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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Slice of life

O conforto do sofá ... pés apoiados no "pufe" ... créditos rolando na tela da TV... A tua cabeça recostada no ombro, corpo largado, respiração lenta e a sensualidade estimulada pela sensação de ser verdadeiramente acolhida.
Clic !

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Pecado e Capital


Parte 4 – Beata Constância


Jailton permanecia inerte, olhar esbugalhado em direção à tela de seu computador.
Constância imaginou ter ouvido o som de trombetas e sentiu um calafrio percorrer a espinha, interrompido pelo fecho do sutiã.
- Está acontecendo ... – murmurou, incrédula. Tal qual Ele falou.
Constância havia sido preparada para identificar esse momento. Seu trabalho no escritório era um mero subterfúgio para estar presente na hora e local adequados.
Sem perder Jailton de vista, digitou um torpedo para o Dalton: “Avise o mestre; a hora chegou”.
Aproximou-se vagarosamente da mesa do Eleito e não pode deixar de sentir uma certa ternura acompanhando as lágrimas que começavam a marcar sua camisa azul clara.
A tela do computador parecia uma televisão antiga sintonizando um canal inexistente. Uma coisa meio Poltergeist, pensou.
- Jailton .... Jailton ... – constância sussurrou ao pé do ouvido, afagando-lhe delicadamente os cabelos.
Muito lentamente, Jailton voltou seu semblante iluminado para Constância, enterrou o rosto entre seus seios e chorou copiosamente, soluçando em silêncio.
No pátio do estacionamento, Dalton acordou sobressaltado com o dingar do celular.
Preguiçosamente abriu o flip e pressionou o botão de leitura.
Qualquer resquício de sono desintegrou-se de imediato.
- Michael .... os presságios se confirmam ....- balbuciou.
Digitou uma seqüência de números e escutou uma melíflua voz feminina:
- Diga, meu anjo ...
- O mestre ?
- Sou eu, querido ....
- Mas ...?!?
- Anjo não tem sexo .... – uma gargalhada gostosa, num timbre andrógino, atravessou Dalton de orelha a orelha. E você, meu caro, não tem um pingo de senso de humor.
- Chegou a hora mestre ...
- Eu sei.
- Então, porque ...
- Precaução ... onisciência não é infalível. E, depois, uma vez na terra, faça da forma terrena.
- Constância está com o Eleito, seguindo o roteiro que combinamos.
- Ótimo. Espero vocês.
- Será que ele nos acompanhará ?
- Claro Dalton ... assim está escrito.
Dalton desligou ressabiado. Essa era uma parte que ele nunca conseguira entender. Se tudo estava escrito, porque tanta preocupação ? Aliás, porque é eles tinham que aramar todo aquele circo se não havia livre arbítrio ?
.......
Constância tomou Jailton pelas mãos.
-Venha, querido ... está tudo bem ... vamos ....
- Eu vi, Tancinha ... eu vi ....
- Eu sei, Já.... eu sei .... fique tranqüilo .... você compreenderá tudo no lugar para onde vamos ...

Pecado e Capital


Essa história começa em outra dimensão.
O primeiro (e interessantíssimo) capítulo está no Assertiva e sua leitura é condição “sem a qual não” se pode prosseguir na leitura. Suspeito que o terceiro capítulo também estará por lá em breve ...

