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segunda-feira, janeiro 26, 2009

Coerência pedagógica

Conversando hoje com o Rodrigo, andei pensando sobre um dogma da psicologia moderna relativo à educação dos filhos.
A necessidade dos pais estarem "alinhados" no seu discurso, posições o orientações para os filhos é apontada como um principio fundamental e já se transformou em senso comum para a classe alta educada.
Uma das coisas bacanas de ter filhos adultos é poder conversar sobre suas experiências como "filhos".
E destas conversas, concluo que o tal dogma é estúpido.
A exagerada "unidade" entre os pais provoca uma sensação de exclusão e distanciamento para os filhos.
Vivenciar a discordância entre os pais e, quando possível, participar da discussão, é uma experiência de realidade que aproxima a família, demonstra respeito pelas questões dos filhos (que merecem discussão) e oferece a oportunidade de observar os processos de negociação e de exercício de autoridade.
Vivendo e aprendendo.

21 comentários:

Anne M. Moor disse...

Como pais, sempre teremos "errado" em alguma coisa, afinal começamos a ser pais ainda muito jovens e sem a experiência que temos hoje...

Talvez por não ter tido uma relação de amizade e essa discussão que tu falas com meus pais, foi uma das coisas (da minha experiência de filha) que insisti em desenvolver com os meus filhos e acho que consegui. Ainda acho sim que temos que escutar os filhos mas ao mesmo tempo, enquanto eles são pequenos, saber impor limites COM JUSTIFICATIVAS.

Abração

Ernesto Dias Jr. disse...

Extraordinariamente oportuna a postagem, caro Flavio.
Digo isso porque aconteceu hoje, aqui em casa, e eu fiquei muito satisfeito com o resultado.
E você está certo: alinhar-se ao discurso do filho é mistificar a própria natureza de pai/mãe, além de ser imediatamente flagrado pelo rebento como um truque falso.
Como você bem disse, respeitar as questões dos filhos. Para isso, sou adepto de alinhar-se sim, intimamente, com o problema do filho. Tentar entendê-lo tal como ele o entende e, depois, aplicar nossa experiência junto com a dele para negociar e chegar a bom termo.
Uma lição que aprendi é que nossos filhos podem ser mais experientes do que nós às vezes. Pode parecer bobagem, mas o nível de respeito nas relações por aqui melhoraram muito depois que entendi e aceitei esse fato.

Ti disse...

No meu caso, não terei a oportunidade de alinhar muito o discurso entre pai e mãe...As vezes, sinto falta!!!

Por outro lado, acredito sim que a Luiza já saiba muito bem a diferença dos dois e, concordo com você, ela está mais preparada para entender as pessoas como são e, ao mesmo tempo, mais próxima de ambos...

Érica Martinez disse...

Curiosamente ouvi hoje cedo, ainda meio sonada, uma entrevista com não-sei-com-quem que falava sobre novos métodos de educação e a educação em casa... (deve ter um podcast no site da Eldorado)
Anyway, nunca tive isso em casa e a oportunidade se foi antes que eu pudesse perceber (ou que eles pudessem perceber) que uma aproximação seria melhor do que uma "imposição", enfim, fui aprender na rua, na marra e Ernesto (e até Flavio, sobre o assunto de ontem), isso serve para todas as relações: respeito não tem idade, hora, nem lugar...
Bjo, bjo.

Flavio Ferrari disse...

Anne: as vezes também vale a pena impor limites sem justificativas. A justificativa é a responsabilidade e a autoridade paterna/materna.

Flavio Ferrari disse...

Ernesto: se praticamos essa forma de respeito desde pequenos, fica bem mais fácil quando são maiores.
O importante é não confundir respeito com "laissez faire"

Flavio Ferrari disse...

Ti: estás fazendo um trabalho soberbo. Êta mãe porreta.

Flavio Ferrari disse...

Érica: completamente vestida ... de razão.

Luciane disse...

