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sábado, março 31, 2007

35 anos depois ...

Acabo de voltar de um encontro de ex-alunos do Colégio Batista Brasileiro, com minha turma da oitava série.
Encontramo-nos pela primeira vez, 35 anos depois do desencontro.
Confesso que não estava lá muito entusiasmado. Os dois anos que passei nessa escola estão no ranking dos piores momentos da minha vida.
Era o mais novo da sala, pequeno em tamanho e pouco dado às violências comuns dos garotos desta idade.
Não fosse o Olavo Príncipe (meu herói particular, de quem recebia proteção em troca de algum auxílio durante as provas), teria apanhado muito mais do que apanhei, constantemente vitimizado que era por dois garotos encrenqueiros da minha série.
Os dois, vale comentar, já morreram. Um numa guerra entre quadrilhas. O outro, consumido por drogas.
E eu, aprendi a me defender sem a ajuda do Olavo a quem, entretanto, continuo sendo grato.
Mas é interessante observar como as pessoas mudam tão pouco em tantos anos. As mesmas crianças sob alguns cabelos grisalhos. Mesmos gestos, mesmos sorrisos, mesmas brincadeiras
Em vinte minutos a fraternidade estava resgatada e parecia que estavamos no recreio da escola.
Legal trocar fragmentos de história, comparar lembranças, e planejar outro encontro que, provavelmente, levará outros 30 anos para acontecer.
Fez-me lembrar do poemeu:

O pó da prata cobre os meus cabelos
E a alma segue intacta
Esperando cada novo amanhecer

O sal do mar corroe os meus joelhos
Mas não os meus desejos
Renovados a cada anoitecer

sexta-feira, março 30, 2007

Pensamento da noite...

"A paixão entardeceu, dando lugar ao amor preguiçoso ..."


Quem mexeu no meu queixo ?

Na linha beast seller "Quem mexeu no meu queijo", proponho lançar a publicação sinônima em epígrafe.
A abordagem, entretanto, seria sócio-psico-ambiental, com foco no ser humano a nível de gente e sua relação com o ambiente all inclusive.
"Quem mexeu no meu queixo" trata da ambivalência bilateral das relações, e do polegar opositor.
A cena guia (ex-libris fio condutor) é o clássico gesto de se tomar o queixo da outra pessoa entre o polegar e o indicador (indicador sob a ponta do queixo e polegar posicionado simétricamente sobre o mesmo, em oposição perpendicular, passando pelo ponto da covinha), acompanhado do famoso olhar 43 (tipo eu sei que você sabe que eu sei).
Numa leitura psico-semântica, pretende discutir as motivações do gesto e suas consequências.
Lateralmente, aborda-se a necessidade de uma atidude revisional sobre os paradigmas estabelecidos para a definição de histeria, neurose e psicose, embora esse tema deva ser melhor discutido em publicação posterior ("A ausência de neuroses como indicadora da psicose em potencial e suas implicações para a conversão histérica - uma visão propedeutica").
A pergunta é: devo escrever ?

quarta-feira, março 28, 2007

Rapidinha politicamente incorreta...

A Ministra Matilde Ribeiro (secretária da igualdade racial) afirma que preconceito de negro contra branco é natural.
A mulher do Ministro da Economia, Eliane Mantega, mantida refem por bandidos em um sítio, afirma que os meliantes eram "super-gentis".
E eu que não sou pobre nem bandido, vou ter que camelar para ter lugar no céu...

terça-feira, março 27, 2007

Puntas del Este


Dois dos monumentos mais marcantes de Punta são o Farol e as pontas dos dedos de concreto enterradas na areia da praia principal.
Ocorre que estão geograficamente distantes entre si.
De um pequeno, mas hilário, acidente que aconteceu quando Susana tentava tirar uma foto minha com Alejandra na praia próxima ao farol, surgiu a foto deste post.
Durante minha apresentação, comentei que duas coisas distinguem um ser humano de um dinossauro: o cérebro e o polegar opositor (para quem ainda não assistiu, vale a pena buscar na Internet o curta metragem Ilha das Flores, que discorre sobre o segundo item).
O cérebro nos ajuda a entender o que está acontecendo.
O polegar é fundamental nesse novo mundo digital para digitar mensagens nos handhelds.
Ocorre que Susana resolveu utilizar seu polegar opositor para cobrir a lente da câmera do celular, sacando una foto de Punta de los Dedos.
Quando paramos de rir (e vale comentar que o Tannat do almoço estava ótimo), Susana deu a idéia para a foto.

segunda-feira, março 26, 2007

Una rambla ...

Depois dizem que a gente não se diverte no Uruguai....
Encontré una rambla con un cruce peatonal fantástico !

sábado, março 24, 2007

Pensamento (ecológico) da noite ...

Quem disse que somos a forma de vida dominante.
E se estivermos sendo controlados por nano-virus com o objetivo de transformar o planeta em um lugar mais agradável para eles ?

