Ocupe-se de pouco para ser feliz (Demócrito, para a revista Época)
Ninguém com múltiplas tarefas pode aspirar a felicidade. Uma agenda cheia equivale a sobrecarregar o espírito e traz inevitavelmente a angústia.
ps - Aguardem o perfil do Rodolfo na próxima postagem ...
terça-feira, janeiro 30, 2007
sábado, janeiro 27, 2007
Crônicas da vida empresarial: personagem 2 - Estela (a loirinha)
Estela tinha cabelos castanhos. Tingiu de loiro depois do lançamento da cerveja Stella Artois no Brasil, bem de acordo com seu senso de humor.
- Pronto, assumi ! - disse ela no primeiro dia em que chegou loirinha no escritório, numa referência às constantes piadinhas dos colegas durante o happy no Degas.
Jailton, sempre ele, era o mais contundente:
- Ja que a Estela não dá para mim, me dá uma Stella ...
Juca, o garçon, que arrastava um bonde pela moreninha (agora loira), não conseguia esconder os pensamentos libidinosos que o sorriso safado da garota provocava.
- Que é que eu posso fazer se você prefere se afogar nas loiras, Já ? - ela devolvia.
Estela não é uma mulher particularmente bonita. Na casa dos 30, magra, seios pequenos e quadris generosos, costumava atrair mais olhares quando ia do que quando vinha.
Mas alí, sentada na mesa do bar, riso solto como seus cabelos longos, olhar vivo e maroto, mãos delicadas que deixava deslizar com proposital suavidade sobre o peito dos amigos entre um comentário e outro, transpirava sensualidade.
Ninguém abraçava como a Estela. Abraço de corpo inteiro, encaixado, beijo no rosto de verdade, sempre um pouco mais próximo da boca do que a etiqueta recomedaria. Uma promessa.
Juca mereceu um abraço da Estela no dia do seu aniversário. Nunca mais esqueceu. Sua semana passou a ter apenas dois dias, segundas e quintas, quando a turma do escritório se reunia para o happy.
Os meninos, que não perdoavam uma, respeitavam a agonia do Juca porque dela partilhavam.
- O caso é sério ... - vaticinava Rodolfo, o mais velho do grupo. Não é brincadeira não. Qualquer dia, mermão ... qualquer dia ...
Estela não estava alheia ao tumulto que causava e administrava seu epíteto de promessa. Que se soubesse, nunca havia tido um caso com ninguém no escritório.
Havia uma suspeita de que seu ex-chefe, o Badaró, tinha forçado a barra no final da festa de fim de ano da empresa e, por isso, teria sido demitido sumariamente pelo Superintendente, o que só reforçava a tese de que Estela não era petisco para qualquer um.
E, depois, sua atuação no SAC da empresa era irrepreensível. A simpatia complementava o profissionalismo com que tratava todos os clientes.
- Estela, companheiros, é a alma da nossa empresa ! - filosofou Jailton para os colegas numa noite em que todas as damas já tinham deixado o Degas. Sem ela não somos nada ...
- Pronto, assumi ! - disse ela no primeiro dia em que chegou loirinha no escritório, numa referência às constantes piadinhas dos colegas durante o happy no Degas.
Jailton, sempre ele, era o mais contundente:
- Ja que a Estela não dá para mim, me dá uma Stella ...
Juca, o garçon, que arrastava um bonde pela moreninha (agora loira), não conseguia esconder os pensamentos libidinosos que o sorriso safado da garota provocava.
- Que é que eu posso fazer se você prefere se afogar nas loiras, Já ? - ela devolvia.
Estela não é uma mulher particularmente bonita. Na casa dos 30, magra, seios pequenos e quadris generosos, costumava atrair mais olhares quando ia do que quando vinha.
Mas alí, sentada na mesa do bar, riso solto como seus cabelos longos, olhar vivo e maroto, mãos delicadas que deixava deslizar com proposital suavidade sobre o peito dos amigos entre um comentário e outro, transpirava sensualidade.
Ninguém abraçava como a Estela. Abraço de corpo inteiro, encaixado, beijo no rosto de verdade, sempre um pouco mais próximo da boca do que a etiqueta recomedaria. Uma promessa.
Juca mereceu um abraço da Estela no dia do seu aniversário. Nunca mais esqueceu. Sua semana passou a ter apenas dois dias, segundas e quintas, quando a turma do escritório se reunia para o happy.