Parte 2 – A Terra

Jailton estava preocupado.
Havia noites não dormia bem. Justo ele, quase um narcoléptico.
Tudo começou numa madrugada em que acordou com a sensação de estar sendo sufocado por um monte de penas.
Prontamente substituiu seu travesseiro de plumas de ganso, presente de uma amiga que dizia adorar as pequenas coisas simples da vida como lençóis de algodão egípcio e manteiga francesa, pelo outro que costumava acomodar entre as pernas (um velho truque índio para dores de coluna).
Não adiantou.
Na noite seguinte voltou a acordar sobressaltado, em meio a um pesadelo onde chafurdava entre longas penas brancas tentando encontrar um cilindro composto por anéis numerados.
- É a porra do orçamento ! – pensou. Ou o chopp da Skin ...
Prometeu a si mesmo que assumiria o estouro do orçamento e que, se não houvesse outra alternativa etílica, ficaria no guaraná diet. Voltou a dormir.
Quase havia esquecido do assunto quando, algumas noites depois, as penas voltaram, desta vez em movimento. E, no meio delas, um rosto desconhecido, mas vagamente familiar, coroado por loiros e desgrenhados cabelos.
A duras penas (e foi essa a expressão que utilizou quando contou o caso para a Estela no dia seguinte), procurou se lembrar do que dizia o personagem. Não conseguiu.
E nem precisou, pois o loiro com cara de arcanjo voltou na noite posterior.
- Você foi o escolhido, Jailton... – ressoou uma voz que parecia produzida no Adobe Audition com eco do tipo “empty parking garage”.
Desta vez Jailton acordou a contragosto, antes de conseguir perguntar do que se tratava.
Mas isso não era tudo.
Tão agnóstico quanto o avô paterno do Aldous Huxley (Sir Thomas, inventor da expressão), Jailton teve que reunir todas as suas forças para resistir á súbita compulsão de comprar um crucifixo numa joalheria próxima ao escritório. Afastou-se da loja, assustado, e caminhou a esmo por alguns quarteirões. Quando deu por si estava sentado no banco de uma igreja.
Eram quase cinco da tarde, e a luz do sol poente atravessava os vitrais da nave refletindo nas partículas de poeira suspensas.
Se estivesse em seu estado normal, Jailton faria uma rápida conexão mental com as obras do metrô mas, não ... Ficou ali, estaticamente hipnotizado pelo movimento dos pequenos pontos luminosos, e embevecido pela terna sensação de acolhimento daquela luminosidade quase celestial.
Despertou do transe ao som dos sinos, que chamavam para a missa.
Atordoado, levantou-se, assistiu sua mão direita com inusitada autonomia ensaiar o sinal da cruz e retirou-se, dirigindo-se apressado e algo cambaleante para o escritório.
- Jailton ... o que houve ? – perguntou Dona Constância logo á sua chegada. Você está pálido ... E sumiu a tarde toda sem avisar ... Está passando bem ?
Ele acenou com a cabeça e fez um gesto de quem não queria conversa. E se havia alguém que consegui impor respeito naquele escritório era o Jailton, quando não queria conversa.
Chegou até sua mesa sem mais interrupções.
Ligou o computador disposto a trabalhar no orçamento, evitando pensar no que havia acontecido.
Clicou no ícone do Excel mas, inexplicavelmente, foi o Powerpoint que abriu, ao som de um grupo de trombetas em um arranjo épico.

Pensamento da décima segunda badalada

Koan: Se o que faz a felicidade de um homem entristece aqueles que ama, e se um homem não pode ser feliz causando a infelicidade dos seres amados, como pode um homem ser feliz ? (受到)

