Você não pode impedir que o(a) outro(a) conheça pessoas interessantes.
Mas pode fazer o possível para ser sempre a mais interessante...
segunda-feira, junho 08, 2009
domingo, junho 07, 2009
O dia preferido
Filosoficamente, meu dia preferido é hoje.
Mas falando de maneira genérica, se tenho que escolher um dia da semana como meu preferido, é a segunda-feira, o dia universal do procrastinador.
É o dia da semana em que você pode escolher o que fazer e deixar o resto para terça, quarta ...
Qual é o seu dia preferido ?
Mas falando de maneira genérica, se tenho que escolher um dia da semana como meu preferido, é a segunda-feira, o dia universal do procrastinador.
É o dia da semana em que você pode escolher o que fazer e deixar o resto para terça, quarta ...
Qual é o seu dia preferido ?
sábado, junho 06, 2009
Propedêutica

- Bom dia, doutor ...
- Bom dia Sr. Roberto ... aqui está sua receita e nesse outro papel anotei alguns cuidados que o senhor deve tomar ... Leia e me diga se tem alguma dúvida por favor ...
Ainda de pé e espantado, Roberto responde:
- Mas como assim, doutor ... ainda nem lhe disse qual é meu problema !!!
- Problemas todo mundo tem, senhor Roberto. O que a gente não tem é tempo a perder. Para seus problemas, procure um psicólogo. Aqui tratamos da sua saúde.
- Mas como é que o senhor pode trata da minha saúde sem saber o que eu tenho ? - já irritado.
- Ora, senhor Roberto ... diagnóstico propedêutico ...
- Propequê ?
- Quando o senhor entrou observei que a luz do sol entrando pela janela o incomodou muito, o que é um sinal claro de fotofobia. O senhor prontamente levou a mão à têmpora direita e entreabriu os lábios de forma contraída, o que indica que está com dor de cabeça. Mesmo daqui deu para perceber a boca sêca e a língua algo amarelada. Associando isso ao suor frio na sua testa e ao tom da sua pele, é perceptível que não está se alimentando e ingerindo líquidos adequadamente, provavelmente em função de crises de enjôo. Seus movimentos estão tensos e noto sinais de hiperatividade. E, para finalizar, o senhor está ficando irritado a tôa ...
Roberto, atônito, faz menção de que vai sentar na cadeira em frente a mesa do médico.
- Não precisa nem sentar, senhor Roberto ... o senhor está com uma crise de enxaqueca.
- Mas isso é uma leviandade ... o senhor não vai me mandar fazer exames ?
- Exames, meu caro senhor Roberto, a gente só deveria fazer para diagnósticos diferenciais ou quando não temos, com o perdão da má palavra, uma puta idéia do que o paciente tem. No seu caso absolutamente não é necessário. Faça o tratamento que estou lhe indicando e em dois ou três dias já estará de melhor humor.
Roberto olha para o médico, para a receita sobre a mesa, para a janela - franzindo o cenho, e diz desalentado:
- Eu não deveria nem pagar por essa consulta !
- O senhor não vai pagar ... tem plano de saúde.
- Como é que o senhor sabe ?
- Se tivesse que pagar do seu bolso, não quereria gastar dinheiro com exames desnecessários ... E se já não tivesse assinado os formulários na recepção, não estaria colocando essa sua última afirmação no condicional. Simplesmente diria que não vai pagar e pronto. Passar bem, senhor Roberto.
Roberto sai da sala batendo a porta.
Dr. Ernesto pede à sua secretária que mande entrar o próximo paciente.
Uma morena esguia, seios pequenos, lábios carnudos e voz sensual entra na sala.
- Bom dia, doutor ...
- Bom dia, dona Amélia ... Pode tirar a roupa e deitar alí na maca, por favor.
- Mas doutor, estou aqui só para a consulta de retorno por causa daquela afta, lembra ...
