O Arguta Café costuma acomodar postagens razoavelmente familiares.
Mas considerando que o ano está acabando e que, em dois dias, poderei dizer que foram águas passadas, não resisti à tentação de estabelecer este registro.
Passeando pela praia aqui da Riviera, em Bertioga, pude observar que cirurgiões plásticos e esteticistas andam trabalhando muito.
A quantidade de pós-balzaquianas apresentando níveis acima do natural de botox para rugas eliminadas, ácido para lábios mais carnudos, lipoaspiração e escultura para barriguinhas mais jovens, silicone para peitos suspeitos e outras coisas que ainda não conheço mas sou capaz de reconhecer pela artificialidade é, literalmente, assustadora.
Claro que tudo isso vem acompanhado de cabelereiro, maquiagem e perfume de boa qualidade ... na praia, pela manhã !!!!
Correndo distraidamente a beira mar, num dado momento dei de cara com um grupo de jovens senhoras portadoras da referida síndrome. A sensação foi a de que estava tendo um pesadelo onde clones envelhecidos da Angelina Jolie estavam prestes a me atacar.
Mais para frente, já recuperado do susto, topei com outra, que caminhava sozinha dentro de seu biquini francês com grandes argolas douradas, a passos curtos e rápidos e com os braços levemente flexionados. Cheguei a olhar para os pés para ter certeza de que não estava usando salto alto.
- Barbie Boquete ! - o nome da síndrome "popapou" na mente, assim, de repente.
Confesso que me senti desconfortável com o insight de mal gosto, experimentando uma sensação de injustiça em relação a essas mulheres que, no fundo, são vítimas da ditadura da beleza (seja lá o que isso quer dizer).
Mas resolvi fazer a postagem mesmo assim, como um alerta para as leitoras do Arguta, principalmente as mais jovens, para que não caiam na tentação de exagerar na luta contra o tempo e a gravidade.
Uma mulher bem resolvida por dentro sempre é muito mais bonita do que uma recauchutada por fora.
sexta-feira, dezembro 31, 2010
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Muy amigo
- Que cara de felicidade é essa, Argenor ? Nove da manhã de uma segunda-feira e você de bom humor ? Nunca ví isso !
- Acabei de voltar da casa do Almeida ...
- O Almeidinha ? .... Meio tonto, mas um bom sujeito ... O que é que você foi fazer lá tão cedo?
- Bem ... ele me pediu para dar uma olhada no computador ... estava com problemas para acessar a internet e ... você sabe ... o Almeida não entende picas de computador ...
- Isso lá é verdade .... se o Almeida pudesse, mandava cartas ao invés de e-mails ... Nem imaginava que ele usava um computador em casa !
- Ele não usa ... é a mulher dele quem usa ... a Maria Rita.
- Ah .... a Ritinha .... que mulherão, não ? Honestamente ? ... Nunca entendi o que um mulherão daqueles viu no Almeida ...
- Pois é ... eu também não ... Quando o Almeida me disse que era para quebrar o galho da mulher dele, não resisti ... Fui lá para ver como é que era a coisa ...
- Logo ví ... Argenor, sem ganhar algo em troca, não é do tipo que faz favor ...
- Tem dó ô Oliveira ... me sacaneando com rima ?
- E não é ? ... Bom, deixa isso para lá e me conta ... O que descobriu ?
- Bem ... combinei com ele de passar bem cedo, as 7h30, antes do trabalho. Quando cheguei o Almeida já estava todo engomadinho, de saida para o escritório. Fechamento de mês, sabe como é lá na contabilidade ...
- Claro que sei ... também trabalho no departamento financeiro, esqueceu ?
- Pois é ... lá no comercial a gente pode chegar um pouco mais tarde ... se não abusar, é claro ... mas também tem que ir naqueles coqueteis chatos, almoços com clientes ...
- Deixa de onda, Argenor ... você bem que gosta de uma festinha ... Mas fala da Ritinha, anda ...
- Então, o Almeida de terno e gravata e a Ritinha de pijaminha de verão ... toda despenteada, ainda cheirando a travesseiro ... um pecado !
- Pôrra Argenor ... já valeu a visita !
- E você ainda não ouviu nada ! O Almeida saiu dizendo para a Ritinha: "cuida bem do Argenor, que ele tá fazendo um baita favor".
- E depois você ainda reclama de mim ...
- O dia que você arranjar uma mulher como a Maria Rita eu paro de pegar no teu pé.
- Eu ? Nem morto ? Estou muito feliz com a Marcinha e nem deixo ela fazer regime que é para marmanjo não ficar babando ...