Mochileiro

Nos confins da galáxia descansa um pequeno e despretencioso sol amarelo. Orbitando-o, a uma distância de aproximadamente 50 milhões de quilômetros, está um insignificante e pequenino planeta azul-verde, cujas forma de vida descendente do macaco é tão espantosamente primitiva que ainda pensa que relógios digitais são uma boa idéia.
Esse planeta tinha um problema. A maioria das pessoas que vivem nele era infeliz a maior parte do tempo. Muitas soluções foram sugeridas, mas a maioria delas estava relacionada com o movimento de pequenas folhas de papel verde, o que é péssimo porque infelizes são as pessoas e não os papeis verdes.
E assim o problema permaneceu: a maioria das pessoas seguiu miserável, mesmo os que tinham relógios digitais.
Boa parte das pessoas começava a acreditar que haviam feito um grande erro quando decidiram descer das árvores em primeiro lugar. Alguns eram mais radicais, e afirmavam que mesmo a mudança para as árvores havia sido um mau movimento, e que não deviam ter deixado o oceano.
E então, numa quinta-feira, uma garota solitária sentada em um pequeno Café em Rickmansworth percebeu, subitamente, o que havia estado errado todo esse tempo e o que deveria ser feito para que o mundo se transformasse, finalmente, em um lugar bom e feliz. Desta vez, tudo estava certo e iria funcionar.
Tristemente, entretanto, antes que pudesse alcançar um telefone e contar isso para alguém, uma terrível e estúpida catástrofe aconteceu e a idéia se perdeu para sempre.
Essa não é a história dela ...

(tradução livre da introdução do The Hitchhiker’s Guide to de Galaxy” – Guia do Mochileiro das Galáxias. – estou lendo em inglês por recomendação do Rodrigo)

Notas del Desachate

Estou aqui em Punta participando do Desachate, o mais importante evento publicitário do Uruguay.
Como não sou uruguaio e fiz uma apresentação, fui prontamente qualificado como palestrante internacional, o que não é pouco, convenhamos.
Pela manhã, presenciei a brilhante abertura feita por Pipe Stein, o presidente do evento, a quem deveríamos conferir o título de brasileiro “honoris causa”, seja pelo apuradíssimos senso de humor, seja pelo fato de haver aprendido português escutando bossa nova.
Assisti uma interesante apresentação de Sebastian Wilhelm, sócio e diretor de criação da Santo Buenos Aires. Jovem (uns 35, mas não lhe daria mais de 30), sensível, criativo e apaixonado por seu trabalho, como costumavam ser os criadores da velha guarda brasileira. A primeira hora da apresentação foi brilhante. A segunda me fez pensar como é que um sujeito acostumado a criar filmes de TV de 30” precisou de tanto tempo para defender uma idéia.
Conheci várias pessoas interessantes e relevantes do mercado publicitário local. Entre elas, destaco Mario Tagioretti, presidente do Circulo Uruguayo de la Publicidad, por sua generosidade. Mesmo depois da minha apresentação, seguiu insistindo em afirmar que eu falo bem espanhol.
E cumpri a missão primeira para qual fui convidado, ou seja, palestrei.
Aparentemente fui bem sucedido.
A tarefa não era fácil, pois a freqüência do evento é composta majoritariamente por criadores e produtores de publicidade, que de início já demonstraram grande boa vontade por estarem presente a uma apresentação do CEO de uma empresa de medição de audiência, assunto que não lhes interessa muito.
Não falei de audiência. Também não falei do IBOPE (não diretamente). Discorri sobre as mudanças em curso no mundo da comunicação e dos desafios reais para nós, que tomamos decisões nesse pequeno mas importante mercado.
Creio que a imagem mais marcante de minha apresentação foi a seqüência de comerciais de Aspirina, dos anos 60 até 2006. Deixou claro que a propaganda vem mudando de roupa, mas continua sendo a mesma nos últimos 50 anos.
(quando voltar, vou colocar no u-tube)
À tarde, minhas inseparáveis e carinhosas companheiras de viagem, Alejandra e Susana, me levaram para conhecer Punta, com direito a almoço e sorvete.
Seja pela divertida companhia, seja pela real beleza do lugar, a tarde passou rápida e foi agradabilíssima. (vou fazer algumas postagens específicas quando voltar, porque preciso das fotos).
Voltei a tempo de assistir Maitena, humorista/filósofa argentina, bastante conhecida no Brasil. O mínimo que se pode dizer dela é que é inteligente e sabe muito bem o que quer da vida. Creio que sua fala foi inspiradora para as mulheres presentes.
A única nota destoante foi a falta de conexão de internet no quarto, que me mantém à distância de mis compañeros de blog.
Mas isso passa, como as uvas.

quinta-feira, março 22, 2007

Na bagagem...

Estou na sala de espera do aeroporto, rumo ao Uruguai, onde farei mais uma palestra...
A mala, verde oliva com um candente cadeado amarelo aprovado pelo sistema de segurança dos EUA, abandonou-me a pouco, e seguiu triste e solitária na esteira. Com um pouco de sorte vou reencontrá-la em algumas horas (ou o que sobrar dela).
E eu, momentaneamente sem mala, dei-me conta da bagagem que levo comigo.
Levo 47 anos de vida intensa, boa parte dela muito feliz. E os momentos difíceis, que foram poucos mas marcaram muito, dividiram águas. Cresci muito com eles.
Levo a lembrança de amores vividos (poucos e bons) e sonhados como os da Anne (também poucos e bons).
Levo uma das poucas coisas seguras nessa vida, e talvez a que mais importe: ser filho e ser pai.
Levo a companhia de vocês, companheiros do Arguta, que cada vez mais preenchem meu dia e minha vida.
Levo a memória de momentos recentes, que por particularidades dessa fase de minha vida, nunca foram tão intensos, no prazer e na tristeza.
Levo comigo o amor, meu e de alguns poucos, que amam apesar dê (isso me ensinou o pai, não o avô).
Levo a esperança. A ansiedade. A curiosidade. A vontade de viver e ser feliz.
Levo tambéma preocupação com uma sobrinha querida que passa por maus momentos.
E levo um cartão de crédito, a coisa mais útil e menos importante de todas que carrego comigo na bagagem.