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sexta-feira, dezembro 12, 2008

Seikatsu Do

Para onde
Vai você ?
E o quê
a vontade esconde ?
Fácil dizer ...
Mas quem responde ?
Só te resta
viver
para
ver !

quarta-feira, dezembro 10, 2008

ZEN

Admiro que consegue manter seu equilíbrio emocional nesse mundo louco.
Tudo tão rápido, tão intenso, tão estúpido e sem sentido.
Bilhões de pessoas ocupando a maior parte do seu tempo em atividades cujo principal objetivo é sustentar a própria existência.
E, claro, vivendo um pouco quando sobra tempo.
Quando fcam velhas, recebem o direito de aproveitar seu tempo, mas geralmente não tem saúde para tanto.
Mas há quem consiga superar tudo isso, aproveitar os intervalos e viver muito bem, a maior parte do tempo.
Sem fingir, sem mentir para si, sem subterfúgios.
Apenas vivendo, sem maiores complicações.
Zen.

domingo, dezembro 07, 2008

Imaginando o futuro

Inspirado pelo comentário da Udi no último capítulo publicado do "Rastro do Butadieno" (abaixo), mencionando a "subdressing", decidi discorrer um pouco sobre o desafio de manejar um personagem do futuro.
Até agora, esse "pepino" estava nas mãos (especializadas) do Ernesto. Mas como seu personagem veio parar no quarto da "minha" Cristine, tive que me virar.
Imagine-se, você, voltando 400 anos no passado. Você irá usar expressões diferentes para designar coisas equivalentes do passado. Vai falar, com naturalidade, de coisas que não existem. E logo vai estar procurando palavras para conversar com aquela gente "primitiva", como se fossem crianças.
"Subdressing" foi um exemplo dessa situação. Imaginei que, no futuro (400 anos à frente), seguiremos utilizando algum tipo de roupa íntima, mas certamente palavras como "calcinha" e, principalmente, "cueca", serão substitídas por outras. Provavelmente, não será subdressing. Mas escolhi uma palavra que, embora diferente da atual (cueca), pudesse ser compreendida. Imaginei, também, que não fará mais sentido lavar roupas íntimas. Calcinhas e cuecas serão vistas como as fraldas de pano hoje em dia. Quem tiver dinheiro para isso, usará descartável (as "tech", que mencionei no texto).
As escolas serão certamente diferentes. O modelo de ensino atual está mais do que esgotado, e os jovens de hoje não tem a menor motivação para assistir aulas aborrecidas sobre temas desinteressantes. Tive que imaginar um novo modelo de escola, as "Servant", que são unidades dinâmicas de aprendizagem. Nas "Servant" os alunos não são distribuidos por idades e nem precisam "passar de ano". Não existem professores, mas sim, orientadores. Alunos escolhem assuntos de seu interesse, aprendem com a experiência e com referências do "Speicher" (sotão, em alemão), uma espécie de biblioteca virtual com tutor holográfico, e compartilham seu conhecimento com os colegas. E, o que é mais interessante, nunca saem realmente da escola (se é que podemos chamar assim).
Ou seja, embora esses e outros detalhes não estejam descritos no texto do "Butadieno", não é possível construir um personagem convincente sem imaginar seu contexto sócio-cultural.
Para vocês verem o trabalho que o Ernesto está tendo com o seu "núcleo" nessa minissérie....

sábado, dezembro 06, 2008

Dando o troco (pensamento da noite)

É dificil ouvir uma crítica.
A primeira reação é a defesa.
A segunda, é pensar em dar "o troco" ou, se for uma pessoa "do bem", esperar que a vida faça isso.
Olhar para si, entender o porquê, aproveitar a oportunidade ... coisa rara.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O Rastro do Butadieno (10)

.... e se você perdeu, não deixe de ler os capítulos anteriores !