- E depois o Almeida é que é tonto ... você é um nécio Oliveira, um nécio !
- E a Ritinha de pijaminha ?
- Então ... o negócio do computador foi simples de resolver ... era um problema de conexão do cabo de rede ... percebi logo mas dei uma enrolada, porque a Ritinha estava de pé do meu lado, com a xoxotinha encostada no meu ombro, toda dengosa e curiosa. Dei uma valorizada no trabalho enquanto aproveitava aquele calorzinho ... Só ela para me fazer descobrir que meu ombro é uma zona erógena !
- Puta que pariu, Argenor !
- Vou encurtar a história ... quando acabei, a Maria Rita me abraçou toda feliz e saltitante ... estava sem sutiã debaixo do pijaminha de seda ... sabe lá o que é isso ? Aquele corpo gostoso se esfregando no meu, num pijama de seda e sem nada por baixo ? Não resisti e tasquei-lhe um beijo na boca !
- Puta que pariu, Argenor !
- Achei que ia tomar uma bofetada, mas para minha surpresa ela até correspondeu ...
- Puta que pariu, Argenor !
- Porra, quer parar de gritar puta que pariu ?
- Desculpa, mas o que é que você quer que eu diga ? Puta que pariu !!!!
- Ai, ela me disse que o Almeida havia lhe dado instruções para me agradar da melhor forma possível ... e já tinha avisado que eu era meio safado e que iria ficar muito contente se ela me desse uma colher de chá ...
- Puta que pariu, Argenor ! Mas isso está mais para concha de sopa ... Esse Almeida é louco !
- Foi o que eu pensei na hora ... mas deixei para avaliar isso depois ... o computador fica no quarto do casal ... parei de pensar, derrubei a Maria Rita na cama e disse para ela que o Almeida tinha razão ...
- Puta que ...
- Que mulher deliciosa, Oliveira ... o Almeida relamente é um cara de sorte. Nunca fui tão bem tratado na minha vida ... e olha que tenho um bocado de experiência !
- Porra, mas esse Almeida é um puta corno-manso !
- Que nada Oliveira ... ele é de uma generosidade de Esquimó ... E eu não admito que você fale mal do meu amigo Almeida, por favor !
- Generosidade um cacete ! Essa Maria Rita é uma vagabunda e o Almeida tá carregando umas galhadas enormes ...
- Oliveira ... você só está confirmando o nécio que já sabemos que é ... O Almeida e a Maria Rita são um casal moderno, tem um relacionamento baseado em coisas mais importantes do que o sexo e a posse ... O Almeida sabe que a Maria Rita gosta de se divertir e, numa situação como essa, me conhecendo, deu carta branca para a moça ... Tá vendo ... você queria saber o que é que a Maria Rita via no Almeida ? É isso ... o homem está acima de todos nós, Oliveira ... Nem eu nem você merecemos uma mulher como a Maria Rita ... a gente iria querer logo colocar uma coleira ... ou pior, entupir a moça de chocolate como você faz com a Marcinha.
- Vem com essa não, o Argenor ... Lá em casa eu mesmo conserto o computador ... Cada doido com sua mania e eu não gosto de enfeite na minha cabeça. Mas tenho que reconhecer que vocé acabou se dando bem nessa ... Pena que o computador não quebre toda hora ...
- Bem ... eu expliquei para a Maria Rita que vou precisar dar uma passadinha lá na sexta-feira de manhã para defragmentar o HD dela, porque senão ela corre o risco de perder tudo e o computador travar de novo ... E na semana que vem, prometi trocar a fonte, que já está abrindo o bico ...
- Puta que pariu, Argenor ...
- Acabei de voltar da casa do Almeida ...
- O Almeidinha ? .... Meio tonto, mas um bom sujeito ... O que é que você foi fazer lá tão cedo?
- Bem ... ele me pediu para dar uma olhada no computador ... estava com problemas para acessar a internet e ... você sabe ... o Almeida não entende picas de computador ...
- Isso lá é verdade .... se o Almeida pudesse, mandava cartas ao invés de e-mails ... Nem imaginava que ele usava um computador em casa !
- Ele não usa ... é a mulher dele quem usa ... a Maria Rita.
- Ah .... a Ritinha .... que mulherão, não ? Honestamente ? ... Nunca entendi o que um mulherão daqueles viu no Almeida ...
- Pois é ... eu também não ... Quando o Almeida me disse que era para quebrar o galho da mulher dele, não resisti ... Fui lá para ver como é que era a coisa ...
- Logo ví ... Argenor, sem ganhar algo em troca, não é do tipo que faz favor ...
