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segunda-feira, agosto 28, 2006

“Side Effects” da Tecnologia – Pensamento da semana


Silenciosamente, a tecnologia afeta pequenos hábitos do cotidiano.
O UOL divulgou hoje uma matéria publicada pela Reuters comentando de que maneira o aumento da penetração de telefones celulares esta impactando a indústria de relógios.
Muita gente, principalmente entre os homens, está deixando de usar relógios. São desnecessários para quem tem celular.
Mas isso não significa o fim da industria de relógios. A mesma matéria aponta que o Swatch Group (fabricante de relógios como Omega, Tissot e Swatch) teve sua lucratividade aumentada em função do aumento de venda de modelos de luxo.
São relógios que cumprem o papel de acessório decorativo (jóia), símbolo de status e, adicionalmente, permitem que você veja as horas. Multifuncionais, portanto, como cabe a todo objeto moderno.
Após a leitura da matéria, dei-me conta de que eu também tenho usado relógio com menor freqüência, e recorrido ao celular para consultar o horário.
Não havia percebido.
Proponho aos leitores do Arguta descobrir que outros pequenos efeitos colaterais a tecnologia tem promovido e convido-os a partilhar as descobertas postando-as como comentário.
Pretendo fazer o mesmo exercício.

8 comentários:

doppiafila disse...

Outra coisa que foi substituida pelos celulares: a nossa memoria! Voce lembra quando (anos 80) cada um de nos lembrava pelo menos 20 numeros de telefone de cor? Casa, casa dos amigos, os primeiros celulares, o escritorio do papai e da mamae etc etc etc. Agora sem celular (ou Palm) o mundo está envolvido numa nuvem de ignorancia telefonica.... Tem um lado positivo: esta memoria (liberada dos numeros de telefone) foi preciosa, pois cada um tem pelo menos 20 passwords de bancos, blogs, emails, fotos em linea etc etc etc!
Saluti, Doppiafila

Ti Bell disse...

As academias também foram impactadas pela tecnologia... O nosso dia a dia tornou-se sedentário... Pela manhã, utilizamos escova elétrica para os dentes, o cafezinho é feito através de alguns botões da maquina de expresso, a louça é lavada com um mais um único toque no botão da máquina... Finalmente vamos até a garagem e com um botão abrimos o carro, direção hidráulica, vidro e retrovisor elétricos, sem contar o controle remoto para o som (a que ponto chegamos...)Trabalhamos todo o dia em frente ao computador e nos comunicamos por e_mail ou telefone. Além dos sites maravilhosos que facilitam nossa via (pãodeacucar.com, submarino, internetbanking, estadão.com, etc..) A comida pode ser entregue no escritório via telefone e, ao final do dia.... Só nos resta a Academia!!!

Flavio Ferrari disse...

Doppia: Já pensou acordar pela manhã e não lembrar das senhas ????
Que trauma !
Ti Bell: está na hora de remodelar o velho ditado - "aqui não se faz, aqui se paga !"

Ernesto Dias Jr. disse...

E o que dizer de um rebelde como eu que, há muitos anos, aposentou o relógio? E que agora vê-se obrigado a saber as horas a cada vez que recebe um telefonema?

Flavio Ferrari disse...

Interessante a reversão do ponto de vista proposta pelo companheiro Ernesto ...
E, aproveitando, acabo de voltar do Uruguai onde assisti um comercial de televisão de uma operadora de telefonia celular promovendo o uso dos torpedos SMS.
O comercial, bem engraçadinho, mostrava um garoto que ganhou o campeonato mundial de "prende dedão", graças ao constante exercício deste dedo para digitar torpedos ...
Outro efeito colateral, portanto, será o desenvolvimento de maior agilidade e autonomia motora do dedão, que deixará de ser mero apoio para a pinça executada pelo indicador ...

Amanda Arthur disse...

O vício do "Ctrl+Z". Nossa preocupação em fazer certo de primeira tem diminuido, eu acho. Fazemos muita coisa contando com o salvador "Ctrl+Z". Só que nosso cérebro às vezes se esquece que esse recurso não vale para tudo, que funciona apenas quando estamos operando nosso fiéis amigos computadores.
Bises, Amanda
PS.: Obrigada pelos "commnents" no Sarau. Fico honrada com suas visitas! BJ.

Flavio Ferrari disse...

Olá Amanda,
Seu comentário fez-me lembrar de um pensamento que tive quando meus filhos eram menores e jogavam video game obsessivamente.
Arriscavam-se, "morriam" e, bastava "ressetar" o jogo para recuperar suas "vidas".
O lado pernicioso disso é o que você mencionou.
Mas a outra face da moeda é o desenvolvimento da ousadia como atitude.
Segundo a pesquisa Target Group Index, o brasileiro é um dos povos com maior aversão ao risco entre os países em desenvolvimento, com níveis equivalentes aos dos países europeus mais desenvolvidos.
Considerando que um europeu médio tem um padrão de vida bastante aceitável, é compreensível que não queira correr riscos.
Já os brasileiros deveriam estar mais dispostos a ousar, para conquistar.
Não por acaso, a China que é o país entre os BRICs com maior índice de crescimento, também é o país cujo povo tem menor aversão ao risco (entre as grandes economias).
Vale a pena pensar nisso ...
Saludos.

Amanda Arthur disse...

Hummm... Interessante. Não estou convencida de que as coisas estejam tão diretamente relacionadas, mas vale refletir.