Capítulo 1 - A visita
Capítulo 2 - Sonhos e Safiras
Capítulo 3 - Um nome de mulher
Capítulo 4 - Perturbações Próximas
Capitulo 5 - A ponta do véu
Capítulo 6 - Segredos e Surpresas
Capítulo 7 - Lantejoulas
Capítulo 8 - Libido e Lascívia
Capítulo 9 - Ponto de não retorno



Ménage et Mémoire

Gusmão, nu, tentava controlar a descarga de adrenalina. O parco verniz civilizatório não parecia ser capaz de conter a reação instintiva do macho diante do território invadido.
Cristine, momentaneamente esquecida de seu parceiro, contemplava o fantasma encarnado, embevecida.
O ciúme do irmão de Giordi decrescia rapidamente, acompanhando o pênis de Gusmão, e era substituído por um turbilhão de pensamentos incongruentes.
A euforia pela súbita consciência de que Cristine, a sua Cristine, estava ali, nua, ao alcance de suas mãos. O terror de constatar que alguma coisa de muito errada havia acontecido com a Vizio e a intuição de que suas chances de voltar ao seu tempo seriam remotas. A deslocada preocupação com autorização do pagamento da mensalidade do seu novo sintetizador de alimentos. O desejo de haver vestido sua subdressing de linho ao invés da tech descartável habitual. A sensação de alarme pela presença do primitivo e raivoso Gusmão.
A situação não poderia ser mais surrealista.
- Cristine ....... – Nobrú, o irmão gêmeo de Giordi, supirou, aproximando-se e tocando suavemente o seio esquerdo da mulher dos seus sonhos.
Cristine tomou a mão de Nobrú e apertou-a contra seu seio, sorrindo.
- Você é real ........
- Que merda é essa ? – vociferou Gusmão. Se ia rolar um ménage, alguém podia ter me avisado antes, porra ! Quem é esse cara ?
Nobrú recuou um passo, distanciando-se de Gusmão, que havia se aproximado dos dois.
- Gusmão ... esse é ..... – começou Cristine.
- Nobrú, é meu nome. Nobrú Tesla. E vai ser muito difícil explicar o que estou fazendo aqui, Gusmão.
- Tesla ??? Você é parente do Bruno ? Nobrú ... Bruno ... Puta brincadeira de mal gosto !
Gusmão voltou-se para Cristine.
- Grande atriz ! Bela piada você, o Bruno e a Denise armaram.... Cadê os dois ? – olhou em volta procurando seu assistente e a fogosa namorada.
Cristine não havia prestado a menor atenção às palavras de Gusmão. Nobrú era tudo que interessava.
- Bruno Tesla ? Em que ano estamos ? Por volta de 2000, não ? – Nobrú parecia verdadeiramente supreendido.
- Deixa de palhaçada.
- Você não entende .... um antepassado meu, com esse nome, viveu nessa época. Meu nome é uma recomposição do dele. Foi a solução que encontraram para a falta de nomes em função da superpopulação do planeta. Toda família tem o direito de reaproveitar os nomes de seus antepassados.