- Tem dó ô Oliveira ... me sacaneando com rima ?
- E não é ? ... Bom, deixa isso para lá e me conta ... O que descobriu ?
- Bem ... combinei com ele de passar bem cedo, as 7h30, antes do trabalho. Quando cheguei o Almeida já estava todo engomadinho, de saida para o escritório. Fechamento de mês, sabe como é lá na contabilidade ...
- Claro que sei ... também trabalho no departamento financeiro, esqueceu ?
- Pois é ... lá no comercial a gente pode chegar um pouco mais tarde ... se não abusar, é claro ... mas também tem que ir naqueles coqueteis chatos, almoços com clientes ...
- Deixa de onda, Argenor ... você bem que gosta de uma festinha ... Mas fala da Ritinha, anda ...
- Então, o Almeida de terno e gravata e a Ritinha de pijaminha de verão ... toda despenteada, ainda cheirando a travesseiro ... um pecado !
- Pôrra Argenor ... já valeu a visita !
- E você ainda não ouviu nada ! O Almeida saiu dizendo para a Ritinha: "cuida bem do Argenor, que ele tá fazendo um baita favor".
- E depois você ainda reclama de mim ...
- O dia que você arranjar uma mulher como a Maria Rita eu paro de pegar no teu pé.
- Eu ? Nem morto ? Estou muito feliz com a Marcinha e nem deixo ela fazer regime que é para marmanjo não ficar babando ...
- E depois o Almeida é que é tonto ... você é um nécio Oliveira, um nécio !
- E a Ritinha de pijaminha ?
- Então ... o negócio do computador foi simples de resolver ... era um problema de conexão do cabo de rede ... percebi logo mas dei uma enrolada, porque a Ritinha estava de pé do meu lado, com a xoxotinha encostada no meu ombro, toda dengosa e curiosa. Dei uma valorizada no trabalho enquanto aproveitava aquele calorzinho ... Só ela para me fazer descobrir que meu ombro é uma zona erógena !
- Puta que pariu, Argenor !
- Vou encurtar a história ... quando acabei, a Maria Rita me abraçou toda feliz e saltitante ... estava sem sutiã debaixo do pijaminha de seda ... sabe lá o que é isso ? Aquele corpo gostoso se esfregando no meu, num pijama de seda e sem nada por baixo ? Não resisti e tasquei-lhe um beijo na boca !
- Puta que pariu, Argenor !
- Achei que ia tomar uma bofetada, mas para minha surpresa ela até correspondeu ...
- Puta que pariu, Argenor !
- Porra, quer parar de gritar puta que pariu ?
- Desculpa, mas o que é que você quer que eu diga ? Puta que pariu !!!!
- Ai, ela me disse que o Almeida havia lhe dado instruções para me agradar da melhor forma possível ... e já tinha avisado que eu era meio safado e que iria ficar muito contente se ela me desse uma colher de chá ...
- Puta que pariu, Argenor ! Mas isso está mais para concha de sopa ... Esse Almeida é louco !
- Foi o que eu pensei na hora ... mas deixei para avaliar isso depois ... o computador fica no quarto do casal ... parei de pensar, derrubei a Maria Rita na cama e disse para ela que o Almeida tinha razão ...
- Puta que ...
- Que mulher deliciosa, Oliveira ... o Almeida relamente é um cara de sorte. Nunca fui tão bem tratado na minha vida ... e olha que tenho um bocado de experiência !
- Porra, mas esse Almeida é um puta corno-manso !
- Que nada Oliveira ... ele é de uma generosidade de Esquimó ... E eu não admito que você fale mal do meu amigo Almeida, por favor !
- Generosidade um cacete ! Essa Maria Rita é uma vagabunda e o Almeida tá carregando umas galhadas enormes ...
- Oliveira ... você só está confirmando o nécio que já sabemos que é ... O Almeida e a Maria Rita são um casal moderno, tem um relacionamento baseado em coisas mais importantes do que o sexo e a posse ... O Almeida sabe que a Maria Rita gosta de se divertir e, numa situação como essa, me conhecendo, deu carta branca para a moça ... Tá vendo ... você queria saber o que é que a Maria Rita via no Almeida ? É isso ... o homem está acima de todos nós, Oliveira ... Nem eu nem você merecemos uma mulher como a Maria Rita ... a gente iria querer logo colocar uma coleira ... ou pior, entupir a moça de chocolate como você faz com a Marcinha.
- Vem com essa não, o Argenor ... Lá em casa eu mesmo conserto o computador ... Cada doido com sua mania e eu não gosto de enfeite na minha cabeça. Mas tenho que reconhecer que vocé acabou se dando bem nessa ... Pena que o computador não quebre toda hora ...
