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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Pecado e Capital


Parte 4 – Beata Constância


Jailton permanecia inerte, olhar esbugalhado em direção à tela de seu computador.
Constância imaginou ter ouvido o som de trombetas e sentiu um calafrio percorrer a espinha, interrompido pelo fecho do sutiã.
- Está acontecendo ... – murmurou, incrédula. Tal qual Ele falou.
Constância havia sido preparada para identificar esse momento. Seu trabalho no escritório era um mero subterfúgio para estar presente na hora e local adequados.
Sem perder Jailton de vista, digitou um torpedo para o Dalton: “Avise o mestre; a hora chegou”.
Aproximou-se vagarosamente da mesa do Eleito e não pode deixar de sentir uma certa ternura acompanhando as lágrimas que começavam a marcar sua camisa azul clara.
A tela do computador parecia uma televisão antiga sintonizando um canal inexistente. Uma coisa meio Poltergeist, pensou.
- Jailton .... Jailton ... – constância sussurrou ao pé do ouvido, afagando-lhe delicadamente os cabelos.
Muito lentamente, Jailton voltou seu semblante iluminado para Constância, enterrou o rosto entre seus seios e chorou copiosamente, soluçando em silêncio.
No pátio do estacionamento, Dalton acordou sobressaltado com o dingar do celular.
Preguiçosamente abriu o flip e pressionou o botão de leitura.
Qualquer resquício de sono desintegrou-se de imediato.
- Michael .... os presságios se confirmam ....- balbuciou.
Digitou uma seqüência de números e escutou uma melíflua voz feminina:
- Diga, meu anjo ...
- O mestre ?
- Sou eu, querido ....
- Mas ...?!?
- Anjo não tem sexo .... – uma gargalhada gostosa, num timbre andrógino, atravessou Dalton de orelha a orelha. E você, meu caro, não tem um pingo de senso de humor.
- Chegou a hora mestre ...
- Eu sei.
- Então, porque ...
- Precaução ... onisciência não é infalível. E, depois, uma vez na terra, faça da forma terrena.
- Constância está com o Eleito, seguindo o roteiro que combinamos.
- Ótimo. Espero vocês.
- Será que ele nos acompanhará ?
- Claro Dalton ... assim está escrito.
Dalton desligou ressabiado. Essa era uma parte que ele nunca conseguira entender. Se tudo estava escrito, porque tanta preocupação ? Aliás, porque é eles tinham que aramar todo aquele circo se não havia livre arbítrio ?
.......
Constância tomou Jailton pelas mãos.
-Venha, querido ... está tudo bem ... vamos ....
- Eu vi, Tancinha ... eu vi ....
- Eu sei, Já.... eu sei .... fique tranqüilo .... você compreenderá tudo no lugar para onde vamos ...

7 comentários:

Anne disse...

Isto mais parece linha de produção!!!!! O que será que vcs os dois estão armando???? Várias possibilidades come to mind... Estou começando a ter peninha do Jaílton...

Anônimo disse...

e depois, e depois...????(rss).
Lú.

Flavio Ferrari disse...

Momento de suspense para tratar de outras prioridades tais como, namorar, trabalhar e dormir ...

Anônimo disse...

Deliciosas e necessárias prioridades(isso é redundância?).Justificadíssimo.Bj.
Lú.

udi disse...

ôba! tá ficando cada vez mais emocionante! dá até prá imaginar um filme, o Jaílton seria interpretado pelo Al Pacino naquele estilo Um dia de cão.

ti bell disse...

Acho que ao final teremos um delicioso Best Seller!!!

Tô adorando... Tenho mesmo que trabalhar?

udi disse...

...minha frequência ao Café aumentou!