domingo, fevereiro 25, 2007

Sobre Musas e Fadas


Inspirado pelas trocas de comentários Assertiva-Arguta dos últimos dias, senti-me motivado a postar algumas digressões sobre essas duas importantes entidades do imaginário (?) coletivo.
É comum o uso indiscriminado das duas denominações para fazer referências a mulheres belas, interessantes ou relevantes por alguma razão.
Mas fato é que Fadas e Musas tem origens e papeis muito diferentes.
Fadas são elementais, seres mágicos da natureza, associadas aos bosques e florestas, com suas flores e fontes. Estão referenciadas em praticamente todas as culturas. São festivas, portadoras de boas notícias, carinhosas, afetivas e utilizam seus poderes mágicos para provocar interferências que modificam o mundo em favor de seus protegidos. O adjetivo “feérico”, que hoje tem o sentido de deslumbrante, teve como origem a palavra francesa “féerique” – relativo ao mundo das fadas (fée). Elas foram representadas de diversas formas ao longo dos séculos, mas a referência atual mais comum (pequenas, lindas e sensuais mulheres, dotadas de asas e com vestidos esvoaçantes e semi-transparentes) corresponde aos primeiros registros históricos das suas ancestrais "Lasas" etruscas, em 600 a.c. (fonte: www.rosanevolpatto.trd.br/fadas.html).
Já as Musas tem sua origem claramente definida na Grécia antiga e foram, segundo os poetas gregos, criadas pelos Deuses para inspirar a arte entre os mortais. Hesíodo foi o primeiro poeta grego a nominá-las e descreve-las, curiosamente na mesma época em que os Etruscos descreviam suas Lasas (VII a.c.). – fonte: http://clio.rediris.es/clionet/fichas/ant_musas.htm .
Há, portanto, uma grande diferença entre Fadas e Musas. Enquanto as primeiras são agentes da felicidade de seus protegidos, com os quais desenvolvem uma relação afetiva, as segundas inspiram suas obras, sem interferência direta ou relacionamentos pessoais. Umas se apaixonam, e tem por objeto a pessoa. Outras inspiram a paixão, desapaixonadamente, e tem por objeto a arte.
Fadas podem atuar como Musas, inspirando seus protegidos. E aí serão musas exclusivas.
Musas nunca serão fadas. Não tem poderes nem vocação para isso.
O artista pode evocar sua Musa, mas precisa merecer sua Fada, sendo escolhido por ela ou, em descobrindo-a, lutando para conquista-la.

sábado, fevereiro 24, 2007

Crônicas da vida empresarial: O BEIJO

- Você está sendo muito radical, Jailton...
- Noupe ! Suspenda a crítica ... comece a olhar em volta. Use sua sensibilidade. Atenção para olhares, gestos, textos e subtextos ...
- É a correria do dia-a-dia. Mas à noite, nos finais de semana .... - Rodolfo resistia.
- Não Rodolfo... acabou.... sumiu .... é a robotização. É como se estivéssemos nos dando conta de que o livre arbítrio não existe. Então, para quê ?
- Mas veja a Estela, por exemplo ...
- Uma exceção, Rodolfo. E por isso tão apaixonante. A Estela tem tesão. Aliás, deveria ser teZão, com “z” maiúsculo, pelo zumbido ionizante. Ela não se importa, não tem planos, não tem projetos. É como se lá no fundo soubesse que não tem escolha. Aproveita o dia .. carpe diem ...
- Ontem mesmo, Jailton ... na reunião de lançamento do novo produto ... todo mundo estava vibrando !
- É isso, Rodolfo. Todo mundo cotidianamente apático e “vibrando” com o lançamento de um novo produto. É como soprar a vela do bolo, sem o bolo. Outros tempos. A garotada só quer saber de profissão, carreira, trabalho, planos. Claro que, além disso “TEM” que se divertir. Tem que namorar, tem que casar ou não tem que casar, tem que viajar. Mas é “TEM”, do verbo “sou obrigado a”. Veja aquela morena entrando ali, com o bonitão de jeans.... Dá quase para ver a coleira. Atenção na atitude, no olhar da garota ... Percebe ? Missão cumprida ! Tenho um namorado bonito, hoje é quinta-feira e vou tomar dois chopes, comentar sobre o projeto novo, exibir meu sucesso e voltar para a casa para arrumar minha gaveta de calcinhas... E acredite Rodolfo, essa garota tem uma das mais lindas gavetas de calcinhas de que se tem notícia. É lá que está toda a sexualidade reprimida ... aliás, reprimida não, sublimada.
- Talvez seja uma conseqüência desse momento histórico, mais racional, mais consciente, distante da religiosidade, Jailton - Rodolfo estava verdadeiramente incomodado.
- O cacete, meu caro. Nada mais condicionante do que a religiosidade no sentido em que a praticamos nos últimos 500 anos. Substituímo-la por condicionamento autógeno, da pior espécie. Estamos nos transformando em escravos de nós mesmos.
Rodolfo encheu novamente o copo de cerveja com um suspiro desanimado.
- Fazer o quê ?
- Ações de desautohipinose ...
- ???
- Beijar, por exemplo ...
- Me perdi ! - a expressão indefesa do Rodolfo era reforçada pelo “bigode” de espuma.
- Ta vendo aquela garota ali, blusinha de seda, sem sutiã, cara de gerente financeira ? – Jailton balançou a cabeça em direção a uma mesa onde duas mulheres particularmente bonitas e bem vestidas conversavam com ar sério. Veja só ...
Jailton levantou-se e, vestido de seu sorriso maroto-ingênuo caminhou a passos lentos e determinados em direção à mesa.
A mistura de lâmpadas incandescentes e frias, refletidas nos detalhes de bronze do bar que já havia sido um restaurante sofisticado nos bons tempos, fotografava um quê de cinema eurpeu.
Rodolfo assistia em slow motion.
A garota captou o movimento com um olhar rápido e caprichou na empáfia, sem, contudo, intimidar Jailton que prosseguiu até deter-se ao lado da mesa, ainda sorrindo, buscando o contato direto com os olhos da vítima.
A amiga parou de falar. Ambas voltaram-se para Jailton que sustentou o olhar da garota, desarmando-a gradativamente.
Sem dizer nada, Jailton deu o último passo em direção à mesa e inclinou o corpo, aproximando-se como se fosse contar um segredo.
A garota, olhar capturado, demorou alguns segundos até perceber o que estava acontecendo.
Subitamente alarmou-se, mas já hipnotizada, tudo que pode fazer foi esboçar um débil “não ...” com um olhar infantilmente assustado.
Jailton murmurou um categórico, mas suave, “sim” e, sem desviar o olhar por um segundo sequer, encostou seus lábios nos dela, colocou a mão direita em sua nuca e beijou calma e inexoravelmente.
Atônita e tensa no início, a garota foi relaxando perceptivelmente na cadeira e correspondeu ao beijo com timidez.
Jailton afastou-se, ainda com o mesmo sorriso.
- O que foi isso ? – a garota perguntou, voz trêmula.
- Um beijo... – Jailton respondeu - ... só um beijo. Um presente meu para você, e seu para mim.
Tomou a ponta dos cabelos longos da garota, deixou-os escorrer entre os dedos, deu sua famosa piscadela acompanhada de um movimento de beijo à distância e afastou-se sorrindo, como se fossem velhos amigos que haviam se reconhecido e cumprimentado.
De volta à mesa, encontrou um Rodolfo pasmo.
- O que foi isso ???
- Um beijo, Rodolfo... só um beijo. E por tão pouco, ela já não será mais a mesma mulher.

