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terça-feira, março 18, 2008

Um pouco mais, do mesmo tema ...

Já que a Anne pediu, vai um post adicional (um plus a mais agregado, como diria a Rita) sobre o tema "casamento".
Considero que estamos falando (lá nos comentários da postagem anterior) de 3 coisas distintas:
- casar formalmente (no papel, pela igreja)
- morar juntos
- casar emocionamente
É bastante comum que, principalmente os mais jovens, entendam que as 3 coisas venham num pacote inseparável.
Mais tarde a gente descobre que não é verdade, embora existam fortes correlações.
Cada uma das 3 coisas tem suas vantagens e desvantagens.
O casamento formal legal é uma espécie de contrato, e da a oportunidade para se definir claramente as questões patrimoniais, além de simplificar várias coisas quando se tem, ou se pretende ter, filhos. A contrapartida é que legalmente o individuo mantém suas obrigações, mas perde alguns direitos individuais, que só pode exercer com a anuência do conjuge.
Morar junto é certamente o mais indicado quando se tem filhos. E pode ser muito gostoso, também, não se privar nunca da companhia da pessoa amada. Além do que oferece economia de escala (é mais barato). Mas naquelas situações onde você quer ficar sozinho, fica mais difícil. E a chance de desgaste da relação costuma ser maior. Afinal, é bom sentir saudades ...
Já o casamento emocional não costuma ser uma opção. Acontece. E desacontece. Nem sempre de forma sincronizada.
Quando acontece é um dos sentimentos mais deliciosos que um ser humano pode ter.
Quando desacontece é uma das tragédias mais difíceis de se enfrentar.
Tudo fica mais fácil quanto mais "completo" e independente for cada um dos indivíduos envolvidos.
Parecido com empréstimo de banco: só é recomendável para quem não precisa.

25 comentários:

Suzana disse...

Tudo fica mais fácil quanto mais "completo" e independente for cada um dos indivíduos envolvidos.

...e depender apenas e totalmente do amor.

Perfeito.

A isso eu chamo de "casar consigo mesmo".

Ti disse...

Flávio,

Talvez substituísse sua última frase por: só é recomendado para quem está preparado, caso contrário as consequências podem trazer danos irreparáveis para a saúde amorosa...

Entende-se por "estar preparado" aquele que consegue definir o limite tênue entre "sermos dois, estando um" ou "sermos apenas um"...

Beijos

É! disse...

volto pra comentar em 2010, depois de casada.

disse...

Porisso que é dificil: nem sempre as situações (do papel e do envolvimento) permanecem coicidentes.
Eu penso que uma relação tem mais chances da dar certo, quando se sabe admistrar diferenças.
E compactuo do conceito da completude dos envolvidos.Só assim não se busca no parceiro, o que falta em si próprio.

Anne M. Moor disse...

Aonde nos metemos???!!!!!!!!!!! Concordo Flávio com que a idéia reinante envolve o pacote, e não sei dizer qual dos elementos em separado é melhor... Acho que depende da situação, do contexto, da idade dos envolvidos.
Esse "casar emocionalmente" realmente 'acontece' sem sentirmos que estamos nos inteligando. E sim "um dos sentimentos mais deliciosos que um ser humano pode ter", embora as pessoas não entendam isso na maior parte do tempo... Quando acordamos, já aconteceu... O desacontecer nem sempre é do mesmo modo... Desacontece por forças externas e é sim MUITO difícil de enfrentar.

Jorge Lemos disse...

Não tenho experiência alguma;
só estou casado por 50 anos.
Talvez, daqui a mais 50 eu volte para dizer algumas coisa.

A.Tapadinhas disse...

Estou casado há 42 anos... quando chegar aos 50, espero ter o bom senso de Jorge Lemos...
Abraço.
António

Udi disse...

Lendo postagem e comentários fiquei com a impressão que existe uma graaaande preocupação em que a "coisa" dê certo; e que desejamos encontrar a fórmula mágica para que tudo dê certo, é isso?
Por quê, hein?
Estou separada há mais tempo do que fiquei casada - como podem ver, ainda estou preocupada em registrar o tempo referenciada na data do casamento - mas, olhando prá tudo, com uma certa distância (não sem emoção) meu balanço final é que meu casamento deu certo.

Talvez não da mesma forma que o do Jorge com Estefânia nem da Sônia com o Osvaldo (que também acabaram de comemorar os 50 anos de bodas) ...mas deu certo, se é que me entendem.

Mo Gasparini disse...

Oi Flavio, tudo bem?
Grande discuss�o sobre o tema casamento, mas sempre haver� pessoas para defender todos os tr�s pontos de vista, por�m ainda hoje o que prevalece � a vis�o dos jovens, pelo menos para n�s mulheres rsrsrs, afinal qual mulher nunca sonhou em casar n�?
Mas olha sumido, v� se aparece para a gente conversar viu?
Beijos M�

Anne M. Moor disse...

Udi,
Tens toda a razão! E eu te entendo muito. Eu fui casada por 20 anos e estou divorciada há 21. HOJE tenho certeza absoluta que meu casamento deu certo (será que podemos dizer isso??). Vide meu texto "Pontes" e o poema "Consciência". Terminou por razões externas, mas o 'casar emocionalmente' certamente existiu.