Os meninos, que não perdoavam uma, respeitavam a agonia do Juca porque dela partilhavam.
- O caso é sério ... - vaticinava Rodolfo, o mais velho do grupo. Não é brincadeira não. Qualquer dia, mermão ... qualquer dia ...
Estela não estava alheia ao tumulto que causava e administrava seu epíteto de promessa. Que se soubesse, nunca havia tido um caso com ninguém no escritório.
Havia uma suspeita de que seu ex-chefe, o Badaró, tinha forçado a barra no final da festa de fim de ano da empresa e, por isso, teria sido demitido sumariamente pelo Superintendente, o que só reforçava a tese de que Estela não era petisco para qualquer um.
E, depois, sua atuação no SAC da empresa era irrepreensível. A simpatia complementava o profissionalismo com que tratava todos os clientes.
- Estela, companheiros, é a alma da nossa empresa ! - filosofou Jailton para os colegas numa noite em que todas as damas já tinham deixado o Degas. Sem ela não somos nada ...
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Crônicas da vida empresarial: personagem 1 - Dona Constância
Constância não desperta a atenção de pronto.
Ninguém sabe ao certo quantos anos tem e a quanto tempo está na empresa.
Parece que sempre esteve alí, na vida e no escritório.
Sua atitude séria, porém simpática, resulta num ar confortavelmente familiar.
A gente sente logo que pode contar com ela.
- Pede p'ra Dona Constância ... - é a expressão mais comum nos momentos de necessidade.
Ela sempre sabe onde estão arquivados os documentos, sua agenda de telefones é um verdadeiro ninho de fornecedores confiáveis para serviços episódicos e sua memória é balsâmica.
Mas sua principal característica é a persistência.
Se você tem uma tarefa que precisa ser cumprida, passe para a Dona Constância. Ela nunca desiste, mesmo que você sugira o contrário.
- Agora é uma questão de honra, Dr. Almeida. Resolvo isso ou sim ou sim !
Mas engana-se que imagina que Constância seja uma rotunda senhora de temperamento germâncio e humor russo.
Dona Constância tem traços delicados e maneirismos suaves, além de uma tranquilidade que só não é enervante porque vem acompanhada de um inquestionável dinamismo. Constância não para. Ela já está no escritório quando chegamos e nunca é a primeira a sair (exceto às quartas-feiras, quando religiosamente deixa o escritório as 18h35 para um compromisso semanal cuja natureza ela preserva com elegantes evasivas).
- É coisa pessoal ... prefiro não comentar. Mas não é nada que mereça sua curiosidade - ela costuma dizer para quem pergunta.
Aliás, essa é outra característica da Constância da qual poucos se dão conta: ninguém sabe nada a seu respeito.
Esse fato não costuma chamar a atenção porque ninguém, de fato, se interessa por saber.
Mas é como o Jailton, já navegando num mar de chopp no finalzinho de um happy hour comentou:
- Ouçam o que eu digo: essa mulher esconde grandes surpresas. Ninguém sabe nada dela e nem se lembra de perguntar. Mas eu conheço ... eu conheço ... Ela ainda vai dar um susto.
(aguardem a descrição do próximo personagem)
Ninguém sabe ao certo quantos anos tem e a quanto tempo está na empresa.
Parece que sempre esteve alí, na vida e no escritório.
Sua atitude séria, porém simpática, resulta num ar confortavelmente familiar.
A gente sente logo que pode contar com ela.
- Pede p'ra Dona Constância ... - é a expressão mais comum nos momentos de necessidade.
Ela sempre sabe onde estão arquivados os documentos, sua agenda de telefones é um verdadeiro ninho de fornecedores confiáveis para serviços episódicos e sua memória é balsâmica.
Mas sua principal característica é a persistência.
Se você tem uma tarefa que precisa ser cumprida, passe para a Dona Constância. Ela nunca desiste, mesmo que você sugira o contrário.
- Agora é uma questão de honra, Dr. Almeida. Resolvo isso ou sim ou sim !
Mas engana-se que imagina que Constância seja uma rotunda senhora de temperamento germâncio e humor russo.