Oi Flávio! Retribuindo a visita e já encontro um post polêmico. Que bom!
Meu pai sempre adora dizer para pais de primeira viagem que eles não devem se preocupar porque vão errar de qualquer maneira, em muitas coisas, e que filho não vem com manual de instruções.
Eu acho que acabou, graças a Deus, aquela hipocrisia de pais que não discordam ou que dizem que nunca brigaram na frente dos filhos. Já não existe mais aquele mito idealizado da familia "feliz", o que acho extremamente saudável. Podem existir diferenças e divergências de um casal a respeito da criação de um filho. Talvez o unico cuidado, esse sim, é que os pais não fiquem jogando um para o outro, a responsabilidade das decisões e expressem isso diante do filho. E que, se existe discordia, ela seja dita ao filho mas que ela será resolvida e que a decisão conjunta (entre pai e mãe) sera transmitida ao filho. Limites são estruturantes e um filho precisa sentir que os pais tem coerencia e decisão, mesmo quando em conflito. Enfim, espero ter sido clara...
Voltarei mais vezes! :)

A.Tapadinhas disse...

Tenho duas filhas adultas, e só uma vez, não apresentei nenhuma razão para ser feito aquilo que eu queria. Numa viagem a Londres, trouxe um objecto que tapava os buracos da tomada de electricidade, que achei resolvia o problema da fascinação que a minha filha caçula, Elsa, tinha por eles. Não resolveu: dias depois, fui dar com ela já com o objeto na mão, a meter o dedo nos tentadores buraquinhos. Dei-lhe três ou quatro violentas palmadas na mão. Ela nunca mais se esqueceu (nem eu!) do acontecido, mas o único choque que apanhou foi as palmadas...
Abraço.
António

Jan disse...

Eu prefiro ter gatos.
Seres humanos são complexos demais para eu me responsabilizar por um.

^^

Pathy disse...

Oi Flávio!!
Interessante esse seu post, ele mostra um outro ponto de vista muito diferente do que estudamos na escola - pelo menos pra quem faz/fez magistério, como é o meu caso.
Eu não tenho filhos, mas, como eu já imaginava, vendo minha irmã com meus sobrinhos, a prática é muito diferente da teoria!!

Obrigada pela visita!!!
=))

Anne M. Moor disse...

Devo ter imposto inúmeros limites sem justificativas, mas aprendi ao longo da vida de mãe que sem a justificativa as vezes eu impunha limites por medo meu e não por uma razão que necessariamente traria benefícios a eles... Isso talvez pq igual a Ti não tinha com quem dividir a responsabilidade da criação dos 4...

Beijos pensantes...

Flavio Ferrari disse...

Oi Luciane. Bem vinda.
Ser pai não é fácil.
I've been there. Still am.
Volte sempre.

Flavio Ferrari disse...

Tapadinhas (ou seria Tapinhas, algumas vezes um pequeno gesto vale mais do que mil palavras.

Flavio Ferrari disse...

Jan: adoro gatos, justamente por sua independência. Mas filhos são muito bacanas também.
Alias, meus dois filhos são uns "gatos" (obviamente, puxaram a mãe).

Flavio Ferrari disse...

Oi Pathy, que bom que você veio retribuir a visita.
Com filhos a teoria é bem diferente da prática mesmo, até porque um é sempre diferente do outro (não são assim todas as pessoas ?). Mas Delamare e Piaget são boas leituras para os pais de primeira viagem.

Flavio Ferrari disse...

Anne: o medo nunca é um bom conselheiro...
Mas imagino o que voce passou.
E avaliando pelo filho que conheci, fez um excelente trabalho ... Parabéns.

Anne M. Moor disse...

Thanks my kind friend! Eu sou suspeita, mas acho que sim, tenho uma certeza de que os 4 estão preparados para enfrentar o mundo e o enfrentam muito bem :-) E que Deus os acompanhe...

Os teus filhos são uns gatos mesmo mas tira o teu não, são muito parecidos contigo tbm.

Bjão

Tecnenfermaginando disse...

olá.

um café forte sem açúcar, por favor.

acho que a permissividade excessiva é que nos levou ao ponto onde chegamos, em tentar fazer diferente da educação que recebemos que transformamos nossos filhos, em marginais.

o que vejo hj em dia são adolescentes pedindo aos pais que os freiem, que digam "nãos" aos seus anseios.

por mais q tenha me esforçado na educação de meus filhos, ainda me encontro em determinadas situações onde me sinto na obrigação de lembrá-los:
-parou aqui! sou sua mãe! não sou sua coleguinha não!

e só aí que a coisa flui, da melhor forma possivel.

excelentes colocações.

bela lembrança a esta quarta-feira que promete.

:)

Flavio Ferrari disse...

Anne: mto gentil, como sempre.
Teresa: ... sin perder la ternura.