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quarta-feira, maio 26, 2010

Espelho seu

Há muitos anos aprendi a fazer um exercício que considero interessante.
Sempre que me pego criticando alguma pessoa ou empresa (vale para o pessoal e o profissional) olho para mim (ou para a empresa onde trabalho) e procuro observar se não estou fazendo alguma coisa parecida.
Já não me surpreendo mais com meu telhado de vidro.
Hoje esse exercício levou-me a uma consideração interessante.
Observando o comportamento de um sujeito que considerei imaturo e com pouco controle emocional concluí que ele estava lidando mal com uma crise típica dos 40 anos, quando a gente se dá conta de o controle é uma fantasia. É quando concluímos que não temos controle sobre nada, e isso costuma ser muito frustrante.
Comecei a pensar nas minhas próprias crises históricas e fiz uma lista conceitual.
Na minha lista, a primeira crise acontece na tenra infância, quando começamos a nos dar conta de que o mundo não é uma extensão nossa. A mamadeira não vem parar na sua mão quando você quer ...
Tenho a impressão de que essa é um crise que todo mundo supera.
A segunda decorre da constatação de que não somos o centro do universo. O mundo não gira em torno de nós.
É o primeiro passo importante para o que chamamos de maturidade e, lamentavelmente, nem todos superam essa crise.
A terceira é, justamente, a que enfrentamos quando descobrimos que não somos capazes de exercer o controle que gostaríamos sobre as pessoas, as coisas e, no final daso contas, nem mesmo sobre nós mesmos.
Essa é ainda mais dificil de superar do que a anterior.
Quando cheguei nesse ponto da lista, considerei que o cidadão inspirador desta postagem não havia superado nenhuma das duas, e estava acumulando frustrações graves. Não estava surtando à toa, portanto.
E a quarta e última crise que conheço é a da constatação da finitude.
Não sei se alguém consegue superar essa última em sua totalidade.
Eu creio que superei as duas primeiras (apesar das acusações de narcisismo), ainda tenho algumas dificuldades importantes com a terceira (alguns anos de psicanálise ajudaram a elaborá-la) e, certamente, estou vivendo o auge da quarta.
Alguém se lembra de mais alguma crise genérica importante ?

14 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

Dos 25. Uns anos após faculdade e a gente ainda não se sente muito bem sucedido.

Solange Maia disse...

há alguns minutos estava escrevendo (a meu modo) sobre a 4º crise, que para mim, acredite, é muito atraente.... risos....

me faz viver o AGORA com mais entusiasmo !

beijo

Ava disse...

Flávio, voce foi imprcável em sua lista.
Enfrentar essas crises são o nosso teste Drive, a cada uma vencida, seguimos em frente...

Difícil saber como cada motorista dirige a sua vida...

Realmente na última, a gente derrapa, mas com bastante habilidade, conseguimos manter o controle.

A verdade é que nada é fácil, e superar essas crises nada mais é que lutar pela sobrevivência.


Bjs

e daí? disse...

sinto contraria-lo, mas alguns não passam nem da primeira crise, atravessam a vida acreditando q a mamadeira vem parar na sua mão quando quer...rsrs

Anne M. Moor disse...

Flávio

Olhar-se no espelho e enxergar-se é quase que uma arte! É um exercício de anos de prática e, principalmente, de querer se enxergar... E é um exercício de toda a vida! Incomoda, dói, mas é muito bommmmmmmmm...

Bjo :-)
Anne

Isadora disse...

As nossas "dificuldades" colocadas de forma cronológica nos ajuda e enterndermos muitas coisas.
Concordo com as quatros descritas, mas acho que as mulheres passam não por uma crise, mas por um momento de grande trasformação e por que não insegurança, ao ser tornarem mães. É uma grande mudança, na vida, na maneira de pensar, na maneira de olhar o outro...
Um beijo

Sentimental ♥ disse...

ai ai, nem me fala em crise...

mas ó, eu acho melhor deixar só nessas crises q vc citou, já está de bom tamanho, né? rs

A. Marcos disse...

Uma crise que já vi muitos terem é aquela que decorre da percepção tardia de que as únicas certezas nesse mundo são:
1. o fato de que todo mundo morrerá um dia;
2. o fato de que todo mundo pagará imposto ao menos uma vez na vida.

rsrsrs

Cris disse...

Desisti das crises. Juro. Aprendi a não dar muita atenção para elas e tentar me focar no agora. É o que temos: o agora.
Quanto a finitude...sou eterna de alguma forma e tenho certeza disso; assim como toda a forma de vida. Então, temos muito tempo para muitas crises.....rsrsrsrsrs

beijo

Juan Moravagine Carneiro disse...

Sempre me pego perguntando sobre tais questões...

BELO POST

Abraço

Suzana disse...

Alguem já disse:
- Se a mamadeira não vai ao bebê, o bebê vai a mamadeira!

Acho que por isso as crianças aprendem a engatinhar ! rsrs

Paulinha Costa disse...

De tempos em tempos eu entro em crise, talvez apenas eu possa ver assim. Eu mergulho numa reflexão profunda sobre algum ponto que não está bem, mergulho para não me afogar e vou até onde eu aguentar, depois procuro a superfície para respirar, renovada e feliz. Será que posso chamar isso de crise?
Bjs

Jan disse...

Lá pelos 30, ou antes, a gente vê, por experiência própria ou acompanhando alguém próximo, que o corpo não é uma máquina, que é frágil e TODAS as atitudes nossas têm reflexo no seu funcionamento. E que a máquina pode parar, de uma hora para outra. Melhor levar a maquininha para todas as revisões de kilometragem. Hehehehe.
Abs.

Érica Martinez disse...

dos 29! Claro!!!!!!! Essa é a crise que dá um aperitivo do que serão as próximas: já experimentei a descoberta da falta de controle e da finitude. Nenhuma superada, mas ambas registradas.
A vantagem de parar para o olhar o outro antes de criticar é que nos poupa a fadiga, mas e a vontade de partir a cabeça do indivíduo no meio?? rsrs... Seguimos assim...

(adoro os posts inspirados!)

Bjos