- Bem ... eu expliquei para a Maria Rita que vou precisar dar uma passadinha lá na sexta-feira de manhã para defragmentar o HD dela, porque senão ela corre o risco de perder tudo e o computador travar de novo ... E na semana que vem, prometi trocar a fonte, que já está abrindo o bico ...
- Puta que pariu, Argenor ...
sábado, dezembro 25, 2010
A casa
O corretor perguntou:
- E então ? O senhor gostou da casa ?
- Gostei muito, mas não tem chaminé ... - respondeu o comprador.
- Chaminé ? O sernhor quer uma casa com lareira ?
- Quero uma casa com chaminé ... e bem larga, se possível. Se o senhor encontrar uma com chaminé e sem lareira, pode ser ...
- Moramos num país tropical ... não acredito que será possível encontrar uma casa com lareira aqui numa cidade de praia do nordeste ...
- Como disse, não preciso de lareira ... só da chaminé. É para o Papai Noel, sabe ?
- O senhor só pode estar brincando !!!
- Agora não ... mas vou estar em breve, quando o Papai Noel me trouxer o que pedi no Natal.
- Mas meu senhor ... Papai Noel não existte ...
- Prove !
- Como assim ... provar ?
- Me dé uma evidência científica reconhecida de que Papai Noel não existe !
- Ora .. não dá para provar definitivamente que alguma coisa não existe ...
- Então quero uma chaminé ... ou então o senhor vai ter que me conseguir 20% de desconto na casa ... pois vou ter que construir uma chaminé antes do Natal. Não posso correr o risco de perder a visita do Papai Noel.
- 20% é muito ... mesmo que eu abra mão de parte da minha comissão, vai ser difícil ...
- Difícil é o Papai Noel entrar numa casa sem chaminé ...
- Ok, vou ver o que posso fazer e procuro o senhor amanhã ...
- Com chaminé ou 20% de desconto !
- Já entendi ... pode ficar sossegado ...
O corretor foi embora pensando em como é que conseguiria convencer o proprietário a dar um desconto por falta de uma chaminé para o Papai Noel.
O comprador observa o corretor se afastando com um sorriso maroto e telefona para sua mulher ...
- Olá querida ... vocé tinha razão ... a casa é perfeita .... conversei com o corretor ... ele vai tentar conseguir um desconto para podermos construir a piscina ... sério ... ele saiu daqui determinado a conseguir ... verdade .... e você disse que só acreditando em Papai Noel ... mulher de pouca fé !!! (rs)
- E então ? O senhor gostou da casa ?
- Gostei muito, mas não tem chaminé ... - respondeu o comprador.
- Chaminé ? O sernhor quer uma casa com lareira ?
- Quero uma casa com chaminé ... e bem larga, se possível. Se o senhor encontrar uma com chaminé e sem lareira, pode ser ...
- Moramos num país tropical ... não acredito que será possível encontrar uma casa com lareira aqui numa cidade de praia do nordeste ...
- Como disse, não preciso de lareira ... só da chaminé. É para o Papai Noel, sabe ?
- O senhor só pode estar brincando !!!
- Agora não ... mas vou estar em breve, quando o Papai Noel me trouxer o que pedi no Natal.
- Mas meu senhor ... Papai Noel não existte ...
- Prove !
- Como assim ... provar ?
- Me dé uma evidência científica reconhecida de que Papai Noel não existe !
- Ora .. não dá para provar definitivamente que alguma coisa não existe ...
- Então quero uma chaminé ... ou então o senhor vai ter que me conseguir 20% de desconto na casa ... pois vou ter que construir uma chaminé antes do Natal. Não posso correr o risco de perder a visita do Papai Noel.
- 20% é muito ... mesmo que eu abra mão de parte da minha comissão, vai ser difícil ...
- Difícil é o Papai Noel entrar numa casa sem chaminé ...
- Ok, vou ver o que posso fazer e procuro o senhor amanhã ...
- Com chaminé ou 20% de desconto !
- Já entendi ... pode ficar sossegado ...
O corretor foi embora pensando em como é que conseguiria convencer o proprietário a dar um desconto por falta de uma chaminé para o Papai Noel.
O comprador observa o corretor se afastando com um sorriso maroto e telefona para sua mulher ...
- Olá querida ... vocé tinha razão ... a casa é perfeita .... conversei com o corretor ... ele vai tentar conseguir um desconto para podermos construir a piscina ... sério ... ele saiu daqui determinado a conseguir ... verdade .... e você disse que só acreditando em Papai Noel ... mulher de pouca fé !!! (rs)
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Blogando para as paredes da fibra óptica
Nessa época do ano os leitores do Arguta tem mais o que fazer do que perder tempo lendo as bobagens que eu posto.
