
Reporto os fatos....
Sou leitor de jornais por Internet.
Entretanto, como o Guilherme, meu filho, estava passando uns dias em casa comigo e gosta de ler o jornal em papel, decidi assinar um.
Escolhi o Estadão, dada a forma ética e objetiva com que costuma reportar os fatos relevantes. Assinatura semestral.
No final do período, acostumado com o aspecto lúdico de receber aquela montanha de papel pintado todas as manhãs, estava considerando renovar minha assinatura, por menos ecológico que fosse.
Eis que recebo uma carta de congratulações do Estadão, pela renovação automática da minha assinatura, com cobrança no cartão de crédito.
Fiquei abismado. Havia optado pela não renovação automática no ato da assinatura.
Chateado por ter que dedicar parte de minha vida a um telefonema para o jornal, liguei para o Estadão e manifestei minha indignação.
Uma senhorita muito educada confirmou que a opção pela não renovação estava registrada no meu cadastro, mas que eles enviavam essa carta para todos os assinantes.
Minha mãe tem um nome para essa técnica: SPP (se pegar, pegou).
Passei de indignado a emputecido (com o perdão da má palavra).
A simpática senhorita prontamente ofereceu-me um desconto adicional por emputecimento.
Recusei, afirmando que dada a falta de ética comercial do jornal, não renovaria nem se fosse de graça.
E, assim, deixei de receber o periódico, em dezembro último.
Para minha surpresa, numa manhã desta semana fui despertado por uma ligação do Estadão.
Um também simpático rapaz me informou que, em função de um erro no cadastro da empresa, haviam deixado de enviar alguns exemplares. O Estadão estaria pronto a desculpar-se e corrigir a lamentável falha.
Não costumo acordar de muito bom humor, mas achei uma atitude digna da parte do jornal assumir um erro e prontificar-se a repara-lo.
Disse ao rapaz que não havia me dado conta do problema, já que minha assinatura havia terminado e eu não a havia renovado.
Ele, então, passou a confirmar meus dados para que a entrega fosse retomada.
Confirmou meu nome, e pediu que lhe informa-se o endereço.
Eu disse continuava sendo o mesmo endereço cadastrado. Ao que ele me respondeu que seu sistema estava fora do ar, reiterando o pedido.
Eu, que já começava a ficar desconfiado com o rumo da conversa, disse que se o sistema estava fora do ar, não adiantaria lhe dar o endereço. Seria melhor que ele ligasse mais tarde.
Magicamente, o sistema começou a funcionar e ele passou a confirmar o endereço, por partes.
Terminada a confirmação do endereço, o gentil funcionário perguntou-me se o número do cartão de crédito continuava sendo o mesmo.
Ao que respondi perguntando, já com a famosa pulga atrás da orelha, porque isso lhe interessava, já que não se tratava de uma renovação de assinatura.
Na maior cara dura, o sujeito me disse que para “reativar” a entrega, precisaria da confirmação do número do cartão de crédito.
Sentei-me na cama e disse algo como:
- Peralá, mermão !!! Que história de reativação é essa ? Você não me disse que pretendia me entregar alguns exemplares que ficaram faltando por um erro no cadastro ?
E o moçoilo, no maior cinismo, explicou:
- Então, sua assinatura não foi renovada por um erro no cadastro, e vamos reativá-la...
Que saudades do tempo em que os Mesquita dirigiam o Estadão ...