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terça-feira, agosto 22, 2006

Leão, Tevez e os modismos empresariais

Confesso que torci o nariz quando o meu Corinthians contratou o Tevez.
Um Argentino !!!! Um arqui-inimigo !!
Lembrei-me do Max Smart (agente 86), que ficou incomodadíssimo quando o principal agente da Kaos (Ziegfried) se bandeou para o Controle.
Alguns gols mais para frente, comecei a aceitar melhor a coisa. Afinal, nosso amigo Tevez veio do Boca, um time culturalmente semelhante ao Coringão, e rapidamente conquistou seu espaço junto ao plantel e a torcida alvinegra.
Eis que, quando já me acostumava com a idéia, meu time contrata o Leão.
O Leão !?! O mais palmeirense dos palmeirenses. Muito pior do que um argentino.
E não é que o primeiro a chutar o pau da barraca foi, justamente, o Argentino ?
Choque cultural ... O Leão, além de palmeirense (ou seja, vindo de uma equipe com cultura antagônica) é francamente anti-argentino.
Só poderia dar no que está dando. Tevez não joga mais enquanto o Leão dirigir o time.
O caso remete aos modismos empresariais, particularmente dois deles que passaram a compor todos os modelos de avaliação de excelência de gestão como pré-requisitos para o bom desempenho da empresa: inovação e diversidade cultural.
Ninguém tem dúvidas de que a inovação é uma premissa básica para a perenidade de uma empresa, e de que a diversidade cultural é sumamente enriquecedora.
Mas colocadas como “obrigação” transformam a oportunidade em risco.
Inovar geralmente requer investimentos diretos quantificáveis, mas sempre resulta em custos ocultos (necessidade de re-treinamento, perda inicial de eficiência, implicações decorrentes da resistência a mudança) e, como qualquer iniciativa, tem seu grau de risco.
Sou adepto da renovação como prática cotidiana e da inovação como meta estratégica de longo prazo.
Já as vantagens da diversidade cultural precisam ser melhor compreendidas. A diversidade de pensamento é um alimento inspirador para os processos de planejamento estratégico. Também é muito útil como pitada de tempero na renovação de processos.
Mas é um caos para o cotidiano da operação. Conflito de culturas é tudo o que não queremos no momento da execução. Vejam o caso do Timão.
A diversidade cultural é um poderoso promotor do re-pensar. É, de certo modo, indispensável para empresas maduras e bem estuturadas, com responsabilidades e autoridades bem definidas e processos de gestão excelentes. Esse tipo de empresa não só acomoda a diversidade nos níveis hierárquicos mais altos, como sabe tirar proveito dela, utilizando-a como energia contra a mesméride.
Já em empresas com processos de gestão mais frágeis, pode resultar em conflitos insuperáveis e na paralise decisória.
É bom tomar cuidado com as panacéias universais da administração moderna.
Leão de técnico ??? Eu, hein ... nem se for para ganhar.
Espera aí, Tevez, que eu estou indo para Buenos Aires com você !!!!

2 comentários:

alberto a v alves disse...

Gostei muito de tudo que você colocou e o fêz com muita propriedade, aliás o que lhe é peculiar. Entretanto no campo empresarial, acredito que todas as inovações, choques culturais, mudanças e experimentações devam ocorrer primeiramente no campo dos personagens que detem o planejamento estratágico da companhia e do negócio, porque a eles é permitida a criação neste estágio. Ao pessoal do campo operacional cabe a a realização das tarefas (também com criatividade) já consagradas e devidamente experimentadas pelo pessoal da criação. Pode-se então com grande margem de certeza ter-se a tão almejada conquista dos bons resultados.

Agora, falando de futebol e mais específicamente do Corinthians, só um grande palmeirense, com a força de um "Leão" para conseguir resolver o problema do timão.

E viva o Palestra!!!

Flavio Ferrari disse...

Sei não .. acho que alguém mais, além do Tevez, está com bronca da chefia ...