Bom sinal.
Mas confesso que sinto falta dos amigos virtuais.
Não deixo de escrever porque, no fundo, escrevo antes para mim mesmo. É um hobby, um prazer e uma realização.
E acabou se transformando numa forma de estabelecer relacionamentos especiais, interessantes e divertidos.
Blogueiros são um povo bacana e compõem uma rede social distinta das demais, caracterizada pela generosidade no compartilhamento de idéias.
A Ti costuma dizer que a gente conhece melhor um blogueiro pelos comentários do que pelas postagens, porque são mais expontâneos e "descuidados". Ela não deixa de estar certa (como sempre, aliás).
Eu adoro os comentários, mas prefiro as entrelinhas das postagens, onde a ficção e a realidade se encontram.
Navegar pelos blogs é uma experiência e tanto. Nos últimos anos, substitui o velho hábito da leitura de livros. Leio menos livros e mais pessoas. Troca justa, depois de tantos anos de leitura intermediada (pelas editoras). Nada contra livros e editoras, é claro. Na semana passada comprei 12 livros para o meu Kindle for Mac. Mas realmente adoro acompanhar blogs. Alguns deles cotidianamente.
Para os amigos blogueiros que, como eu, seguem por aqui, deixo um beijo bem grande.
Que bom encontrar vocês ...
Bom sinal.
Mas confesso que sinto falta dos amigos virtuais.
Não deixo de escrever porque, no fundo, escrevo antes para mim mesmo. É um hobby, um prazer e uma realização.
E acabou se transformando numa forma de estabelecer relacionamentos especiais, interessantes e divertidos.
Blogueiros são um povo bacana e compõem uma rede social distinta das demais, caracterizada pela generosidade no compartilhamento de idéias.
A Ti costuma dizer que a gente conhece melhor um blogueiro pelos comentários do que pelas postagens, porque são mais expontâneos e "descuidados". Ela não deixa de estar certa (como sempre, aliás).
Eu adoro os comentários, mas prefiro as entrelinhas das postagens, onde a ficção e a realidade se encontram.
Navegar pelos blogs é uma experiência e tanto. Nos últimos anos, substitui o velho hábito da leitura de livros. Leio menos livros e mais pessoas. Troca justa, depois de tantos anos de leitura intermediada (pelas editoras). Nada contra livros e editoras, é claro. Na semana passada comprei 12 livros para o meu Kindle for Mac. Mas realmente adoro acompanhar blogs. Alguns deles cotidianamente.
Para os amigos blogueiros que, como eu, seguem por aqui, deixo um beijo bem grande.
Que bom encontrar vocês ...
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Presente: pseudo-ode anacreôntica
É mais importante "estar" do que "dar" presente
Embora exista quem pense de maneira diferente
E quando alí estamos, frente a frente
Se interesse mais pelo pacote do que pela gente
Até disfarçam, mas o olhar não mente
É a qualidade do mimo que lhe deixa contente
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Outros caminhos
Recomendo a leitura da matéria da revista Trip, realizada no Centro Metamorfose, sobre massagem tântrica.
Quer ter um ano novo diferente, faça coisas diferentes ....
Quer ter um ano novo diferente, faça coisas diferentes ....
terça-feira, dezembro 21, 2010
Números
"Os números certamente são capazes de contar uma história, mas você também pode contar sua história com os números ..."
(para compensar a postagem longa anterior)
(para compensar a postagem longa anterior)
domingo, dezembro 19, 2010
O homem do cajado grande
Um homem grande, portando um enorme cajado, chegou a um pequeno vilarejo, sendo recebido pessoalmente pelo prefeito da cidade.
- Seja bem vindo, forasteiro. Já ouvimos falar muito de você e de suas realizações pelo mundo a fora. É uma honra recebê-lo entre nós.
- Muito obrigado, senhor prefeito. Será um prazer desfrutar de sua hospitalidade. E já pensei numa maneira de retribuir. De passagem pelas ruas da cidade, já deu para perceber que há muito disperdício por aqui e a administração poderia estar melhor organizada. Creio que posso ajudá-lo a cortar alguns custos e revisar a estrutura de comando da cidade, de modo a torná-la mais eficiente.
- Que bom ... será muito bom aprender com um mestre. O pessoal aqui leva muito a sério seu trabalho, o ambiente da cidade é ótimo, os resultados são bastante positivos. Somos a melhor cidade da região, mas certamente ainda temos muito que melhorar. Como o sernhor já foi prefeito de uma cidade grande, certamente nos dará excelentes sugestões.