Inexorável (pensamento da manhã)

Para quem está acompanhando as digressões sobre a teoria evolucionista no Assertiva, sugiro a leitura da última postagem do Rodrigo no Dysfemismo (links ao lado).
Inspirado em ambos e pelo licor 43, parí:

"Somos como os elétrons dos átomos das moléculas da batata.
Não temos consciência, movimentamo-nos aleatoreamente com falsa liberdade mantendo-nos confortavelmente próximos de um núcleo conhecido, e deixar de contribuir para a existência da batata não é uma opção."

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Parem as máquinas ...


Mas não a do café, que esta é indispensável !
A notícia, relevante por sua natureza sócio-cognitiva, é o comentadíssimo encontro entre os editores do Assertiva e do Arguta Café, dois ícones da blogsfera reconhecidos pelos leitores pela frequencia altamente qualificada.
As personalidades exuberantes, acompanhadas de seus corpos algo desgastados pelo tempo mas ainda em boas condições de uso, foram vistas por não por transeuntes (já que estavam dentro de um restaurante) mas por saladuntes (que untavam suas saladas com as diversas marcas de azeite disponíveis no local).
Pela duração do almoço dir-se-ia que o fenômeno da expansão lateral e projeção abdominal de certos indivíduos do sexo masculino jazia explicado.
Fontes próximas, entretanto, confirmaram que o entusiasmo dos blogueiros pela conversa foi maior do que pela comida, com a possível excessão das empadas de palmito.
Comenta-se que não houve qualquer esforço para desestruturar a conversa, que derivou multidimensionalmente, salpicada de menções às musas dos respectivos blogs, planos alternativos de existência e pedais de efeitos para os Mutantes.
A providencial ausência de caroço na azeitona da empada não foi objeto de discussão, mas mereceu um meneio de aprovação de pelo menos um dos presentes.
De produtivo para os frequentadores dos espaços cultivados pelos editores vale mencionar o nascimento de um projeto comum, ainda secreto, que será divulgado sincronamente nos próximos dias.
Também ocorreu a pelo menos um dos presentes que esse encontro deveria ser repetido no futuro, com a presença dos frequentadores de ambos os blogs, no que poderíamos chamar de blog-hour.
Segundo eu, que não quis me identificar, os editores deverão aguardar manifestações expontãneas dos frequentadores.
(direto da redação do Arguta Café)

