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terça-feira, novembro 18, 2008

Aviso aos navegantes

Estou, finalmente, trabalhando no capítulo 10 do Rastro do Butadieno: "Ménage et Mémoire".
Aguardem.
Ou não...

segunda-feira, novembro 17, 2008

Planejamento

Quem já participou de reuniões de planejamento estratégico pode imaginar (se não estiver no meio de uma agora) como deve estar divertida a coisa neste final de ano.
As empresas internacionais que estão se dando mal na Europa ou nos Estados Unidos vão mandar cortar custos e investimentos no Brasil e em outros países tão pouco importantes quanto (do ponto de vista de faturamento), onde a situação ainda está sob razoável controle, sem saber bem porque.
Ai as empresas locais, que ainda não sentiram a crise, observarão o que as gigantes do seu ramo estão fazendo e, como sempre, vão imitar.
E as medidas preventivas contra a crise vão, justamente, causar a crise.
No final, a profecia se auto-realiza e todo mundo fica feliz por haver se preparado para o desastre que não teria acontecido sem ninguém tivesse se preparado para ela.
Grande oportunidade para alguns poucos "corajosos" que já aprenderam a fazer seu destino.

Para começar a semana...

Recomendo o filme Vicky Cristina Barcelona, do Woody Allen.
Allen referenciou-se no cinema europeu e conseguiu contribuir com sua argúcia para explicitar algumas interessantes facetas das relações amorosas (tema predileto de ingleses e franceses).
Não conseguiu evitar o sarcasmo habitual, sempre dirigido aos pronunciamentos algo pedantes das tribos mais intelectualizadas, mas só o suficiente para deixar sua marca registrada.
O filme inspira pensamentos interessantes sobre a simplicidade e a franqueza, a complexidade e a incerteza, o momento e o futuro, todos aspectos presentes nos relacionamentos afetivos. Não é uma comédia, não é um drama. Tampouco diria que é um filme romântico. É um filme terrivelmente simples, que faz pensar e, com sorte, pode provocar algum insight útil.
Já fazia tempo que não via um filme tão bom no cinema.
Alias, assistimos na nova sala VIP do Shopping Cidade Jardim. Caríssima, mas com uma poltrona muito melhor do que o sofa da minha sala (reclinável e com apoio para os pés) e serviço de bar. O Shopping em sí também é bastante simpático.
Vale a pena visitar uma vez na vida.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Arte e fato


Onde está a arte ? No artista, no apreciador, na obra ou na interação entre eles ?
Quando é que podemos rotular alguma coisa de arte ? Quais os critérios ?
Unicidade da obra ? Dificuldade para sua realização ? Beleza ? Contexto e mensagem ?
O quadro desta postagem pode ser considerado arte ?
E se eu disser que foi feito pelo Rodrigo (meu filho), quando tinha 4 anos de idade, muda alguma coisa ?

terça-feira, novembro 11, 2008

Acabou

Finda mais uma longa viagem de trabalho, retorno ao Brasil.
Aqui no aeroporto, esperando o embarque, decido postar.
Pego o notebook e dou-me conta de que esta sem bateria, e o cabo de conexao ficou no hotel.
Literalmente acabado, resta-me o bom e velho BlackBerry....

By any chance

E, então, o garçon do restaurante do Hotel em Miami me pergunta se eu "by any chance" estaria hospedado no cujo dito.
Traduzindo ao pé da letra, o sujeito me perguntou se a probabilidade de estar hospedado no hotel era diferente de zero.
Cada lingua tem suas particuaridades.

quarta-feira, novembro 05, 2008

"Change has come to America"

O homem começou falando a verdade.
Os EUA elegeram um novo presidente, democrata. Foi uma mudança.
E o referido país fica na América, como o nome já diz.
Já o jornal exagera um pouco, dizendo que a América faz a história por causa disso.
Mas os jornais estão aí para isso: contar histórias.

terça-feira, novembro 04, 2008

Sobre as Ninfas

(Palma Vecchio - Banho das Ninfas)

Ninfas são divindades femininas secundárias da mitologia grega.
A palavra, de radical grego, significa "coberta com um véu" (ou noiva, por extensão).
As Musas e Fadas, das quais tanto falamos por aqui, são casos especiais de Ninfas.
Sou fã ardoroso da mitologia grega (embora não seja um grande estudioso).
Encanta-me o politeísmo e o conceito de pagar tributos a cada um dos deuses que representam os aspectos essenciais da vida humana.
Como também me seduz a representação dos papeis fundamentais da mulher pelas Ninfas, e sua associação com Géia (a mãe Terra), húmida e fecunda, inesgotável fonte de energia criativa.
As Ninfas não são imortais, mas vivem muito (cerca de 10.000 anos, dizem) e se mantém eternamente jovens e renovadas, profetizando, nutrindo, curando e inspirando.
Algumas das Ninfas da antiga Grécia ainda estão por aí. Mas não é fácil encontrá-las.
Como os tempos são outros, jazem adormecidas no corpo de uma mulher.
Há que descobrir-las e estimular seu despertar.
Requer fé, observação, coragem e dedicação.
E vale cada minuto investido.

sábado, novembro 01, 2008

Quimeras

Essa postagem foi inspirada pelo comentário da Suzana, que adjetivou meu poemote anterior de "quimera".
Bicho lendário, cuja versão mais difundida se assemelha a um leão com uma cabeça adicional de cabra e o rabo em forma de serpente, a Quimera de tão fantástica e improvável, virou sinônimo de mentira fantasiosa.
Curiosamente, estava conversando agora pouco com a Udi enquanto esperávamos o início de mais um show da Kiwi Dillema, justamente sobre a mentira.
E a mentira se assemelha à Quimera, não apenas pelo fantasioso, mas por suas características.
Toda mentira tem cabeça de Leão, incontestável como o Rei da selva, e cauda de serpente, insidiosa, traiçoeira (simbolicamente falando, é claro).
E carrega nas costas um espírito de Cabra, assustada e fugidia quando ameaçada.
Tenho dificuldades para mentir e para lidar com a mentira e não me orgulho disso. Apenas constato e, as vezes, preferia que assim não fosse. Mas, tenho.
O que tentei explicar para Udi hoje foi que pessoas com essa dificuldade, quando descobrem que alguém amado mentiu para esconder algo que poderia magoá-las, se sentem muito mais atingidas pela mentira do que pelo fato em sí.
Reconheço que é difícil conviver com quem tem esse perfil. Exige coragem e não deixa muitas alternativas além da honestidade.
E aí você duvida que eu nunca tenha mentido.
E tem razão. Já menti e seguirei mentindo, para mim e para os outros. Acho que é inevitável. Muitas vezes, até confortável. Principalmente as pequenas e educadas mentiras sociais.
É suficiente não mentir sobre coisas importantes e sobre coisas tolas que se tornarão importantes em função da mentira.
E é necessário não mentir quando alguém lhe pede para dizer a verdade, porque isso transforma em mentira todas as verdades.
E é importante ser capaz de superar a mentira, quando vale a pena, e reconhecer que dizer a verdade nem sempre é fácil.
Não se vence a Quimera segurando-a pela cauda de serpente, ou enfrentando sua cabeça de leão.
Há que se cortar a cabeça de cabra.
E por último, é importante reconhecer que a verdade não existe.
O que existe é a honestidade.