Passado algum tempo, o homem grande chamou o prefeito para uma conversa...
- Senhor prefeito, com todo respeito, isso aqui está uma bagunça. Falta comando, todo mundo faz o que bem entende. O desperdício é notório em diversas atividades. e parece que ninguém se incomoda com isso.
O prefeito respondeu com um sorriso indulgente ...
- Imagino que tudo aqui seja muito diferente da cidade grande de onde o sernhor veio. Mas cidades pequenas são assim mesmo. Dependem do comprometimento de toda a população para crescer e isso só se consegue se cada um tiver seu quinhão de responsabilidade e, obviamente, autoridade para cuidar do que lhe cabe.
- O discurso até que é bonitinho, senhor prefeito, mas de autoridade eu entendo. Manda quem tem o maior cajado e o resto tem que obedecer, senão vira bagunça. Como, aliás, já virou ...
- Quem tem um cajado grande pode, de fato, ceder à tentação de tentar obrigar a população a atender aos seus interesses pessoais. Mas um prefeito não está na posição de fazer valer seus interesses e prevalecer suas opiniões. Sua tarefa é maior e mais complexa. Ele precisa entender e atender as necessidades da população, de forma individual e coletiva; precisa motivar as pessoas a colaborar com a coletividade local, estadual e federal, seguindo as leis, pagando impostos e cumprindo com suas responsabilidades, enquanto oferece condições para que realizem seus próprios desejos. Algumas vezes, precisa obter concessões do Estado para que as pessoas da cidade possam desempenhar melhor seu trabalho. Se quiser realizar tudo isso com a ameaça do seu cajado, sugiro que arranje um maior. O seu é grande, vai impressionar muitas pessoas, mas não todas. E, certamente, não vai motivar ninguém.
- Balela ... falta de motivação se resolve com uma boa cajadada! Não dá para conviver com esse grau de ineficiência ...
- Pessoas não são essencialmente eficientes em suas atividades. Aliás, nem as mâquinas tem eficiência absoluta, como o senhor bem deve saber. Um motor de carro, por exemplo, desperdiça dois terços da energia gerada pela queima do combustível.
- Já percebi porque é que o senhor foi eleito prefeito ... é muito bom com as palavras. Mas isso não muda o fato de que é possível melhorar muito a eficiência de praticamente todos os departamentos da prefeitura. Estou aqui há um par de meses e já pude perceber isso com clareza. Tem dinheiro aqui escorrendo pelo ralo.
- Meu caro senhor ... melhorar a eficiência de um processo não significa, necessariamente, melhorar a eficiência do todo. Claro que, quase sempre, ajuda muito. E é por isso que estimulamos cada um dos responsáveis a se preocupar com isso, buscando melhorar sempre. Mas, excetuando-se pelos casos em que a eficácia está comprometida, a busca do aumento da eficiência das partes está condicionada a uma visão mais abrangente. Todos precisam ter como prioridade o plano diretor da cidade, para garantir que nossos objetivos coletivos e individuais sejam atendidos. Venha ver uma coisa, por favor ...
O prefeito levou o forasteira até seu gabinete. Lá chegando, abriu um um armário que ocupava toda a parede, atrás de sua mesa, onde havia um enorme cajado branco.
O forasteiro supreendeu-se:
- Mas o senhor tem um cajado maior do que o meu !!!
- Na verdade, não é meu. Está à disposição de qualquer pessoa que ocupe a cadeira de prefeito. Mas estou aqui há alguns anos e nunca precisei usá-lo. Na verdade, é a primeira vez que abro esse armário para mostrar o cajado para alguém.
- E porque não usa ? Se andasse por aí com seu cajado, as coisas seriam melhores ...
- Entre outras coisas, meu caro, um homem que se apoia num cajado se torna dependente dele e não será capaz de realizar mais nada se um dia o cajado lhe faltar. Prefiro não me acostumar com ele. Mas até usaria, se acreditasse que poderia realizar melhor o meu trabalho. Eu preferi dar um cajado para cada uma das pessoas da cidade, e ensinar como deveriam agir para não precisar usá-lo. O resultado, como o senhor sabe, é que apesar das ineficiencias que o senhor aponta, nossa cidade vai muito bem.
O homem grande não ficou convencido, mas dado o tamanho do cajado do prefeito, preferiu não discutir mais. Despediu-se, aborrecido, e deixou a cidade pensando em quantas coisas boas poderia ter feito com seu cajado se não tivesse encontrado um cajado maior pelo caminho.
