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sexta-feira, janeiro 13, 2012

Adão antes de Eva

Minha amiga Christina Monetegro levantou a poeira com o lançamento do seu livro "Homem ainda não existe" e o Fernando Carneiro (amigo dela) desenterrou uma personagem que eu não conhecia (santa ignorância): Lilith.
Meus amigos judeus compreenderão que algumas folhas foram arrancadas do livro que eu tinha lá em casa.  Aos poucos vou encontrando as que faltam.
Vou contar a história como ouvi.  Quem conhecer uma versão diferente, fique à vontade para contestar.
Segundo consta (sabe-se lá onde), Eva não teria sido a primeira mulher de Adão.
Antes dela, Lilith dividia o paraíso com o primeiro homem.  Havia sido criada juntamente com ele, no sexto dia.
Embora Adão insistisse em afirmar que Lilith fora criada para llhe fazer companhia, a garota tinha personalidade própria e não tardou muito para se aborrecer com as tendências machistas do menino, decorrentes da influência do Pai, pelo que pude deprender do resto da história.
Lilith resolveu deixar Adão e o Paraíso, mudando-se para um bairro mais animado.
Adão, indignado, reclamou com seu Pai, que mandou 3 dos seus colaboradores, uns anjos, atrás da fujona.
Encontram-na numa rocha no Mar Vermelho, divertindo-se à grande com uma centena de demônios bem intencionados.
Os anjos tentaram convencê-la a voltar.
- Voltar para o chato do Adão, e aquele paraíso sem diversão ?  Nunquinha ! - teria ela respondido na língua dos anjos, uma das muitas coisas que aprendeu com os demônios nos intervalos entre uma coisa e outra.
O Pai de Adão ficou sabendo, exilou e amaldiçou a moça e teve a brilhante idéia de produzir uma nova companheira para ele, dessa vez utilizando uma de suas costelas, para garantir um certo senso de pertinência e gratidão.
A vida dos dois era bem mais divertida para Adão do que havia sido a experiência anterior.
Enquanto isso, Lilith, com a animada contribuição de alguns anjos caídos, se dedicava a parir toda a sorte de demônios  (incluindo os vampiros, pelo que me disseram), para se vingar da familia do ex-noivo.
Mas tudo isso acontecia fora do paraíso e pouco afetava a vida do casal que só escutava falar do caso nos almoços de domingo.
E foi, então, que Llith elaborou seu nefasto plano. Disfarçada de serpente (bicho inocente até esse episódio), invadiu o paraíso, enroscou-se numa macieira aguardando a chegada de Eva para seu lanchinho matinal e contou como a vida poderia ser diferente e muito mais interessante sem a tutela de um marido machista.
A partir daí está tudo nos livros.
Mas a verdade é que a prole da Adão vem enfrentando bastante dificuldade para manter as descendentes de Eva no seu devido lugar depois daquela manhã na macieira.

12 comentários:

Mô Gasparini disse...

Flavio... eu já tinha lido várias versões para a história da Lilith, mas as sua versão definitivamente é a melhor de todas!!!!
Não nega o publicitário que existe em você rsrrsrs
Beijos Mô

e daí? disse...

sempre gostei da passagem da Lilith, minha dasch foi batizada assim, sua narrativa como sempre excelente, então, torna a persona ainda mais interessante...

Anônimo disse...

Hummm, afinal as coisas se encaixam....
Ja tinha uma lá antes...., e aquela em moldes mais coerentes.
Faz todo o sentido...
Beijo


Lú.

Marcos Kooiti Hirakawa disse...

Incrível!
Não sou cristão, porém admiro a "riqueza" das histórias da nossa civilização humana e as mais incríveis interpretações !

Flavio Ferrari disse...

Mônica: Tks. Deu vontade de escrever uma crônica ... Essa história ainda vai render. Preciso encontrar outras referências mais ricas em detalhes.

Flavio Ferrari disse...

Andrea: e o que é uma "dasch" ?

Flavio Ferrari disse...

Lu: mulheres na literatura ... anjas ou demônias ... Ernesto e eu não temos culpa.

Flavio Ferrari disse...

Marcos: acho que meus amigos cristãos não vão gostar muito da postagem.

e daí? disse...

daschund é uma raça de cachorro, aquela linguicinha...rs

Anne disse...

A Lilith ehm!!! It makes sense... :-)

Glaura disse...

Teve uma peça de teatro bem boa, em 1986: Rito de amor e morte na casa de Lilith, a lua negra, do José Possi Neto. Assisti porque a historia era interessante, apesar de desconhecida pra mim...

disse...

Isso mesmo que eu conhecia Lilith (a lua negra).

Macieira?

Eu acredito mais na Figueira.

Abraço