
A revista Época desta semana trás uma interessante matéria sobre um matemático russo, Grigori Perelman, que foi indicado para receber a maior honraria do mundo da matemática (a medalha Fields) e recusou o prêmio.
Segundo Grigori, para realizar um grande trabalho é preciso manter a mente pura. E aceitar um prêmio seria um sinal de fraqueza.
Embora me pareça um tanto radical, sou capaz de entender a decisão e as razões do matemático.
Sempre me pareceu que a remuneração variável e as bonificações atribuídas aos diretores de empresa como “recompensa” pela superação de metas, embora estimulantes e até eficientes, representavam, de algum modo, uma deterioração de princípios.
Acredito que o trabalhador deva receber uma remuneração justa por seu trabalho, o que eventualmente pode significar a participação nos resultados da empresa.
Mas o exagero no uso da remuneração variável desloca a atenção. A motivação para realização de um bom trabalho passa a ser a remuneração, e não o trabalho em si e a auto-realização.
Perde-se a “pureza” de intenção, como sugere Grigori.
E, com isso, o trabalho em si passa a ser, de certa forma, um obstáculo a ser superado, e deixa de ter um sentido em si mesmo. O “sucesso” deixa de ser medido pela real contribuição profissional e passa a ser representado pelo volume de remuneração adicional conquistado.
Talvez este seja um bom momento para discutirmos esse modelo.