Conclusões dessa curta história:
1. Um homem grande nem sempre é um grande homem
2. Quem quer realizar alguma coisa pela força do cajado, vai acabar tendo que fazer isso sozinho
3. Por maior que seja o seu cajado, sempre se pode encontrar alguém com um cajado maior
4. Só quem tem medo do cajado acha que os outros também terão
- Seja bem vindo, forasteiro. Já ouvimos falar muito de você e de suas realizações pelo mundo a fora. É uma honra recebê-lo entre nós.
- Muito obrigado, senhor prefeito. Será um prazer desfrutar de sua hospitalidade. E já pensei numa maneira de retribuir. De passagem pelas ruas da cidade, já deu para perceber que há muito disperdício por aqui e a administração poderia estar melhor organizada. Creio que posso ajudá-lo a cortar alguns custos e revisar a estrutura de comando da cidade, de modo a torná-la mais eficiente.
- Que bom ... será muito bom aprender com um mestre. O pessoal aqui leva muito a sério seu trabalho, o ambiente da cidade é ótimo, os resultados são bastante positivos. Somos a melhor cidade da região, mas certamente ainda temos muito que melhorar. Como o sernhor já foi prefeito de uma cidade grande, certamente nos dará excelentes sugestões.Passado algum tempo, o homem grande chamou o prefeito para uma conversa...
- Senhor prefeito, com todo respeito, isso aqui está uma bagunça. Falta comando, todo mundo faz o que bem entende. O desperdício é notório em diversas atividades. e parece que ninguém se incomoda com isso.
O prefeito respondeu com um sorriso indulgente ...
- Imagino que tudo aqui seja muito diferente da cidade grande de onde o sernhor veio. Mas cidades pequenas são assim mesmo. Dependem do comprometimento de toda a população para crescer e isso só se consegue se cada um tiver seu quinhão de responsabilidade e, obviamente, autoridade para cuidar do que lhe cabe.
- O discurso até que é bonitinho, senhor prefeito, mas de autoridade eu entendo. Manda quem tem o maior cajado e o resto tem que obedecer, senão vira bagunça. Como, aliás, já virou ...
- Quem tem um cajado grande pode, de fato, ceder à tentação de tentar obrigar a população a atender aos seus interesses pessoais. Mas um prefeito não está na posição de fazer valer seus interesses e prevalecer suas opiniões. Sua tarefa é maior e mais complexa. Ele precisa entender e atender as necessidades da população, de forma individual e coletiva; precisa motivar as pessoas a colaborar com a coletividade local, estadual e federal, seguindo as leis, pagando impostos e cumprindo com suas responsabilidades, enquanto oferece condições para que realizem seus próprios desejos. Algumas vezes, precisa obter concessões do Estado para que as pessoas da cidade possam desempenhar melhor seu trabalho. Se quiser realizar tudo isso com a ameaça do seu cajado, sugiro que arranje um maior. O seu é grande, vai impressionar muitas pessoas, mas não todas. E, certamente, não vai motivar ninguém.
- Balela ... falta de motivação se resolve com uma boa cajadada! Não dá para conviver com esse grau de ineficiência ...
- Pessoas não são essencialmente eficientes em suas atividades. Aliás, nem as mâquinas tem eficiência absoluta, como o senhor bem deve saber. Um motor de carro, por exemplo, desperdiça dois terços da energia gerada pela queima do combustível.
- Já percebi porque é que o senhor foi eleito prefeito ... é muito bom com as palavras. Mas isso não muda o fato de que é possível melhorar muito a eficiência de praticamente todos os departamentos da prefeitura. Estou aqui há um par de meses e já pude perceber isso com clareza. Tem dinheiro aqui escorrendo pelo ralo.
- Meu caro senhor ... melhorar a eficiência de um processo não significa, necessariamente, melhorar a eficiência do todo. Claro que, quase sempre, ajuda muito. E é por isso que estimulamos cada um dos responsáveis a se preocupar com isso, buscando melhorar sempre. Mas, excetuando-se pelos casos em que a eficácia está comprometida, a busca do aumento da eficiência das partes está condicionada a uma visão mais abrangente. Todos precisam ter como prioridade o plano diretor da cidade, para garantir que nossos objetivos coletivos e individuais sejam atendidos. Venha ver uma coisa, por favor ...
O prefeito levou o forasteira até seu gabinete. Lá chegando, abriu um um armário que ocupava toda a parede, atrás de sua mesa, onde havia um enorme cajado branco.
O forasteiro supreendeu-se:
- Mas o senhor tem um cajado maior do que o meu !!!
