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quinta-feira, maio 10, 2007

Tempos (nem tão) modernos

Um amigo meu está ensinando a mulher a usar o computador.
Como ela é realmente novata, começou pelos procedimentos mais básicos como abrir, gravar e deletar arquivos.
Para tornar a coisa mais lúdica, ele deletava os arquivos arrastando-os para a lixeira (recycle bin).
Após alguns exercícios, a mulher pediu:
- Depois você esvazia o lixo para mim ?

Salário do Presidente

O salário de nosso presidente aumentou para R$ 11,400.
Com outras remunerações adicionais (auxílio isso, verba daquilo) deve chegar, talvez, ao dobro.
Ainda assim, será menos da metade do salário médio de um presidente de uma grande empresa privada.
O presidente é o chefe do poder executivo. Chega lá pela política, mas as exigências do cargo são, também, executivas. É uma posição que deveria ser ocupada por um dos melhores executivos do país, já que o país é maior e mais complexo de administrar do que qualquer empresa.
Mas porque um alto executivo iria se candidatar a um posto menos bem remunerado e muito mais complicado ?
Isso é algo para se pensar.
Claro que num país onde o salário mínimo é inferior a R$ 400,00, um salário de R$ 10 mil parece muito.
Mas, hipocrisias a parte, enquanto remunerarmos presidentes e ministros em patamares muito abaixo da iniciativa privada, a coisa não vai funcionar como deveria.

quarta-feira, maio 09, 2007

Momentos

O hoje
Um sorriso de surpresa
Um beijo de gratidão
A espera de uma coisa boa
A coisa boa
O antes, o durante, o depois
O amanhã

terça-feira, maio 08, 2007

Justa causa


Caros leitores,

Em função da visita do Papa, nossos funcionários estão chegando mais tarde e saindo mais cedo. Os fornecedores atrasaram as entregas, as reuniões de pauta foram canceladas, a ração do papagaio reduzida e não pagamos a conta de luz.
Não garantimos a qualidade de nossas postagens nesse período.
Atenciosamente,

Sub-diretor

segunda-feira, maio 07, 2007

Os Ovos do Dragão



Parte 5 – O Anel

Barceló não estava em casa quando Isabela retornou do mercado no final da tarde.
No seu quarto, sobre a cama, ela encontrou um vestido branco de renda fina e um bilhete.
Colocou o vestido sobre o corpo e olhou-se no espelho.
O modelo era diferente de tudo o que ela já havia visto. Sem alças, acinturado como um corpete, curto e com pontas agudas.
- Um vestido de fadas – pensou, entre curiosa e encantada, admirando-se.
Ainda segurando o vestido com a mão esquerda, Isabela alcançou o bilhete:
“Querida Isabela. Por favor, use esse vestido à noite. Não chegarei para o jantar. Nos encontramos às 10 horas, na biblioteca. Barceló.”
Um pedido estranho, ela pensou. Barceló não costumava se importar com trajes. Ela mesma havia decidido usar um uniforme no trabalho, porque sentia que era mais elegante e profissional, e enfrentara seu sorriso irônico nos primeiros dias.
Não era seu aniversário ou nenhuma outra data festiva, aliás, outra coisa com a qual Barceló não se preocupava.
Deu de ombros. Já estava acostumada com as esquisitices do patrão-mentor.

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Barceló chegou 21h30, vestido de negro, o que ressaltava a pele morena e o cabelo de mechas prateadas.
A camisa de mangas longas, fechada nos punhos deixava escapar o cintilar do pequeno pedantif prateado preso ao pescoço por um fio de seda preta.
Evitando encontrar-se com Isabela, dirigiu-se imediatamente para a biblioteca, em completo silêncio.
- Preciso preparar o ambiente ... detalhes são fundamentais nesse momento ... – disse para si.

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Isabela consultou uma última vez o espelho antes de descer para a biblioteca.
A ansiedade e o brilho de curiosidade no olhar a faziam ainda mais bonita.
Sentia que, por alguma razão, aquele encontro seria importante.
Talvez por isso o impulso inesperado de se maquiar.
Uma maquiagem leve, sutil, mas rara, em se tratando de Isabela.
A sombra café cintilante, suavemente espalhada, dava misteriosa profundidade aos olhos cor de mel e equilibrava o vinho do batom. O rosto pálido, emoldurado pelos cabelos castanhos, era de uma elegância clássica.
Sorriu com aprovação, segura de si.
Fez meia volta, apagou a luz e deixou o quarto.