- Claro que lembro, dona Amélia. Mas seria muita falta de responsabilidade minha não examiná-la com calma. A estomatite aftosa é insidiosa, a senhora sabe. Melhor prevenir que remediar depois. Não tenha pressa ... É preciso saber dedicar nosso tempo para as coisas realmente importantes ...
sexta-feira, junho 05, 2009
Procrastinadores e Postergadores
"Hodie mihi, cras tibi" : hoje é para mim, amanhã é para você (latim).
Procrastinar é uma palavrinha pouco conhecida, habitualmente utilizada por políticos mais educados quando querem dizer, agressivamente, que alguém está tentando empurrar alguma coisa "com a barriga", ou seja, deixar para depois ou evitar que aconteça.
Já "postergar" é usada como sinônimo elegante de um adiamento.
Curiosamente, a etimologia dessas palavras indicaria o contrário.
Procrastinar (pro= a favor, cras= dia seguinte) é deixar para o dia seguinte.
Postergar é deixar para a posteridade (posteritátis= tempo futuro), ou seja, sem data definida.
Nesse sentido, depender de alguém que posterga seria muito pior do que de alguém que procrastina ...
E o mundo anda cheio dos dois.
Procrastinar é uma palavrinha pouco conhecida, habitualmente utilizada por políticos mais educados quando querem dizer, agressivamente, que alguém está tentando empurrar alguma coisa "com a barriga", ou seja, deixar para depois ou evitar que aconteça.
Já "postergar" é usada como sinônimo elegante de um adiamento.
Curiosamente, a etimologia dessas palavras indicaria o contrário.
Procrastinar (pro= a favor, cras= dia seguinte) é deixar para o dia seguinte.
Postergar é deixar para a posteridade (posteritátis= tempo futuro), ou seja, sem data definida.
Nesse sentido, depender de alguém que posterga seria muito pior do que de alguém que procrastina ...
E o mundo anda cheio dos dois.
quinta-feira, junho 04, 2009
Frase da noite
Estatísticas não vendem jornais, mas vendem anúncios. (FF)
(inspirada pelo comentário do Ernesto)
(inspirada pelo comentário do Ernesto)
A frase do dia ...
"...Uma "explosão" de palavras incisivas de gigantismo admirável no aspecto verbal de uma significação imensa."
(de um senhor "Pena", lá no blog do Tapadinhas, comentando nosso encontro).
(de um senhor "Pena", lá no blog do Tapadinhas, comentando nosso encontro).
A primeira vez ...

Nunca pilotei um avião. O especialista aqui na blogaldeia é o Ernesto.
Mas como viajante frequente, sei reconhecer a experiência e a qualidade de um piloto durante a aterrisagem.
Ontem, no vôo da American Airlines, de Porto Rico para Miami, vivi uma experiência curiosa.
Durante o procedimento de aproximação para aterrisagem, percebi que a potência das turbinas oscilava muito mais do que o habitual. Claramente, quem pilotava o avião estava tentando corrigir a altitude e o avião "ondulava" a caminho da pista.
Como não parecia que a aeronave apresentasse nenhum problema grave, fiquei imaginando o que estaria acontecendo na cabine de comando. Claro que as hipóteses mais maliciosas não foram descartadas.
Já na cabeceira da pista, perbebi o mesmo esforço primário para corrigir o alinhamento horizontal da aeronave, que balançava festivamente suas asas.
Quando as rodas tocaram o chão, pelo menos uns 40% da pista já tinham sido deixados para trás e o piloto teve que caprichar na reversão das turbinas e no freio.
Dentre as hipóteses plausíveis, escolhi a possibilidade de uma das aeromoças ter sido convidada para pousar o avião pela primeira vez, visto que aquele não havia sido um pouso "profissional".
Quando estava saindo do avião, a porta da cabine de comando se abriu e tive a chance de ver uma mulher deixando o assento do co-piloto, sem o quepe e a jaqueta característicos da função.
Não posso jurar que era uma aeromoça.
Mas como não tenho nenhuma razão para imaginar que uma mulher seja menos capaz para pilotar um avião do que um homem, aposto que não era uma pilota.