Dona Constância tem traços delicados e maneirismos suaves, além de uma tranquilidade que só não é enervante porque vem acompanhada de um inquestionável dinamismo. Constância não para. Ela já está no escritório quando chegamos e nunca é a primeira a sair (exceto às quartas-feiras, quando religiosamente deixa o escritório as 18h35 para um compromisso semanal cuja natureza ela preserva com elegantes evasivas).
- É coisa pessoal ... prefiro não comentar. Mas não é nada que mereça sua curiosidade - ela costuma dizer para quem pergunta.
Aliás, essa é outra característica da Constância da qual poucos se dão conta: ninguém sabe nada a seu respeito.
Esse fato não costuma chamar a atenção porque ninguém, de fato, se interessa por saber.
Mas é como o Jailton, já navegando num mar de chopp no finalzinho de um happy hour comentou:
- Ouçam o que eu digo: essa mulher esconde grandes surpresas. Ninguém sabe nada dela e nem se lembra de perguntar. Mas eu conheço ... eu conheço ... Ela ainda vai dar um susto.
(aguardem a descrição do próximo personagem)
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Pensamento da tarde
Se a cada momento histórico associassemos um verbo, "popapar" seria o do nossos tempos.
(Arguta Café: um blog sem pop-up.)
(Arguta Café: um blog sem pop-up.)
domingo, janeiro 21, 2007
Caindo do céu
- Almeida ?!? Tá olhando o quê ?
Hermógenes estava realmente curioso. Está certo que o Almeida era dado a esquisitices, mas ficar alí plantado na calçada, olhando para o céu, imóvel a horas ...
- Quieto Gê ... vai ser a qualquer momento. Estou a sentir.
- Santo homem ! Vai ser o quê ?
- Quê, quê, quê ... parece criança, ô gajo - desde de que voltára da Ilha da Madeira onde estivera "a visitar parentes", Almeida insistia com essa coisa de gajo - Se queres ajudar vá buscar uma cadeira...
- Você deveria estar conversando com o gerente do banco, para resolver aquela história do empréstimo, ao invés de ficar aí parado feito filhote de girafa esperando a mãe pegar comida.
- Pois acabo de voltar de lá, oh pá.
- E então ? O gerente concordou ? Eu te falei que com a tua ficha ia ser difícil.
- Tu sempre foste pessimista Gezito. Tudo é uma questão de atitude.
- E lá atitude resolve problema de crédito ? Me conta com é que foi isso aí...
- Muito simples. Entrei no banco, sentei de fronte ao gerente e fui logo dizendo: preciso de 50 mil reais, não sei quando posso pagar mas o senhor tem a minha palavra de que assim que eu puder lhe devolvo o dinheiro, com a graça de Deus. Mas o senhor precisa liberar o dinheiro ainda hoje.
- E o que foi que ele respondeu, Almeida ? Te mandou plantar batatas ?
- Pois claro que não. Muito ao contrário. Disse que era só eu ficar aqui fora esperando que o dinheiro iria cair do céu.
- Mas que sujeito mal educado !
- De modo algum, Gê. Preocupado com seus clientes, isso sim. Até fez questão de dizer que seria melhor esperar sentado porque de pé poderia me cansar !
Hermogenes olhou para o Almeida, para a porta do banco, para o céu e, depois para o Almeida novamente.
- Pode esperar que eu vou buscar uma cadeira para você ...
Hermógenes estava realmente curioso. Está certo que o Almeida era dado a esquisitices, mas ficar alí plantado na calçada, olhando para o céu, imóvel a horas ...
- Quieto Gê ... vai ser a qualquer momento. Estou a sentir.
- Santo homem ! Vai ser o quê ?
- Quê, quê, quê ... parece criança, ô gajo - desde de que voltára da Ilha da Madeira onde estivera "a visitar parentes", Almeida insistia com essa coisa de gajo - Se queres ajudar vá buscar uma cadeira...
- Você deveria estar conversando com o gerente do banco, para resolver aquela história do empréstimo, ao invés de ficar aí parado feito filhote de girafa esperando a mãe pegar comida.
- Pois acabo de voltar de lá, oh pá.
- E então ? O gerente concordou ? Eu te falei que com a tua ficha ia ser difícil.
- Tu sempre foste pessimista Gezito. Tudo é uma questão de atitude.
- E lá atitude resolve problema de crédito ? Me conta com é que foi isso aí...
