
A produção de Etanol no Brasil não provoca o aumento do preço mundial do açucar.
Mais álcool para os carros, menos álcool para os motoristas: as estatísticas provam a eficiência da Lei Seca na cidade de São Paulo, que contabiliza alguns milhões de economia apenas no sistema público de saúde.
Enquanto isso, cai a fertilidade no pais do carnaval.
Tudo isso é notícia na imprensa dessa semana. Estatísticas que viram notícias.
Vamos começar pela mais óbvia. Como bem disse meu amigo Edu, se houvesse a mesma fiscalização sobre os motoristas antes da Lei Seca, o resultado teria sido semelhante e os bebedores comedidos poderíam seguir tomando seu choppinho em paz. Não foi a mudança da lei que produziu a redução de acidentes, foi a fiscalização.
O Brasil foi pioneiro na produção de etanol automotivo e tem muita gente querendo jogar areia na nossa fogueira. Entretanto, como biocombustíveis são politicamente corretos, o Banco Mundial saiu em nossa defesa, se apressando em afirmar que não estamos contribuindo para a alta generalizada nos preços dos alimentos (nesse caso, do açucar). É óbvio, entretanto, que se toda a cana-de-açucar utilizada para produção de etanol (50% do total do país) fosse alocada à produção de açucar, teríamos muito mais açucar e, pela lei da oferta e demanda, o preço do açucar baixaria.
Já a redução na taxa de natalidade certamente não é nenhuma novidade, nem aqui nem em nenhum outro lugar do mundo ocidental. Mas talvez por uma curiosa e inconsciente associação entre "bebês de menos" e "beber de menos", o assunto tenha ganhado novo interesse.
Estatísticas são assim. Padecem do excesso ou da falta de originalidade em suas interpretações.
(imagem: www.tvgasm.com)