Certamente, era uma amadora (o que, talvez, explique tudo).
quarta-feira, junho 03, 2009
O cotidiano e o efêmero
Caiu mais um avião. Uma tragédia, sem dúvida, com mais de 200 vítimas fatais.
Fato raro, efêmero e traumático. Por isso, ocupará as páginas dos jornais por alguns dias, talvez semanas.
Nesse mesmo momento, a OMS está para divulgar um estudo que aponta a ocorrência de mais de um milhão de mortes por ano no mundo em decorrência de acidentes automobilísticos.
Isso equivale à queda de 10 aviões por dia, todos os dias.
Os jornais irão publicar uma nota, provavelmente na quarta página do caderno internacional, sobre o assunto.
Coisas do cotidiano.
Fato raro, efêmero e traumático. Por isso, ocupará as páginas dos jornais por alguns dias, talvez semanas.
Nesse mesmo momento, a OMS está para divulgar um estudo que aponta a ocorrência de mais de um milhão de mortes por ano no mundo em decorrência de acidentes automobilísticos.
Isso equivale à queda de 10 aviões por dia, todos os dias.
Os jornais irão publicar uma nota, provavelmente na quarta página do caderno internacional, sobre o assunto.
Coisas do cotidiano.
terça-feira, junho 02, 2009
Marketing de definição
De uma conversa com o Guilherme (meu filho) e de algumas apresentações que assisti no congresso, me ocorreu elaborar uma classificação para os diversos tipos de marketing.
Guilherme mencionou uma definição postulada em um livro que estava lendo, que contrapunha o "marketing de difusão" (propaganda na TV, por exemplo) ao "marketing de permissão" (quando você autoriza alguém a te enviar uma mensagem ou um catálogo).
Marketing é a diciplina mais indiciplinada para conceitos. Todo mundo se sente no direito de criar novas definições que sirvam ao seu propósito.
Eu acho isso fantástico, até o momento em que o sujeito começa a levar a sério suas próprias definições. E piora quando ele começa a se irritar porque os outros não levam a sério. Mas a liberdade e a autoridade para criar merecem ser congratuladas.
Eu mesmo vivo definindo coisas.
No ano passado mesmo criei os termos "interruptiva-autista" e "interativa-fractal" para definir conceitualmente a velha e a nova propaganda.
Andei sugerindo o termo "marketing de contextualização" para nominar as técnicas específicas de posicionamento de marcas em redes sociais. Me parece melhor do que "buzz marketing". A letra "z" dobrada no final me dá aflição (trauma de pernilongos).
Mas ninguém tem dado muita bola para os nomes que invento.
Provavelmente porque não tenho publicados livros.
Uma definição em um livro é coisa séria, segura. Você pode repetir sem receio.
Já reparou como os profissionais tem medo de citar a Wikipedia como referência ?
Nos EUA, cada vez que um sujeito cria um nome novo para algo ligado a marketing, publica um livro.
A receita é sempre a mesma: título enigmático e/ou engraçado, uma introdução dizendo que aquele conceito explica tudo e que sua vida vai mudar quando entender o que ele significa, uma série de exemplos de empresas que estavam aplicando o conceito (sem saber e mesmo antes do autor haver inventado) e tiveram muito sucesso e alguns outros de empresas que não aplicaram e se deram mal.
Falta-me paciência para ler ou escrever coisas assim.
Prefiro trocar idéias com vocês aqui no Arguta.
Guilherme mencionou uma definição postulada em um livro que estava lendo, que contrapunha o "marketing de difusão" (propaganda na TV, por exemplo) ao "marketing de permissão" (quando você autoriza alguém a te enviar uma mensagem ou um catálogo).
Marketing é a diciplina mais indiciplinada para conceitos. Todo mundo se sente no direito de criar novas definições que sirvam ao seu propósito.
Eu acho isso fantástico, até o momento em que o sujeito começa a levar a sério suas próprias definições. E piora quando ele começa a se irritar porque os outros não levam a sério. Mas a liberdade e a autoridade para criar merecem ser congratuladas.
