo de amigos está dedicado ao cultivo da Maracutáia, o terreno fica mais fértil e a colheita é segura e generosa.
Diferentemente de outras culturas de frutas que tem a tradição de realizar festas no momento da colheita, os cultivadores da Maracutaia mantém a tradição de realizá-la de forma discreta e quase sigilosa. Essa tradição é alimentada por histórias contadas à boca pequena, sobre pessoas que comemoraram a colheita dos frutos da Maracutáia de forma muito expansiva e perderam tudo o que colheram.
Após a colheita, os frutos são guardados em local distante e seguro e a comunidade age como se não soubesse da existência de Maracutáias na região.
Outro interessante hábito relacionado com a Maracutáia se apresenta no momento do consumo pelas famílias. Quando o fruto da Maracutáia é colocado sobre a mesa, a família faz de conta que não sabe do que se trata. Acredita-se que dá azar mencionar a palavra Maracutáia em família, principalmente para as crianças.
Os frutos da Maracutáia também podem ser utilizados para aquisição de outros bens de consumo. E é curioso notar que, também nesse caso, os terceiros que recebem os frutos em troca de produtos, serviços ou favores, fingem ignorar sua procedência.
São particularidades da natureza supersticiosa do povo brasileiro.
Alguns segmentos da sociedade, uma minoria vale dizer, acreditam que o cultivo da Maracutáia é nocivo para o Brasil, na medida em que contamina o solo e compromete outros cultivos importantes. Esses grupos também defendem a tese de que o consumo dos frutos da Maracutáia tem efeitos nocivos sobre os seres humanos, com efeitos próximos ao de drogas pesadas, afetando a percepção e alterando a personalidade do indivíduo.
Várias iniciativas vem sendo tomadas por ONGs na tentativa de coibir a Maracutáia no país mas, até o momento, seu resultado tem sido pífio.
Embora já existam algumas leis específicas que visam reduzir seu cultivo, as estatísticas indicam que os frutos da Maracutáia seguem como o prato predileto das famílias mais abastadas, principalmente no planalto central.

quarta-feira, abril 12, 2006

Visão de Mundo: repertório e interpretação


Condensando todo um capítulo do livro Leviatã, de Thomas Hobbes, publicado em 1651, traduzo aqui em 2 parágrafos sua visão sobre os sentidos e, em particular, a visão:
“Nossas sensações são causadas pela ação de um corpo externo diretamente sobre o órgão próprio de cada sentido.
Se as cores estivessem nos objetos não poderiam ser separadas deles, como acontece nos espelhos. Assim, é evidente que a coisa vista está em uma parte e a aparência em outra. Uma coisa é o objeto; outra é a imagem ou a fantasia que produzimos como reação à pressão de sua “parte visível” em nossos olhos.”
Hobbes defendeu esse conceito numa época em que a biologia e a física ainda não haviam reunido conhecimento suficiente para bem explicar o funcionamento da visão. É uma interpretação lógica do fenômeno, baseada em seu repertório.
E nós iremos interpretar a explicação de Hobbes segundo o nosso repertório atual.
A primeira sensação que a explicação desperta é a de que Hobbes, por falta de conhecimento específico, estava sendo ingênuo em sua explicação, aparentemente despropositada.
Essa idéia de que o objeto tem uma “parte visível”, dele dissociada, e que é essa parte visível que, deixando o objeto, entra em contato direto com nossos olhos parece, no mínimo, despropositada.
Mas fato é que segundo a física e a biologia modernas a visualização de um objeto se dá quando nossos olhos são capazes de captar refletida por ele. Ou seja, não estamos “vendo” realmente o objeto, mas sim, estamos reagindo ao contado da luz refletida sobre nossa retina.
Em síntese, Hobbes tinha razão.
Recomendo a leitura do livro de Hobbes.
Em Leviatã Hobbes descreve seu ideal de funcionamento da sociedade, partindo de seu principal elemento constituinte, o ser humano.
Acreditava que seria impossível conceber um sistema de governo adequado sem conhecer o funcionamento do ser humano em profundidade e aceitá-lo como premissa.
Independentemente da visão política e social de Hobbes, me parece que também aí ele estava coberto de razão.
E chamo a atenção para esse ponto porque, muitas vezes, os gestores de empresas parecem se esquecer de que seu principal elemento constituinte também é o ser humano.
Como já comentei em um post anterior, no fim, tudo é mesmo pessoal. Principalmente as interpretações.

segunda-feira, abril 10, 2006

A Era das Grandes Navegações está de volta

Quinhentos anos depois, estamos de volta à era das Grandes Navegações.
Românticas, pero obsoletas, as Caravelas foram substituídas por Browsers e os novos caminhos para as Índias ficam à cargo de roteadores.
Mas, aviso aos navegantes, as oportunidades comerciais seguem sendo as mesmas.
A grande diferença está no risco.
Quando Cabral, Colombo e Vasco da Gama singraram os mares nunca dantes navegados em busca de terras prometidas e/ou desejadas, davam grandes demonstrações de coragem a cada vez que levantavam os ferros.
Agora, corajoso é o executivo que não navega, correndo o risco do não descobrimento.
Muda o mundo, muda a moda, mete medo a mingua morosa.