- Na verdade, não é meu. Está à disposição de qualquer pessoa que ocupe a cadeira de prefeito. Mas estou aqui há alguns anos e nunca precisei usá-lo. Na verdade, é a primeira vez que abro esse armário para mostrar o cajado para alguém.
- E porque não usa ? Se andasse por aí com seu cajado, as coisas seriam melhores ...
- Entre outras coisas, meu caro, um homem que se apoia num cajado se torna dependente dele e não será capaz de realizar mais nada se um dia o cajado lhe faltar. Prefiro não me acostumar com ele. Mas até usaria, se acreditasse que poderia realizar melhor o meu trabalho. Eu preferi dar um cajado para cada uma das pessoas da cidade, e ensinar como deveriam agir para não precisar usá-lo. O resultado, como o senhor sabe, é que apesar das ineficiencias que o senhor aponta, nossa cidade vai muito bem.
O homem grande não ficou convencido, mas dado o tamanho do cajado do prefeito, preferiu não discutir mais. Despediu-se, aborrecido, e deixou a cidade pensando em quantas coisas boas poderia ter feito com seu cajado se não tivesse encontrado um cajado maior pelo caminho.
Conclusões dessa curta história:
1. Um homem grande nem sempre é um grande homem
2. Quem quer realizar alguma coisa pela força do cajado, vai acabar tendo que fazer isso sozinho
3. Por maior que seja o seu cajado, sempre se pode encontrar alguém com um cajado maior
4. Só quem tem medo do cajado acha que os outros também terão
sábado, dezembro 18, 2010
Chique ... (momento de observação)
Fui ao Iguatemi assistir o Tron (que não recomendo).
Havia acabado de instalar um chuveiro na casa do meu filho e estava vestido de acordo (com a tarefa): jeans e camiseta velha do mickey.
Passeando pelo shopping percebi que não sou chique. Talvez porque optei por ser feliz.
Digo isso porque, de um modo geral, observei (não pela primeira vez) que a chiquiteza caminha na razão inversa da felicidade, a julgar pelas expressões dos rostos das pessoas.
Estava atrasado para o filme e deixei o assunto de lado.
Qualquer dia volto lá para continuar a pesquisa.
Havia acabado de instalar um chuveiro na casa do meu filho e estava vestido de acordo (com a tarefa): jeans e camiseta velha do mickey.
Passeando pelo shopping percebi que não sou chique. Talvez porque optei por ser feliz.
Digo isso porque, de um modo geral, observei (não pela primeira vez) que a chiquiteza caminha na razão inversa da felicidade, a julgar pelas expressões dos rostos das pessoas.
Estava atrasado para o filme e deixei o assunto de lado.
Qualquer dia volto lá para continuar a pesquisa.
Vida acelerada
Se você duvida que a vida está muito mais acelerada hoje em dia do que hâ 30 anos, assista um filme de ação antigo.
Ja fiz isso um par de vezes com meu filho e com a namorada (que é suficientemente mais nova) ... escolhi filmes dos quais havia guardado grandes recordações e ... supresa: irritantemente lentos, até para mim.
Trinity foi um deles. Continua divertido ... mas o filme tem looooongos períodos durante os quais nada acontece. Muito diferente dos atuais.
A única exceção até o momento foi "9 1/2 semanas de amor" (que já comentei por aqui). Esse continua muito atual e me ofereceu a oportunidade de ter um segundo ponto de vista, o do cara mais velho (Mickey Rourke) que desafia a garota assustada a viver o prazer do momento e confiar. Quando assisti da primeira vez, lá pelos 20 anos, achei o cara maluco. Agora entendo perfeitamente o que ele estava oferecendo para a garota e lamentei que ela não tivesse sido capaz de "segurar a onda".
Ja fiz isso um par de vezes com meu filho e com a namorada (que é suficientemente mais nova) ... escolhi filmes dos quais havia guardado grandes recordações e ... supresa: irritantemente lentos, até para mim.
Trinity foi um deles. Continua divertido ... mas o filme tem looooongos períodos durante os quais nada acontece. Muito diferente dos atuais.
A única exceção até o momento foi "9 1/2 semanas de amor" (que já comentei por aqui). Esse continua muito atual e me ofereceu a oportunidade de ter um segundo ponto de vista, o do cara mais velho (Mickey Rourke) que desafia a garota assustada a viver o prazer do momento e confiar. Quando assisti da primeira vez, lá pelos 20 anos, achei o cara maluco. Agora entendo perfeitamente o que ele estava oferecendo para a garota e lamentei que ela não tivesse sido capaz de "segurar a onda".
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