Num papo que começou com o Pedro Galdi no Franz Café da Lorena e terminou com o Rodrigo entre as fritas do Fifities, consolidei uma ideia interessante que gostaria de partilhar com os frequentadores do Café.
Para simplificar a exposição, vou utilizar alguns termos da psicologia freudiana de forma coloquial e com larga licença poética (que os psicólogos me perdoem por isso).
A idéia é a seguinte...
Todo mundo já ouviu falar de Id, Ego e Superego, certo ?
Grosso modo, o Id é o nosso inconsciente, onde nascem nossos desejos, que por sua natureza imperativa constituem uma espécie de autoridade interna, fora do nosso controle consciente.
O Superego, por sua vez, pode ser considerado uma autoridade internalizada a partir de elementos externos, culturais, religiosos, educacionais e sociais.
O Ego é nosso "eu consciente", que toma as decisões.
Quando contrariamos a autoridade do Superego, sentimos culpa por que estamos fazendo algo "errado". São ações do tipo que temos vergonha de comentar, justamente porque estamos perpretando uma "contravenção".
Já quando contrariamos a "autoridade" do Id, criamos uma dívida interna, justamente porque estamos deixando de atender desejos de foro íntimo.
Bastante frequentemente essas autoridades estão em conflito, o que significa que atender a uma resulta em contrariar a outra.
Crianças, com o Superego ainda em desenvolvimento, costumam ser mais impulsivas.
Na medida em que a autoridade do Superego ganha força, tendemos a nos submeter a ela e, no período jovem adulto (20-40 anos), acumulamos uma divida interna cada vez maior, por sufocamento de nossos desejos. E, vez por outra, como válvula de escape, contrariamos o Superego cometendo pequenos "crimes" para atender grandes desejos, e passamos a acumular também culpas.
Ao chegar na meia idade, a dívida interna e/ou o sentimento de culpa podem ser tão grandes que o Ego se vê pressionado a lidar com a questão de forma diferente. É um momento de crise.
Aí, podem acontecer 3 coisas:
- o cidadão "surta", manda o superego plantar batatas e vira um adolescente revoltado
- o cidadão decide reprimir de vez o Id e assume a postura representada pelo arquétipo do Patriarca (Jung), um provedor e senhor da moral e dos bons costumes.
- o cidadadão desenvolve uma verdadeira autoridade pessoal (vamos colocá-la no Ego) e aprende a conciliar o Id e o Superego, e assume a postura representada pelo arquétipo do Malandro (Jung de novo), decidindo de acordo com seus desejos e assumindo a responsabilidade por seus atos, sem acumular mais dívidas internas ou culpas (numa situação ideal).
Olhando em volta, essa idéia me parece fazer sentido.
Gostaria muito que vocês comentassem ...