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- Entre, e feche a porta, Isabela.
O tom de voz de Barceló, grave e imperativo, despertou-a da imobilidade.
Isabel abrira a porta e surpreendera-se com a visão da biblioteca tão conhecida, transformada em algo que ela não sabia descrever.
As luzes estavam apagadas e o ambiente iluminado por dezenas de pequenas velas brancas estrategicamente distribuídas pelo aposento, em posições e alturas diferentes, cintilando como estrelas num céu de inverno.
No centro da sala, um tapete vermelho ricamente desenhado com fios dourados estendia-se até uma exótica mesa de madeira escura sobre a qual repousava um castiçal com 7 velas longas de parafina envelhecida, cuja base estava apoiada em uma grande caixa de marfim entalhado.
Ao lado deste altar, estava um Barceló que ela nunca havia visto, mas com o qual já havia sonhado. Lindo e misterioso, rejuvenescido pela força mística que sua presença irradiava envolto numa aura alimentada pelo brilho das velas.
Isabel obedeceu. Fechou a porta e deu dois passos na direção de Barceló, insegura.
A música celta que Isabela ainda não havia percebido fazia seu trabalho subliminar.
- Venha até mim, pequena Isabel ...
Isabela cobriu a distância que a separava de Barceló como deslizasse sobre o chão, e colocou suas mãos sobre as dele, que esperava de palmas abertas.
Parecia que as chamas de todas as pequenas velas brancas estavam refletidas simultaneamente nos olhos negros de Barceló.
A energia vital que transbordava pelo olhar, fluía por suas mãos e subia pelos braços de uma Isabela sensualmente entorpecida.
Não era tesão. Transcendia a sexualidade. Era o encontro da Mulher Isabela com o Homem Barceló, e ela sentiu que sua energia também fluía para ele.
A imagem de Barceló deitado sobre ela, olhos fixos no seus durante um orgasmo simultâneo passou fugazmente por sua mente.
Sentiu seu corpo tremer, o despertar de seus seios, o arrepio de cada pequeno espaço de sua pele e o calor úmido entumescendo o monte de vênus,
Os lábios se entreabriram, as pupilas dilataram e ela sentiu que seus pés não tocavam mais o chão.
Tudo fazia sentido e nada mais importava.
A voz de Barceló parecia vir de outro mundo.
Escutava suas palavras, compreendia seu significado, mas não as capturava.
Era uma conversa entre ânimas.
Isabela não saberia dizer quanto tempo durou.
A música estava mais intensa, as luzes das velas rodopiavam, o coração pulsava rápido e ela experimentava uma liberdade e felicidade que nunca havia sentido.
Em transe, viu Barceló sorrir, soltar suas mãos por um momento e retirar um anel da caixa de marfim.
Barceló segurou delicadamente sua mão esquerda e colocou o anel, dizendo as únicas palavras da quais se lembraria depois:
- Que a tua alma seja livre ... para sempre.
Ele se aproximou e beijou-a na boca, firme e intensamente.
Isabela deixou esse mundo.

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Barceló deixou o quarto de Isabela, que dormia o sonho encantado das fadas.
- Ela está pronta. Preciso avisar Maurice.