- Muito simples. Entrei no banco, sentei de fronte ao gerente e fui logo dizendo: preciso de 50 mil reais, não sei quando posso pagar mas o senhor tem a minha palavra de que assim que eu puder lhe devolvo o dinheiro, com a graça de Deus. Mas o senhor precisa liberar o dinheiro ainda hoje.
- E o que foi que ele respondeu, Almeida ? Te mandou plantar batatas ?
- Pois claro que não. Muito ao contrário. Disse que era só eu ficar aqui fora esperando que o dinheiro iria cair do céu.
- Mas que sujeito mal educado !
- De modo algum, Gê. Preocupado com seus clientes, isso sim. Até fez questão de dizer que seria melhor esperar sentado porque de pé poderia me cansar !
Hermogenes olhou para o Almeida, para a porta do banco, para o céu e, depois para o Almeida novamente.
- Pode esperar que eu vou buscar uma cadeira para você ...
terça-feira, janeiro 16, 2007
I Ching : o livro das mutações

Já que estávamos falando de mudanças, lembrei-me do I Ching, o livro das mutações e provavelmente a "publicação" mais antiga do mundo (se é que podemos considerar um feixe de tábuas de bambú de 5000 anos como uma publicação).
A base do I Ching são os hexagramas (que sucederam os trigramas), 64 símbolos formados por 6 linhas cada, contínuas ou interrompidas (a inspiração do sistema binário, atualmente utilizado em computadores).
A cada um dos 64 símbolos corresponde (no formato atual) corresponde um nome (Progresso, Oposição, Espera, etc.) e um provérbio chinês. O resto é interpretação.
O conceito fundamental é o contínuo processo de mudança regido pela somatória das forças cósmicas (Yin e Yang - sombra e luz). Os hexagramas representam padrões cósmicos de combinação das forças, que se repetem de forma perpétua, e afetam todas as coisas do Universo.
O interessante é que tudo começa com uma pergunta, para qual você deseja uma resposta.
E esse é o grande segredo: descobrir qual é a pergunta. Sugere-se meditação e concentração para a formulação da pergunta da forma mais simples e direta possível.
De posse da pergunta o consulente lança 3 moedas por 6 vezes consecutivas (método moderno). Ao resultado de cada lançamento corresponderá uma linha contínua ou interrompida. As 6 linhas formarão um hexagrama, cuja interpretação responderá a pergunta formulada.
Não sou chinês mas, caso você esteja se sentindo perdido, recomendo pelo menos a primeira parte.
Medite, concentre-se e procure resumir seu problema em uma pergunta. Se conseguir, já resolveu 90% do seu problema.
Pode até consultar o I Ching.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Um pé lá e outro cá ...

Que o ser humano sempre resiste a mudanças, todo mundo sabe.
Tradicionalmente, costuma-se afirmar que durante um processo de mudança todas as pessoas passam por 4 fases: surpresa, negação (raiva), negociação e aceitação (Kluber-Ross define 5 fases: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação).
Mas independentemente de como se dá o caminho entre o choque e a aceitação, há um fato relevante a se considerar.
Normalmente as mudanças externas ocorrem muito mais rapidamente do que o processo de adaptação do indivíduo.
E quando (ou enquanto) isso acontece, ficamos com um pé no que era e outro no que será.
Na medida em que o processo externo de mudança se consolida e esses dois mundos (velho e novo) se distanciam, essa posição (um pé lá e outro cá) se torna mais incômoda e nociva, até o limite em que já não conseguimos nos equilibrar e caímos no abismo criado por nossa incapacidade de mudar.
Os que resistem completamente à mudança, fixados na fase da negação, ficam com os dois pés no passado.
Os que completam o processo até a aceitação, seguem com os dois pés na nova realidade.
Já os que entendem que o passado já não existe, mas não conseguem aceitar a nova realidade, ficam numa espécie de limbo, perdidos numa interminável negociação interna.
Poucas situações são mais tristes do que essa, que rouba o conforto do passado conhecido e, ao mesmo tempo, impede o indivíduo de prosseguir.
É como uma trágica morte em vida.
Trata-se de algo mais comum do que pode parecer a primeira vista. É bastante provável que você mesmo esteja passando por algo assim em algum aspecto de sua vida.
E a forma mais eficiente de superar esse impasse é buscar ajuda psicológica (análise, terapia).