Glaura disse...

Estou separada há menos de um ano e o que dói é a noção de não ter havido um casamento emocional!!!
Isso passa?
Se deu certo? Foram 17 anos sob o mesmo teto, 2 filhas, uma história de vida... E, se durou todo esse tempo, sob algum aspecto, claro que deu certo!
Mas porque, então, a ressaca, o ressentimento e a sensação de ter estado sozinha durante tanto tempo? Só agora, sem alguém mais ocupando minha casa, sinto alguns momentos de companhia...mesmo sozinha.

Udi disse...

Anninha, vou lá correndo ler esses posts! Que bom ter alguém que entende!

Glau,
se você topar, na sexta-feira compro pãezinhos a caminho de sua casa e, depois da hatha, tomamos café com pão e manteiga e tento explicar as minhas razões do "por quê a ressaca?".

Glaura disse...

Udi,
se eu topo?! Vou me sentir honrada com sua ¨visita social¨!
Mas deixe os pães por minha conta...
Ah, só se for permitido ¨xuxar¨ o pão com manteiga no café com leite!

Anne M. Moor disse...

Glaura,
Não sei se posso dizer que passa, mas o sentimento de perda, revolta, ressentimento acaba se transformando em algo mais e damo-nos conta que um outro sentimento estava travestido de perda, revolta, ressentimento...
A pergunta que eu me faço é porque as pessoas se mantem em uma relação sem 'casamento emocional'???? O Flávio deu esse nome para um sentir-se amado e amar, talvez não necessariamente estando 'juntos'. Quando eu escrevi "Pontes", 20 anos depois do meu divórcio, me havia dado conta que o 'casamento emocional' existiu e o quanto eu amei aquele homem, só me abrindo pra vida depois da morte dele 10 anos após nosso divórcio!!!! Hoje vivo novamente.

disse...

UDI:
Eu tb tenho certeza que meu casamento deu certo.Sempre senti assim.
Formamos uma família, dividimos grande parte de caminho, aprendemos mutuamente.
O saldo que ficou foi muito positivo.Repeito, amizade , carinho.
Mas, não os ingredientes da "ressonãncia".(Adorei esse conceito e esse termo).
As metades tiveram o bom senso de apartaram-se antes que tudo se desintegrasse.
Foi muito melhor.

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Ferrari disse...

Anne: o conceito de casamento emocional que sugeri não está necessariamente relacionado com sentir-se amado.
Copiando o texto do post anterior:
"Me refiro ao vínculo, à comunhão, ao encontro ressonante de duas pessoas que se amam e sentem num instante que se bastam, que formam um “eu” maior, indestrutível e imortal."
O interessante é que essa é a sensação que um tem em relação ao outro (e nem sempre o outro em relaão ao um naquele mesmo momento) e que, via de regra, oblitera a individuação.

Flavio Ferrari disse...

Teminha animado esse, hein ?

Anne M. Moor disse...

É Flávio, mas de certa maneira estamos dizendo a mesma coisa... "sentem num instante que se bastam". Qdo eu falo em amar e ser amado eu estou pensando isso. Esse sentimento de se bastar é algo muito bom quando são os dois... Não sei se me fiz entender...

Glaura disse...

Anne, o problema é que sei do quanto amei e de que talvez tenha sido amada de certa maneira, mas eram formas muito diferentes de amar e ser amado, não havendo o casamento emocional.
E, lembrando um post anterior do Flávio: relações as vezes se mantém devido às neuroses complementares, e quando mudam-se as neuroses o sonho se acaba.
Se há tanta lucidez em relação a isso, porque dói e não conseguimos tirar essa dor facilmente do peito?

Glaura disse...

Lú,
e quando se percebe que além das neuroses complementares seu ¨parceiro¨ não era seu amigo(com todas as consequencias disso)?

Anne M. Moor disse...

O problema são as neuroses criadas e construídas a partir de uma sociedade que nos impôs e impõe muita coisa completamente irracional. As neuroses incomodam quando rebelamos contra elas. E pq dói tanto??? Tantas respostas... Mas tenho aprendido ao longo do caminho que se conseguimos nos permitir a ser felizes (o que quer que signifique isso pra cada um), ficamos abertos pra outras experiências, para nos entender e compreender as coisas que nos trouxeram até aqui e de ABRIR MÃO DO SOFRIMENTO... Easier said than done, eu sei, mas é possível e traz uma sensaão de alívio e bem estar quando conseguimos...

disse...

Glaura:
Não sei a resposta.
Sei (e pelo jeito você também sabe) o estado civil e EMOCIONAL consequente:
-MUITÍSSIMO BEM descasadas.
Um beijo pra você.
Espero poder conhecê-la pessoalmente.

Flavio Ferrari disse...

Dói porque foi uma perda.
Há que elaborá-la ou resignar-se.

Anne M. Moor disse...

Elaborar e resignar-se... Estás começando outro viés do mesmo assunto!!! hahahahahaha O que vem primeiro? O elaborar ou o resignar-se?