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Para constar ...

Companheiros e companheiras ...
Hoje, às 16h30 da tarde, o Arguta Café recebeu seu visitante de número 5.000, na esteira do que já havia ocorrido com blogs melhores (como o Assertiva) há alguns dias.
Temo tratar-se de uma pandemia, já que o cujo dito é Maranhense, vindo sabe Deus donde. Olhou, não gostou do que viu e, como diria minha avó, pinicou-se.
De todo modo somou.
Mas o importante não é a quantidade, mas sim a qualidade das relações (como querem acreditar as mães modernas). E eu estou muito feliz com os frequentadores do Café, gente da melhor qualidade.
Beijos para todos ...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Homilia e a Odisséia


Uma amiga minha manifestou seu descontentamento com o padre de sua paróquia, justificando-se pelo alto conteúdo político de suas homilias.
Eu, que frequentei mais a igreja adventista do que a católica quando pequeno, achei que era melhor perguntar o que seria uma homilia, antes de concordar com a crítica.
Descobri, então, que homilia (cujo significado é algo como "conversa com a família") é o discurso feito pelo padre após a leitura do evangelho, com o objetivo de auxiliar a interpretação e a compreensão pelos fiéis.
A queixa da minha amiga era, portanto, válida. O PT, o PSDB, o PMDB e outros nanicos deveriam ser deixados fora disso.
Interessante é que descobri também uma extensão de sentido, pejorativa, apontada pelo Houaiss. Homilia passou a significar "dicurso moralizador, longo e enfadonho".
Culpa dos padres católicos que, mal preparados para os tempos de hoje, acabam por transformar a missa, que deveria ser um momento de experiência religiosa (um encontro com Deus) em uma coisa moralizadora, longa e enfadonha.
Não frequento a igreja católica com regularidade. Mas entre casamentos e batizados, tive a chance de assistir um número razoável de missas. Algumas foram inspiradoras. A maioria, de fato, enfadonhas.
Aí, traço um paralelo com as escolas e os programas de treinamento das empresas.
Esses eu frequentei e frequento com assídua regularidade.
E, aqui entre nós, amigos do Arguta, quase sempre alterno entre a luta contra o sono e a tentativa de acalmar a ansiedade gerada pela sensação de perda de tempo.
Fiquei conhecido na faculdade por dormir em sala de aula.
Com o tempo, acabarei ficando famoso por dormir em congressos, reuniões e treinamentos.
De um modo geral, esses são momentos de homilia e, por extensão de sentido, também longos, enfadonhos e dogmáticos.
Programas educativos (aulas de cursinho à parte) são, por extensão da extensão de sentido, uma Odisséia (viagem de volta para casa de Ulisses - Odisseu - após a guerra de Troia). A gente não vê a hora de chegar em casa, mas demora para caramba e tem uma porção de coisa chata pelo caminho.
Rubem Alves disse certa vez que quem não é educado precisa ser seduzido (numa carta ao Roberto Marinho - TV Globo - falando sobre seu papel de Anjo Engravidador)para, então, ser educado.
Essa é, por extensão elástica de sentido (eu gostei dessa história), uma questão Homérica. Professores de cursinho adotam a sedução metamorfoseada em alegorias circenses. Profissionais de educação mais puristas discordam, talvez preocupados com o resultado da influência de Afrodite sobre Páris.
E eu, se não estiver interessante, durmo.