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sábado, setembro 30, 2006

Pacta sunt servanda (… rebus sic stantibus)


Sim, é latim.
Essas duas expressões muito comuns no universo jurídico (minha amiga, Dra. Cyntia, que o diga), representam a essência do direito civil, particularmente no que se refere às relações contratuais.
A primeira afirma que os pactos (contratos) precisam ser cumpridos. A segunda, reforça que devem permanecer como estão, lembrando que os contratos devem ser avaliados conforme a intenção dos contratantes no momento da formalização do acordo e, não, “ao pé da letra”.
Acabo de participar de um seminário para treinamento de líderes onde a palavra “confiança” foi mencionada inúmeras vezes como a principal característica desejada para um líder.
Um líder deve cumprir seus pactos. E, mais do que isso, deve estar pronto para rever os combinados, de boa fé.
Se você deseja liderar, conquiste a confiança, seja verdadeiro e honesto. O resto se arranja.
É verdade que praticamente todas as relações humanas são relações de usura, não no sentido financeiro ou pejorativo da palavra, mas significando que as partes envolvidas esperam obter alguma coisa em função da relação.
Não fique triste com isso. A vida é assim. Todos ao seu redor esperam obter algo de você... e você deles.
Laços de amizade se formam quando a troca se dá de forma natural, sem grande esforço para os envolvidos. É a tal da relação ganha-ganha, tão em voga hoje em dia.
No trabalho, não é diferente. Seus subordinados, pares, chefes, clientes, fornecedores e acionistas esperam algo de você. E você deles.
O segredo está em abrir o jogo, e se interessar legitimamente por descobrir qual é o desejo do outro.
E, aí, buscar a melhor forma de conciliar o desejo de todos, através de processos de negociação e, finalmente, chegar a um acordo (contrato).
Aí, é pacta sunt servanda e, quando necessário, rebus sic stantibus.

6 comentários:

Rodrigo Ferrari disse...

rebus sic standibus, a cláusula da imprevisão ou pacto do standby.

Quanto ao texto:
1. quando afirma que os pactos devem ser honrados e depois que o líder deve conquistar confiança, acho que fica claro que o mais importante não é que de fato se honrem este ou aquele pactos; o que interessa ao líder é que aparente estar cumprindo bem os pactos.
2. E aí entra a parte dois (o que é meu dever, como agente anti-matéria, revelar): não é particularmente importante que se firmem os pactos em concordância mútua, mas em sensação psíquica de concordancia mútua. A probabilidade de sucesso com idênticas proporções à ambos os lados é ínfima, se não nula. Algum dos lados se sairá melhor, e quem for seu responsável terá dado um bom passo para o caminho do líder.
Assim como a síntese dialética é sempre "maieutiquizada" por um dos lados, no final das contas - e o líder é aquele que na condução da síntese de um diálogo é capaz de fazer seu interlocutor crer que existe mais de sua própria fala nela.

O problema em dizer isso num curso de formação de lideranças é no mínimo mal-visto, embora possa ser estiloso - era assim com maquiavél (que escreveu um currículo pro lourenço de médici empregá-lo, mesmo que fosse para "rolar pedras"; não conseguiu nem que ele o lesse, segundo consta nos anais), e é assim hoje. Provavelmente também será amanha.

Bem, é o que dizem: para ser um bom profeta (apocalíptico ou não), preveja muito e uma hora voce acerta.

Rodrigo Ferrari disse...

*é que é no mínimo mal visto.

já está tarde, a dislexia começa a me atacar.

entra no meu blog depois, postei uns excertos de uma teoria interessante...

Flavio Ferrari disse...

Rô,
Não por acaso você já é um líder.
Para liderar, antes de mais nada, é preciso navegar o mais próximo possível da realidade, principalmente da sua. E, como diria Sócrates, a maiêutica é um parto ...
A pseudo-verdade nua e crua, principalmente quando politicamente incorreta, é realmente "estilosa" (gostei do termo).
E o bacana é que choca, no sentido mais galináceo da palavra. Incomoda, desloca as pessoas de sua zona de conforto, faz pensar e parir (o maiêutico parto intelectual).
E como disse a Rossana noutro dia, "embora doa a dor do parto, parto sem dor ...".

zuleica disse...

Lendo meus queridos filhos e netos, descubro-me, finalmente, ignorante. Sei que já estudei tudo isso e não me lembro de mais nada. Como dizem que a cultura é o que fica depois que esquecemos o que aprendemos, devo estar muito culta, para orgulho de vocês.- Zuleica- beijos.

Flavio Ferrari disse...

Confesso que para responder às postagens do Rodrigo, preciso quase sempre pesquisar antes o sentido dos termos que ele usa ...
Ser pai é muito educativo.

Glaura disse...

Que bom que não sou só eu que recorro ao ¨Aurelião¨ para entender alguns termos que o Rô usa!