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domingo, agosto 21, 2011

O cargo e a carga

Curioso como julgamos as pessoas pelas posições que ocupam.
Não deixa de fazer algum sentido, já que o fato de haver escolhido e conquistado uma posição pode dizer muito sobre uma pessoa.
Mas a imagem estereotipada do perfil correspondente a um cargo pode ser um fardo.
Espera-se que você seja, ou pelo menos se comporte, de um modo pré-determinado, que vai muito além do que é verdadeiramente requerido pela posição.
Aliás, em boa medida, as cobranças não costumam estar relacionadas às responsabilidades.  A pessoa pode até não ser boa, mas tem que parecer adequada à posição.
Aceita-se com naturalidade que sejamos diferentes no trabalho e na vida privada.  De certa forma, exige-se isso.
Sempre considerei que desempenhar papeis consome muita energia e resulta numa grande perda de eficiencia.  Pode ser uma característica pessoal, mas sou muito mais eficiente e eficaz sendo eu mesmo do que desempenhando um papel que corresponda à expectativa dos outros, embora essa opção tenha um custo alto pelas reações que causa.
O outro lado da moeda é que ocupar uma posição "importante" (de liderança) lhe confere uma série de créditos e benefícios. 
Automaticamente, você é elevado a um status de superioridade e considerado "melhor do que os outros".  Tem os mais diversos privilégios e concessões aos quais é muito fácil se acostumar.  Vai além do óbvio benefício material (viagens em classe executiva, automóvel da empresa, bônus mais elevado), que já não é pouco.  Sua opinião vale mais, sua presença é valorizada, sua atenção é disputada, suas ideias consideradas.  Seu espaço no mundo está garantido, e as pessoas disputam o privilégio de defendê-lo para você.  O preço, você já sabe: precisa desempenhar o papel que corresponde ao cargo.
A metáfora da gaiola de ouro se aplica bem ao caso.
Nos último 15 ou 20 anos isso vem mudando um pouco.  Os CEOs de boa parte das empresas já não são tratados como deuses (e nem remunerados como tal) e, como consequencia, aceita-se que se comportem como mortais.
Vejo isso de forma positiva por duas razões.   A primeira, óbvia, é que torna o cargo mais leve.
A segunda, menos evidente mas igualmente relevante, é que equilibra a importância das demais posições e diminue aquela sensação de que a única medida de sucesso é chegar ao topo da pirâmide.
Abre a possibilidade de se considerar que fazer bem o seu trabalho, integrando-o à vida privada (eliminando esse viés esquizofrênico), é digno de admiração.
Vamos ter mais gente feliz por aí.


5 comentários:

Fernanda disse...

Deus te ouça.

Batom e poesias disse...

Desempenhar papeis é mesmo uma chatisse.
Bom é sermos quem somos!

Boa semana!

bjs
Rossana

Luna Sanchez disse...

Eu não tenho como "desempenhar um papel" na minha função porque seria contraditório mas confesso que a ideia não me desagrada, viu?

Beijo.

Dri Viaro disse...

Com certeza, mais feliz só se o salário também aumentar rsrs

bjs

Tathiana disse...

Muita responsabilidade e pouco retorno. Feliz assim??? Não vejo como.
Bjs.