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terça-feira, novembro 15, 2005

Bomba e Brigitte Bardot

Passei o final de semana em Búzios.
Primeira vez, adorável companhia, lugar encantador.
Jantando no restaurante da deliciosa Pousada D´este, no alto do Humaitá, em Armação dos Búzios, bem na orla Bardot, sentindo-me quase na Grécia (ali em cima, Santorini, lá em baixo, Andros), lembrei-me de que preciso organizar o encontro do comitê responsável pelo programa do WWRS (Worldwide Readership Symposium) que será, desta vez, aqui no Brasil, no início de 2007.
E porque não em Búzios, pensei. Turistas estrangeiros são freqüentes por aqui e a cidade já sabe como recebê-los. O lugar é charmoso, sofisticado e selvagem.
Não tem bombas como na Europa ou nos EUA.
E tem Brigitte Bardot. Alias ... tinha.
A simpática estátua de bronze da famosa moça foi, pela quinta vez, depredada.
Tudo bem, é uma estátua.... dia 20/11 deve retornar ao seu posto sobre a pequena mala.
O Brazil (com z, já que é para inglês ver) não tem bomba. Mas tem esse tipo de incivilidade.
Vai que acontece de novo, bem quando meus convidados estão por ali. That´s terrible – they would say. E eu vou responder, algo envergonhado mas com certo orgulho: mas aqui não tem bomba.
Aí me lembrei da revista a que fui submetido no posto policial na estrada a caminho de Búzios.
Tive que descer do carro com o motorista, fomos completamente apalpados por um policial farejador que abriu minhas malas, a bolsa da minha mulher, o porta-malas do Táxi e fez a mais curiosa revista que já presenciei. Ta bom que não vi muitas e não sou especialista nisso. Mas o policial cheirou tudo (profissão ingrata esta): sapatos, meias, remédios, artigos de toucador (sim, tenho mais de 40 anos). Teria encontrado qualquer coisa que seu olfato (que supomos apurado e especialmente treinado) fosse capaz de identificar. Perguntei-lhe o que ele estava procurando que poderia ser tão claramente identificável pelo cheiro. Ele interrompeu o farejar por alguns segundos, mirou-me com um olhar distante, porém sério, e respondeu com alguma agressividade e uma objetividade dissilábica: drogas.
Creio que ficaria envergonhado se meus visitantes tivessem que passar por aquilo. Mas, obviamente, ainda é melhor do que bomba.
Mesmo a questão da prefeitura de Búzios haver fechado a maioria dos quiosques das praias, permitindo que os proprietários operem no mesmo lugar com improvisadas instalações (caixas de isopor, galões de água para lavar copos e talheres, etc), ainda considerando que os donos dos quiosques, impedidos de contratar formalmente seus empregados, preferem contratar estrangeiros (normalmente argentinos) para evitar o risco de serem posteriormente processados pelos funcionários que não poderiam registrar, posso argumentar que, pelo menos, não temos bomba.
Mas o problema vai ser mesmo o Rio. Sabe como é turista. Eles vão querer visitar o Pão-de-açucar e, o que é pior, o Cristo. Não vai dar para evitar que eles vejam as favelas cariocas. Com um pouco de sorte, num dia sem muitas balas perdidas. Com poucos adolescentes armados sub-metralhadoras ... e sem bomba.
Mas se a gente der sorte, pegamos a avenida Brasil num daqueles dias em que os moradores da periferia, revoltados com o descaso do governo, fecham o trânsito, incendeiam alguns ônibus e enfrentam a polícia.
Aí sim, meus convidados vão se sentir em Paris.

Um comentário:

Van Martins disse...

Estava em Porto Alegre e fiquei pasma com o vandalismo na obra que retrata a Brigitte...

Bj.