Embora meu horário de trabalho tenha, aparentemente, se extendido até as duas da manhã de forma semi-permanente, eis-me aqui disposto a postar.A questão que se coloca, caros leitores, é como extrair de um cérebro esgotado uma última gota de pensamento a altura do respeito que lhes é devido.
Dos 5 neurônios habitualmente disponíveis, 3 foram dormir esgotados, e um esta embevecido pela cor rubra do licor de cassis e perdido em suas memórias elétricas.
O último que sobrou, felizmente, é o Ludovico.
Ludovico é meu neurônio lúdico.
Durante o dia, perturba as reuniões de trabalho acionando o mecanismo inconsciente de lançamento de bolinhas de papel e pedaços de clips.
Ao atravessar a rua, sistematicamente desloca a atenção da frente dos carros para a traseira das transeuntes.
Durante os discursos sérios, provoca as conexões mais esdruxulas e se diverte acompanhando o esforço dos outros 4 tentando conter as amebas risonhas.
Por ocasião dos velórios, destaco sempre dois neurônios para vigiar Ludovico, por segurança.
Um dia, deixando o velório do pai de um amigo, distrai-me por um segundo e la estava Ludovico e ação. Quando percebi, já estava dizendo que do morto não precisaria me despedir ...
Os outros quatro acionaram rapidamente a adutora enviando algumas lágrimas oportunas para os olhos que, marejados, conferiram um sentido mais adequado à afirmação. Salvei-me.
Eis que, me parece impossível, contando apenas com Ludovico, fazer uma postagem decente.
Se enveredo pela política, Ludovico sugere um fã clube para o Renan Calheiros com o mote:
- Vá buscar outro culpado, deixa o cara no Senado
Se penso em negócios sustentáveis, Ludovico menciona o subsídio à produção de sutiãs e recomenda a Érica como ministra.
Quando imagino que falar sobre meu prato preferido, macarrão, seria uma alternativa, Ludovico afirma categórico:
- Já não chegam as minhocas na cabeça ?
Decidi ficar, então, com a poesia, contando com o romantismo lúdico do Vico.
O amor, ah o amor
Que o coração espezinha
Quando me obriga a por
novamente a camisinha
Quer saber ... melhor deixar para amanhã.