O importante é perceber antes de cair, e tomar providências.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Pensamento da madrugada
O mundo da fantasia é o refúgio dos covardes.
(mas que parece mais interessante do que a realidade, parece !)
(mas que parece mais interessante do que a realidade, parece !)
segunda-feira, janeiro 08, 2007
O lado bom das cucurbitáceas

Culpa de Cristovão Colombo.
Foi ele que trouxe essa classe de cucurbitáceas para as Américas.
Estou falando do Pepino.
Originário da Índia, tem sido cultivado desde a Antiguidade na Ásia, África e Europa e chegou aqui pelas mãos do navegador.
Dalí para frente, foi só pepino neste continente.
Mas vejamos o lado bom das coisas. O Pepino contém pequena quantidade de vitaminas A, C, B1, B2, e de sais minerais. É uma hortaliça refrescante, ideal para consumo em dias quentes.
Diferente do Nabo, que é uma crucífera de folhas glaucas. bem menos refrescante e saborosa. Por isso, quando for comprar o pepino e o feirante perguntar se você não prefere levar um nabo, recuse.
Mas voltemos ao Pepino. Quando você tem um Pepino nas mãos, veja-o como uma oportunidade.
E seja rápido. Pepinos estragam rapidamente na temperatura ambiente. Se puser na geladeira, você só estará adiando as coisas.
Fato é que você vai se sentir melhor quando tiver liquidado com o Pepino. Refrescado, nutrido ... renovado.
É mais uma boa atitude para adotar em 2007. Tire proveito dos Pepinos.
E para quem achou tudo isso bobagem, abóboras também são cucurbitáceas !
(com a colaboração da Rossana, consultora agrícola do Arguta Café e do site do Correio Brasiliense)
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Pequenas homenagens para grandes homens
Noutro dia participei de uma pequena homenagem para um grande homem. Nossa equipe despedia-se do meu pai, Carlos Ferrari, com quem trabalhamos durante aproximadamente 10 anos aqui no IBOPE, incluindo os períodos como Consultor e Diretor. Obvio que como filho tive um papel protagonístico na homenagem. Não poderia ser de outra forma, já que ele realmente vem sendo um pai para mim durante toda a vida. Mas uma rápida e sumária apresentação de algumas poucas de suas muitas contribuições profissionais (para o mercado de comunicação e para a nossa empresa) e breves comentários sobre seu relacionamento com amigos, colegas e funcionários foram suficientes para dar a dimensão de concretude à extensão de sua vocação paterna. Ele foi pai, mas não só para mim. Na verdade, a razão dessa postagem não é exatamente essa homenagem. Estava assistindo um capítulo da série Law & Order sobre um pai que acabou metendo seu filho em uma grande enrascada simplesmente porque não o aceitava como ele era. Naquele momento dei-me conta que essa sempre foi uma grande qualidade do Ferrari Pai. Bastante provavelmente eu nunca fui o filho que ele esperava que eu fosse. Mas foram muito poucas as críticas e praticamente nulas as interferências em minhas escolhas. Com raro talento, ele sempre me transmitiu a sensação de apoio quase incondicional, e quando não (porque de fato eu estava fazendo alguma grande bobagem), de compreensão infinita. Meus caros ... como isso é importante !!! E hoje, que também sou pai de dois grandes garotos (dos quais muito me orgulho, vale mencionar), tenho a consciência de como é difícil deixá-los viver suas vidas e apoiá-los incondicionalmente. Deve ser ainda mais difícil para aqueles que não tiveram a sorte que eu tive, o exemplo do berço. E o interessante é que essa atitude se extende também para a vida profissional. O Ferrari sempre foi um exímio delegador. Tal qual fez com seus filhos, conferia a seus "comandados" a autoridade correspondente à responsabilidade. Cobrava empenho e comprometimento, mas oferecia a liberdade para o exercício da individualidade. Creio que essa é uma característica genética do Ferrari. Também costumo agir assim quando ocupo uma posição de liderança. Mas aprendi com o exemplo e com a experiência. Vez por outra ainda tenho alguns deslizes centralizadores. Fato é que todos saimos ganhando com esse comportamento. Os líderes (e pais), porque tem a chance de aprender outras verdades. Os "comandados" (e filhos), por que crescem na busca de seu próprio caminho. Pois é, Pai ... faltou agradecer por mais essa !
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