
Essa postagem foi inspirada pelo comentário da Suzana, que adjetivou meu poemote anterior de "quimera".
Bicho lendário, cuja versão mais difundida se assemelha a um leão com uma cabeça adicional de cabra e o rabo em forma de serpente, a Quimera de tão fantástica e improvável, virou sinônimo de mentira fantasiosa.
Curiosamente, estava conversando agora pouco com a Udi enquanto esperávamos o início de mais um show da Kiwi Dillema, justamente sobre a mentira.
E a mentira se assemelha à Quimera, não apenas pelo fantasioso, mas por suas características.
Toda mentira tem cabeça de Leão, incontestável como o Rei da selva, e cauda de serpente, insidiosa, traiçoeira (simbolicamente falando, é claro).
E carrega nas costas um espírito de Cabra, assustada e fugidia quando ameaçada.
Tenho dificuldades para mentir e para lidar com a mentira e não me orgulho disso. Apenas constato e, as vezes, preferia que assim não fosse. Mas, tenho.
O que tentei explicar para Udi hoje foi que pessoas com essa dificuldade, quando descobrem que alguém amado mentiu para esconder algo que poderia magoá-las, se sentem muito mais atingidas pela mentira do que pelo fato em sí.
Reconheço que é difícil conviver com quem tem esse perfil. Exige coragem e não deixa muitas alternativas além da honestidade.
E aí você duvida que eu nunca tenha mentido.
E tem razão. Já menti e seguirei mentindo, para mim e para os outros. Acho que é inevitável. Muitas vezes, até confortável. Principalmente as pequenas e educadas mentiras sociais.
É suficiente não mentir sobre coisas importantes e sobre coisas tolas que se tornarão importantes em função da mentira.
E é necessário não mentir quando alguém lhe pede para dizer a verdade, porque isso transforma em mentira todas as verdades.
E é importante ser capaz de superar a mentira, quando vale a pena, e reconhecer que dizer a verdade nem sempre é fácil.
Não se vence a Quimera segurando-a pela cauda de serpente, ou enfrentando sua cabeça de leão.
Há que se cortar a cabeça de cabra.
E por último, é importante reconhecer que a verdade não existe.
O que existe é a honestidade.