sábado, maio 05, 2007

Alguma coisa engraçada


Estimulado pela última postagem da Anne no Life Living, desafiei-me a escrever alguma coisa engraçada.
A questão que se coloca é se não seria politicamente incorreto escrever alguma coisa engraçada quando o mundo está à beira de um colapso ecológico.
Rir, como todos sabem, gasta energia e aumenta a emissão de gás carbônico.
Provocar o riso, portanto, é anti-ecológico, a não ser que você plante o montante de árvores necessário para neutralização da emissão de carbono.
Aí, seu humor fica “carbono-neutro”.
Ainda assim, não me pareceria oportuno rir quando tantas pessoas passam fome no Brasil. Seria necessário alimenta-las primeiro, para que todos possam rir de barriga cheia. O programa “barriga-cheia”, portanto, substituiria o “fome-zero”, que é uma piada.
Uma solução convergente seria plantar árvores frutíferas. Assim, neutralizamos o carbono e enchemos as barrigas podendo, então, provocar o riso.
Mas e a questão da violência urbana, pensei ?
Balas perdidas, assaltos, assassinatos ...
Coisas que só se solucionam com educação e segurança pública.
Plantamos as árvores frutíferas no pátio de uma nova escola de um condomínio fechado auto-sustentável, restrito às classes menos favorecidas e, ali mesmo, contamos uma piada.
Isso não resolveria a crise no sistema aeroportuário, mas esse é um mal menor e creio que seria politicamente correto alegrar os que estão esperando no saguão do aeroporto.
Mas ainda me sinto desconfortável com o problema da corrupção
Desculpem a franqueza, mas corrupção é uma merda.
Bem ... considerando que as árvores precisam ser adubadas ...

sexta-feira, maio 04, 2007

Outros sentidos ...


Passei 3 dias na semana passada em Taormina, na Sicília, ao lado do vulcão Etna.
Cidade charmosa, encrustada no alto de um paredão rochoso sobre o mar. Arquitetura oitocentista, eu creio, abrigando lojas, docerias, cafeterias, restaurantes e bares de moda, condizente com a proposta de turismo chique.
E neste sítio agradável, curti uma dor de cabeça moderada, mas contínua, durante toda a estada.
Concluí que a energia do lugar era estranha. No terceiro dia já estava compreendendo o sutil mau humor da população local e entendendo porque a Máfia havia nascido naquela região.
Eis que, voltando ao Brasil, descubro que no dia seguinte da minha partida o Etna havia entrado em erupção.
Não havia qualquer indicação concreta de que isso fosse acontecer naquele momento, embora o Etna seja um vulcão ativo, dado a pipocos esporádicos.
É bastante provável, portanto, que minha dor de cabeça tivesse sido provocada por ondas subsônicas decorrentes das vibrações sísmicas que antecederam a erupção, ou qualquer outra emanação imperceptível para os cinco sentidos "convencionais".
Em suma, recebi sinais tênues que não soube interpretar por falta de referências (não temos vulcões por aqui) e que provocaram o desconforto.
Alguns poderiam chamar de intuição. Outros de percepção extra-sensorial.
Fato é que a idéia de que o vulcão poderia entrar em atividade passou pela minha cabeça diversas vezes nesse curto período.
Sou um praticante da "atenção", no sentido esotérico da palavra. Acredito em magia, não da forma romântica, mas como uma ampliação da percepção, o exercício da "intenção" (novamente no sentido esotérico) e o desejo de experimentar outras formas de relacionamento com o universo além das convencionais.
Pequenos incidentes como esse são uma dádiva (considerando que não houve vítimas ou danos materiais em função da erupção).
Um lembrete para nossa vã filosofia.
oooooo0oooooo
ps - a parte 5 de Ovos de Dragão sai neste final de semana.

quinta-feira, maio 03, 2007

Espelhos


Sou um reflexo
Complexo
Nos olhos de quem me ama
Melhor do que sou
No espelho ao lada da cama
Imperfeito, o que restou
Sou um reflexo
Sem nexo
Etéreo nas águas do lago
Virtual nas vitrines do shopping
Distorcido por côncavos e convexos
Sou um reflexo
No sexo
A imagem do prazer do outro
À mercê das sensações confluentes
Na sombra do sol poente
Sou um reflexo
Em busca de mim

(foto: http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/espelho)

quarta-feira, maio 02, 2007

De volta à base ...


Companheiros de Café...
Estou de volta à base. Isto significa que, para o bem e para o mal, o Arguta retorna a seu rítmo normal e eu, novamente conectado a preços razoáveis, à nossa Aldeia Blogal.
É um prazer (embora assim seja mais caro).
Aliás, alguém já reparou que a famosa expressão "com prazer é mais caro" tem o mesmo duplo sentido da arqui-famosa frase " Navegar é preciso; viver não é preciso" ?

terça-feira, maio 01, 2007

Objeto sexual ...

Parafraseando Cristopher Hitchens, em seu artigo para a Revista Época:
Se eu sou o sujeito da frase, você só pode ser o objeto. E se o assunto for sexo, um objeto sexual.
Qual é o drama ?