Gusmão deu uma última olhada para Cristine e Nobrú, sacudiu a cabeça e começou a recolher suas roupas do chão, resmungando.
- É nisso que dá abaixar a guarda .... Mulher é foda ... não dá para confiar nunca. Amiga do Bruno, então .... imbecil ....
- Quem é você ? – Cristine perguntou, ainda hipinotizada.
Nobrú deixou Gusmão de lado por um momento e sentou-se na cama, ao lado de Cristine.
- Eu vim do futuro, Cristine. Futuro, para sua referência temporal. Na verdade, você está no passado, segundo a minha referência. Isso não deveria ser possível.
- Como assim ? – a magia dava lugar à curiosidade científica.
- Há aproximadamente 30 anos, no meu tempo, ou uns 400 anos a frente do seu do seu, um grupo de jovens estudantes do Servant encontrou as anotações de cientistas do século XXI sobre transporte de matéria, baseada em conceitos arcaicos de física e química quântica. As anotações descreviam uma máquina que havia sido batizada de Glúon Projecta, que seria capaz de projetar a matéria á distância através de uma onda portadora equivalente em espectro a um gás muito utilizado na época, chamado Butadieno.
Gusmão, com a camisa desabotoada e a calça semi-enfiada em uma das pernas olhava para o intruso boquiaberto. Glúon Projecta era o nome que havia imaginado dar para sua máquina, se um dia fosse capaz de construí-la.
Nobrú prosseguiu.
- Os estudantes decidiram, por pura diversão, retomar o projeto substituindo os conceitos quânticos antigos por colorários da anarcospínica. O resultado foi supreendente. Construíram uma projetor dimensional, uma máquina capaz de projetar a matéria para qualquer lugar no espaço e no tempo, não em sua totalidade, mas o que poderíamos chamar de sua essência, sua forma.
A mão de Nobrú havia descido para a coxa de Cristine, que ele alisava suavemente enquanto falava.
- Alguns anos depois, um dos jovens decidiu testar a máquina pessoalmente, e descobriu que a máquina também projetava a consciência o que, diga-se de passagem, colocou por terra o conceito de alma imaterial e complicou bastante a vida das antigas religiões, mas isso é outra história.
Nobrú distraiu-se momentaneamente com os pelos de Cristine.
- Bem .. para encurtar, hoje em dia todo mundo tem uma Vizio em sua casa e pode projetar sua consciência no espaço e no tempo, assistindo ao vivo eventos distantes geográfica ou temporalmente. Quanto mais potente a máquina, maiores as possibilidades de deslocamento.
- E você... ? - balbuciou Cristine, prendendo a mão de Nobrú entre as pernas.
- Eu estava assistindo você ....quer dizer, deveria estar assistindo ... mas por alguma razão, materializei-me aqui.
- Puta-que-pariu !!!!! – Gusmão gritou, levando as mãos para o alto. Puta que pariu ....