Eu mesmo vivo definindo coisas.
No ano passado mesmo criei os termos "interruptiva-autista" e "interativa-fractal" para definir conceitualmente a velha e a nova propaganda.
Andei sugerindo o termo "marketing de contextualização" para nominar as técnicas específicas de posicionamento de marcas em redes sociais. Me parece melhor do que "buzz marketing". A letra "z" dobrada no final me dá aflição (trauma de pernilongos).
Mas ninguém tem dado muita bola para os nomes que invento.
Provavelmente porque não tenho publicados livros.
Uma definição em um livro é coisa séria, segura. Você pode repetir sem receio.
Já reparou como os profissionais tem medo de citar a Wikipedia como referência ?
Nos EUA, cada vez que um sujeito cria um nome novo para algo ligado a marketing, publica um livro.
A receita é sempre a mesma: título enigmático e/ou engraçado, uma introdução dizendo que aquele conceito explica tudo e que sua vida vai mudar quando entender o que ele significa, uma série de exemplos de empresas que estavam aplicando o conceito (sem saber e mesmo antes do autor haver inventado) e tiveram muito sucesso e alguns outros de empresas que não aplicaram e se deram mal.
Falta-me paciência para ler ou escrever coisas assim.
Prefiro trocar idéias com vocês aqui no Arguta.
segunda-feira, junho 01, 2009
Sozinho na multidão (uma reflexão)

Na noite do coquetel e do jantar em Barcelona, quando cheguei à beira da piscina, me dei conta de que não conhecia nenhuma das 350 pessoas que lá estavam.
Não é um fato comum.
Normalmente participo de congressos onde conheço boa parte das pessoas e, algumas delas há anos. Isso quando não vamos em "comitiva", para apresentar papers compartilhados.
Mas naquela noite foi assim.
Eu fiquei lá parado, à beira da piscina, ouvindo dois rapazes tocando violão com o bom e velho ímpeto espanhol e pensando se iria embora ou ficava para o jantar.
Não estava com vontade de socializar profissionalmente. E embora precisasse jantar, uma certa carência afetiva indicava que não me faria bem sentar numa mesa com mais 7 desconhecidos (e conhecidos entre sí).
Foi então que ví Ramona e Alina, e decidi puxar papo.
A decisão foi baseada em alguns fatores. Queria jantar, não queria jantar sozinho e não queria companhia muito formal. Elas estavam vestidas de maneira casual e pareciam receptivas.
Enquanto olhava para as duas, o olhar da Ramona cruzou o meu. Dei um leve e educado sorriso acenando a cabeça (como cabe em coquetéis de negócios) e percebi depois, de canto de olho, que ela fez algum comentário sobre mim com a Alina.
A vantagem de ter um nível razoável de auto-estima, é que não me passou pela cabeça que o comentário fosse algo como "veja que tipo ridículo alí sozinho", e menos ainda que isso fosse dito em romeno.
Bem, certamente foi em romeno. Talvez tenha errado no conteúdo também. Mas acabei puxando papo com as garotas, elas foram super-simpáticas comigo, o jantar foi agradável e nossa blogaldeia expandiu-se para outras latinidades.
Mas quando voltei para o quarto (sozinhos, senhoras), recebi um mail informando que um rapaz que trabalha para empresa em Miami teve uma crise séria de cólica renal e teve que ser internado em um hospital.
Como sou dado a episódios quinquenais de cólica renal, sei bem o que é isso.
E fiquei pensando como seria ter uma crise alí, entre 350 desconhecidos, sem minha irmãzinha e seu arsenal de anestésicos, sem a namorada, sem os filhos, os amigos, sem ninguém a quem você pudesse entregar o seu desespero e pedir para ser acolhido.
Essa possibilidade, no meu caso, não é remota, embora nunca tenha acontecido nada parecido tão longe de casa e sozinho.
Concluí que é preciso uma de duas coisas para fazer esse tipo de viagem: coragem ou ignorância ...
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