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terça-feira, setembro 30, 2008

O amigo Ernesto


Conheço o Ernesto há quase 14 anos.
Creio que nos encontramos menos de 20 vezes nesse período. Uma média de pouco mais de uma vez por ano. Um cálculo tendencioso, já que a maioria dos encontros aconteceu nos últimos 3 anos, quando começamos os blogs e decidimos escrever "Pecado e Capital" juntos.
Gosto para caramba desse cara.
Agora à noite, estava pensando em algumas pessoas que passaram pela minha vida.
Particularmente naquelas para quem me dediquei, de alguma forma, e que estiveram por perto enquanto recebiam de mim o que precisavam ou desejavam. Mas que sumiram assim que sentiram que não me necessitavam mais, ou que já não recebiam o que queriam.
Lembrei-me de uma afirmação categórica do meu analista: "as relações humanas são relacões de usura". Construção um tanto estranha, já que "usura" não é um termo normalmente utilizado para se referir a relações de interesse não pecuniário.
O que ele queria dizer é que nos relacionamos por interesse, ou enquanto "vale a pena".
Talvez ele esteja certo, para a maioria dos casos.
Mais aí está o Ernesto, uma exceção. Aliás, um sujeito excepcional em muitos sentidos.
Nunca dei nada para o Ernesto, a não ser a afeição que vai se construindo com o passar dos anos.
O Ernesto não precisa de mim. Não fica chateado se eu não telefono, não respondo um e-mail ou recuso o convite para um chopp.
Mas percebo que fica feliz quando nos encontramos, que gosta dos projetos quase literários que fazemos em conjunto e que me tem como amigo.
Uma amizade simples, descomplicada, descompromissada, que tem tudo para durar para sempre.
Ele sabe que pode contar comigo se precisar. E eu sinto que também posso contar com ele.
O Ernesto não é o único. Felizmente, tenho outros amigos e amigas "desinteressados" (no bom sentido), dos quais me lembro com carinho, quase todos os dias. Poucos, é verdade, mas tenho.
Encontrar pessoas assim é um dos grandes prazeres da vida.
Há quem se divirta colecionando objetos raros.
Eu, prefiro descobrir pessoas como o Ernesto.

17 comentários:

Ernesto Dias Jr. disse...

O cacete. SEMPRE há um interesse oculto em qualquer relação. Por exemplo: se eu perder a sua amizade, quando vou encontrar aquele bando de moças bonitas que sempre vem junto quando estou com você?
Brincadeiras à parte:
Uma vantagem de ser filho único é que a gente aprende a selecionar irmãos e irmãs pela vida a fora. A dedo.

doppiafila disse...

The importance of having Ernest!

Érica Martinez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Érica Martinez disse...

......................
(emoção)
Olha, eu sempre adorei os posts-declarações, mas este, embargou-me a voz!

"O Ernesto não precisa de mim. Não fica chateado se eu não telefono, não respondo um e-mail ou recuso o convite para um chopp.

Uma amizade simples, descomplicada, descompromissada, que tem tudo para durar para sempre."


E, Flávio, não é só isso (ou tudo isso) que a gente quer de um amigo?
A gente já tem cobranças demais na vida! Trabalho, casa, família... Pra quê complicar mais??

Faço coro à sua alegria de ter o Ernesto entre o meu rol de amigos e ainda acrescento você, como um adorável achado; pela simpatia, generosidade e delicadeza que sempre demonstrou. Espero tê-los sempre por perto, ainda que perto, às vezes, seja relativo...

Tim tim à vocês e à toda a nossa turminha! :-

Anne M. Moor disse...

Flávio,
Que coisa mais bonita!!! São poucas as pessoas que podem e sabem escrever um texto como esse sobre um amigo. Aliás, reconhecer um amigo do peito como ele (a) é...
Abração
Anne

Amanda Arthur disse...

Se você certamente tem um amigo no Ernesto, eis a prova de que ele tem em você um amigão.
Uma pessoa de que eu gosto muito costuma dizer que a qualidade mais admirável em uma pessoa é a gratidão e que muito poucos sabem expressá-la. Você sabe, Flávio. E sem medo de ser feliz.
E, em tempo, o Ernesto é mesmo um grande cara. Inteligente e sensível.
Vivas às grandes amizades!
Beijo,
Amanda

Jorge Lemos disse...

Principe:

É o que deve plantado e cultivado.

Viva.

Jorge Lemos disse...

ser

Udi disse...

apesar do grande destaque dado aos demais amigos (e amigas) desinteressados, fiquei com ciúme!
...volto quando passar.

Flavio Ferrari disse...

Ernesto: melhor que o Walmir, que leva as suas ...
Paolo: yep
Erica: o Ernesto é nosso.
Anne e Amanda: many tks.
Jorge: segues sendo a referencia.
Udi: bem que a Ti avisou ...

Suzana disse...

Voce faz valer o que desperta em nos.
Nao da pra deixar, nao da pra esquecer.
Encontrar Ernestos e Flavios sao as compensaçoes da vida.
Graças a Deus!
bjs

Aos dois!

e.t.: Sorry ,to com problemas no teclado novamente.

Glaura disse...

Como é bom ver alguém fazer uma declaração de amor!... Me deixa com a sensação de começar um dia feliz!
Aproveito para dizer que você é muito especial para mim, meu irmão!

A.Tapadinhas disse...

Devia haver uma fórmula para medir quanto amizade há entre as pessoas. Algo como a fórmula da relatividade: é que também tem a ver com a distância e o tempo. Amigo verdadeiro é para sempre, não importa quantos oceanos se interponham entre eles...
É bom ser amigo, assim...
Abraço aos dois.
António

Udi disse...

Agora que ganhei um colo (na verdade, vários) lá no Prozac, volto aqui prá me juntar ao Flavio nessa linda e mais do que merecida homenagem ao Ernesto.
Afinal, que amigo criaria um blog só para que seus amigos preguiçosos, tímidos ou seilá, pudessem compartilhar do mesmo deleite experimentado por ele ao fazer uma postagem?!

Udi disse...

...sábia Ti!

Gustavo disse...

Bacana Flavio. Também tenho amigos assim , na verdade dois. Mas tão diferentes entre si que não dá para misturar. Então fica um para cada tipo de ocasião. Será interesse da minha parte isso?
Além do mais gosto de colecionar objetos.

Flavio Ferrari disse...

Bem vindo, Gustavo.
Como você pode ver (ou ler) a turma toda por aqui é muito bacana.