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Para posteridade

E no dia em que morrer
Que alguém escreva na minha lápide
Ele viveu
Todas as aquelas coisas fantásticas
Que alguém imaginou no cinema
Fez da ficção
Realidade
E da realidade
Ficção
Amou
Chorou
Riu
E fez sorrir
Não odiou ninguém além de si mesmo
E esteve sempre
Muito bem acompanhado

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Ela

Está alí
Sem exigir, sem pedir
Num sempre sorrir
Derramando carinho
Pelos olhos
Pela boca
Pelas mãos
Despida sob o vestido
Nua em sua afeição
Ela
Sempre
No meu coração

sexta-feira, novembro 28, 2008

Origem das palavras

(Tabatinga - casa branca)


Comentário que virou post, aproveitando a pergunta da Érica.
Taba é um conjunto de Ocas (cabaninhas). O equivalente ao real state no mundo indígena.
A preocupação com o crescimento exagerado da aldeia era comum entre os povos primitivos.
Cabia ao Pajé limitar o número de Ocas a serem construídas, para o bem comum.
Quando a Taba chegava ao tamanho máximo permitido, na opinião do Pajé, ele afirmava:
- Já Tabão ! - informando que a Taba já estaria grande o suficiente.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Liberté, égalité, fraternité

Assisti hoje a uma palestra de Sergio Besserman sobre ecologia e economia. Parte de um programa interno do IBOPE no qual escutamos e discutimos com especialistas tendências socias, com o objetivo de melhor compreender o mundo e antecipar possíveis cenários.
Entre outras coisas, foi interessante escutar as opiniões do conceituado economista sobre a atual crise econômica e sua visão sobre a relação economia-ecologia nesse novo contexto mundial.
Três horas de palestra não cabem numa postagem.
Decidi, então, partilhar um insight interessante sobre o famoso "bordão" francês, atribuido ao período da revolução.
Liberdade e Igualdade, de fato, foram palavras de ordem da Revolução Francesa. Fraternidade, entretanto, segundo alguns historiadores, completou o bordão tripartite mais tarde, no século seguinte.
É interessante avaliar como esses três conceitos estão presentes no cenário sócio-econômico do mundo ocidental, e particularmente nesse momento de crise.
A Liberdade (auto-regulação dos mercados) foi a origem da crise.
A Igualdade pode ser observada de dois ângulos. Pelo lado globalizado da economia, a crise atinge a todos. Pelo lado social, a crise coloca a prova o ideal social-democrata da inclusão social. Ficou claro que o "bolo" que estávamos esperando crescer para distribuir para todos, murchou. Fermento demais, poderia apontar qualquer boa doceira. O que significa que os excluidos seguirão excluidos e os artificialmente incluídos no passado recente serão reconduzidos à sua situação original de excluídos.
Mas o aspecto mais bacana é o da Fraternidade, não no sentido emocional, religioso ou espiritual, mas no sentido prático.
De um momento para o outro, os governos perceberam que a saida para a crise era sua adminstração coletiva e a preocupação com o outro, em função da total interdependência.
Claro que sempre existirão aqueles que tentarão trilhar o caminho oposto, representado pelo protecionismo (vide recentes declarações do governo da Argentina, como exemplo).
Mas fato é que nunca o mundo viu tantos governos de mãos dadas.
É um grande teste para o modelo social-democrata e certamente resultará em alguns ajustes, principalmente no que se refere ao quesito Liberdade (especialmente na economia).
Creio que vamos soberviver.
Já a questão ambiental, merece uma postagem a parte.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Maioria Excluida - roteiro para um curta

João ... João Gabriel.
Desempregado, no momento. Mas estou esperando a resposta de umas entrevistas aí ...
(corte)
É que eu tive que largar a faculdade porque estava sem grana para pagar, e o pessoal não está contratando quem não está na faculdade.
(corte)
Bolsa para faculdade ? Tentei sim ... mas não deu.
Não sou pobre o suficiente, nem negro, e nem gênio....
Sou um cara comum, como a maioria das pessoas.
(corte)
Outro dia quase consegui um emprego, mas a empresa precisava cumprir a cota de portadores de deficiência física e contratou um sujeito que tinha um problema no braço.
(corte)
Eu não tenho problema nenhum. ... tirando a falta de emprego.
E não é que eu não me esforce... mas estou sem grana para condução e não dá para fazer mais do que uma entrevista por dia.
(corte)
Um dia vou ficar velho e não vou precisar pagar o ônibus. Mas não tenho pressa não ....
Essa história de não pegar fila no banco e no supermercado é legal.
Se bem que não tenho conta no banco e nem está dando para ir ao mercado ...
(corte)
Quando minha namorada pensou que estava grávida eu disse para ela ver o lado bom da coisa.
Grávida é minoria e tem privilégios.
E quando eu tive que engessar a perna ?
Tinha um amigo meu que sempre me levava para o shopping, para poder parar na vaga especial.
Eu me sentia incluído, sabe, importante.
(corte)
Para alguém se importar, a gente tem que ser diferente. Muito rico, muito pobre, muito bonito, muito feio ... bem .. muito feio acho que não. As pessoas não costumam tratar bem quem é muito feio.
Não entendo bem qual é a lógica.
(corte)
È como essa coisa das cotas para negros. Eu sei que teve essa história de escravidão. Foi maus mesmo.
Minha tataravó era negra, filha de escravos. Mas juntou com um português, a coisa foi clareando e aqui estou eu. Mestiço, como a maioria. Em sem nenhuma vantagem.
(corte)
Acho que o negócio é assim ... já que não dá para fazer as coisas direito para todo mundo, o pessoal vai fazendo um pouco por vez., pegando as minorias.
Melhor que nada, né ?
E, depois, se eu vou sobrando, um dia fico numa minoria.
(corte)
O negócio é ter fé em Deus e ir tocando ... como a maioria.