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quarta-feira, junho 13, 2007

Sobre o próprio amor


Nesta semana li dois textos sobre o amor.
Um que recebi do meu filho Guilherme, eterno apaixonado pela vida.
Guilherme desenvolveu seu texto a partir de uma afirmação de um personagem de teatro (Sr. Keuner) que afirmava: “o amor é a arte de produzir com as capacidades do outro”
Das interessantes e afetivas digressões do Gui sobre o tema, destaquei uma frase síntese:
“Amor, então, só acontece quando ambos os lados amam, ou seja, quando ambos se preocupam em se manter próximos da outra pessoa para que façam arte através das capacidades do outro”. O outro texto que li foi de Eugênio Mussak, na revista Vida Simples, sobre o amor próprio.
No texto ele afirma que “não fazemos projetos comuns com alguém de quem não gostamos” e, daí a importância da auto-estima.
Segundo o Eugênio, a auto-estima é, principalmente, decorrente da percepção lúcida do direito de ser feliz.
Por razões não tão óbvias é, portanto, quase antagônica à dependência da opinião do outro.
Entretanto, é bastante comum transferirmos o “poder” de construção de nossa auto-estima para as pessoas que nos rodeiam, principalmente aquelas que queremos bem ou admiramos. Essas pessoas funcionam como nossos “espelhos” psicológicos, um fenômeno que começa na infância na relação com os pais (baita responsabilidade) e segue, depois, na vida adulta, principalmente nas relações profissionais.
Numa analogia usada por Mussak em seu gostoso texto, o mundo, nesse sentido, se assemelha a uma “sala dos espelhos” de parques de diversões, onde nos vemos refletidos de forma distorcida (exageradamente gordos, magros, altos, baixos, etc). Mas nesse caso, como temos um espelho de referência em casa, no qual acreditamos cegamente, podemos rir das distorções, com a segurança de que nada daquilo que os espelhos refletem é verdade.
Já no universo psicológico, esse “espelho absoluto” de referência não existe. Precisa ser construído. Assim é muito comum aceitarmos, ou pelo menos ficarmos inseguros diante da imagem refletida pelo outro.
O amor próprio depende da construção desse espelho próprio, e do reconhecimento do direito próprio de ser feliz.
O amor pelo outro depende, antes de tudo, do amor próprio, e do reconhecimento do direito do outro de ser feliz.
Se não acontece o que comenta o Guilherme no seu texto, a respeito de uma amiga:
“Quando ela disse que o amava, ela queria dizer, na verdade, que desejava ser amada por ele...”.

8 comentários:

Anne M. Moor disse...

Sempre tendemos a projetar no outro a nossa felicidade... Aprendi na minha vida que primeiro precisamos nos amar a nós mesmos para depois amar os outros. Eu preciso ser feliz comigo mesmo e o resto é conseqüência. A frase síntese do teu filho é fenomenal... Adorei... É isso mesmo...
Outra frase que gosto é "amar e ser amado é sentir o sol dos dois lados."

Ti disse...

Flávio,

Simplesmente, perfeito!!!

Já dizia um dos maiores conhecedores da mente humanana "Ame ao próximo como a ti mesmo..."

Udi disse...

Amor incondicional. Nada mais transformador: "eu te amo - se você não me ama, problema seu"
...eu só disse que é tranformador, não disse que é fácil.

Amanda Arthur disse...

Ainda que os espelhos nos distorçam, acredito que precisamos deles. Afinal, não estamos sós! Mas, ter o nosso próprio em casa, pra checar se a imagem que temos de nós mesmos nos "agrada" ou se precisa de uns retoques é importantíssimo. Assim, não temos que emprestar imagens alheias!

Lú. disse...

Udi e Amanda:
Quanta verdade...
Lú.

Ernesto Dias Jr. disse...

"O amor é a capacidade de produzir com a capacidade do outro". Isso me traz tão fortemente a idéia de terceirização que não posso deixar de lançar o Sr. Keuner na vala comum dos cínicos com MBA.
O comentário do Gui, que é necessáriamente mais esperto que o Sr. Keuner -- posto que é artista -- retifica a afirmação: "FAZER ARTE através da capacidade do outro".
A diferença é brutal, e eleva Gui ao grupo dos que, embora tentando definir o indefinível (o amor), conseguem descrever à perfeição ao menos uma de suas dimensões.
Além do que, a frase se presta a interpretações muito divertidas. Bom sinal, Gui, bom sinal.

Anne M. Moor disse...

O amor
Juan Andrés Leiwir
O amor é uma gota de orvalho pousando em uma pétala de rosa,
uma gota intermitente afogando-se no mar do esquecimento,
um suspiro esperando ser correspondido,
uma lágrima acariciando o rosto de quem amas,
é um grito esperando ser escutado,
um coração esperando ser aquietado,
um raio de luz na imensidão da noite
porém, sobre todas as coisas é o poder gritar que...TE AMO!

Unknown disse...

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