Há muitos anos aprendi a fazer um exercício que considero interessante.
Sempre que me pego criticando alguma pessoa ou empresa (vale para o pessoal e o profissional) olho para mim (ou para a empresa onde trabalho) e procuro observar se não estou fazendo alguma coisa parecida.
Já não me surpreendo mais com meu telhado de vidro.
Hoje esse exercício levou-me a uma consideração interessante.
Observando o comportamento de um sujeito que considerei imaturo e com pouco controle emocional concluí que ele estava lidando mal com uma crise típica dos 40 anos, quando a gente se dá conta de o controle é uma fantasia. É quando concluímos que não temos controle sobre nada, e isso costuma ser muito frustrante.
Comecei a pensar nas minhas próprias crises históricas e fiz uma lista conceitual.
Na minha lista, a primeira crise acontece na tenra infância, quando começamos a nos dar conta de que o mundo não é uma extensão nossa. A mamadeira não vem parar na sua mão quando você quer ...
Tenho a impressão de que essa é um crise que todo mundo supera.
A segunda decorre da constatação de que não somos o centro do universo. O mundo não gira em torno de nós.
É o primeiro passo importante para o que chamamos de maturidade e, lamentavelmente, nem todos superam essa crise.
A terceira é, justamente, a que enfrentamos quando descobrimos que não somos capazes de exercer o controle que gostaríamos sobre as pessoas, as coisas e, no final daso contas, nem mesmo sobre nós mesmos.
Essa é ainda mais dificil de superar do que a anterior.
Quando cheguei nesse ponto da lista, considerei que o cidadão inspirador desta postagem não havia superado nenhuma das duas, e estava acumulando frustrações graves. Não estava surtando à toa, portanto.
E a quarta e última crise que conheço é a da constatação da finitude.
Não sei se alguém consegue superar essa última em sua totalidade.
Eu creio que superei as duas primeiras (apesar das acusações de narcisismo), ainda tenho algumas dificuldades importantes com a terceira (alguns anos de psicanálise ajudaram a elaborá-la) e, certamente, estou vivendo o auge da quarta.
Alguém se lembra de mais alguma crise genérica importante ?