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quarta-feira, novembro 07, 2007

Dois p'ra lá, dois p'ra cá ...

Dificil traduzir em palavras alguns insights, ou melhor, percepções sobre o comportamento humano, principalmente as relativas a desejos e comportamentos.
Estava conversando com os sócios da empresa no bar do hotel enquanto observava, na mesa ao lado, um piloto e um co-piloto de alguma aerolinha extrangeira bebendo acompanhados de duas garotas de programa.
Embora todos soubessem como aquilo iria terminar, os quatro passaram pelo menos duas horas (já estavam lá quando cheguei) desempenhando papeis estúpidos. Estampada na face de cada um a impaciência era tangível. Mas seguiram heroicamente representando, de parte a parte.
Como não poderia deixar de ser, lembrei-me da reunião de board da qual participei durante todo o dia. Em vários momentos a situação foi similar. Cumprimos longos protocolos para chegar aonde todos sabíamos que iríamos chegar ao final.
Estranha dança, sem prazer ... e ninguém conhece o DJ.
E por falar em dançar, várias vezes observei, também, casais dançando de forma mecânica. Alguns bailando à perfeição. Mas, de novo, presos à liturgia do papel.
Acho que a gente deveria evitar dançar por obrigação. A vida é muito preciosa para isso.

15 comentários:

A.Tapadinhas disse...

"Acho que a gente deveria evitar dançar por obrigação. A vida é muito preciosa para isso". Um conceito que vou guardar. Só vou deixar um espaço em branco na palavra "dançar"... vai servir para mais situações...
Abraço.

É! disse...

Eu adooooooorLo quando a inspiração invade a aldeia! É engraçado, pois parece um onda, já reparou??

"e eu hoje me embriagando de uísque com guaraná, ouvi sua voz sussurrando, são dois pra lá, dois pra cá...." PUUUUUUUUUUTZ! AMO!

Dançar por obrigação, interpretar um papel e essas cositas más são muito difíceis pra mim às vezes...
Disse isso ao meu chefe certa vez... Que não esperasse que eu fosse uma puxa-saco ou whatever. Se há algo que a Consuelo tem de bom é isso, a transparência! Talvez seja por isso que a Érica ruboriza em certas situações... hahaha...

disse...

Na mosca Flavio.
Cumprir protocolos, embora necessário em alguns contextos, é inútil e tolo.
Bjo, e diga-se de passagem: que maneira linda e inspirada de dizer isso.

disse...

Que troca-troca sem fim! (de foto !)
Essa tá ótima.

É! disse...

"murmurando" !!!

Anne M. Moor disse...

Certa vez, que nem tu, fiquei observando casais casados dançando num jantar dançante e pensei a mesma coisa!!!!!!!!! O semblante de "ai que saco" na fisionomia dos dois era trágico. Dançar é maravilhoso, especialmente com alguém que supostamente se ama... Dançar até sozinho é um delírio. No caso que descreves dos pilotos é ridiculo!!!!!!!!!!!

Suzana disse...

Flávio

Concordo com você em gênero, ritmo e compasso!

Suzana disse...

Este sorriso é que vale...
bjs

Ernesto Dias Jr. disse...

Me veio à cabeça, amigo, que eu gosto de rituais. Gosto mesmo. Mas daqueles em templos, lojas, terreiros e assemelhados.
Sei que não é disso que você tá falando, mas doravante vou ser mais preciso, para distinguir rituais de ritos.

Udi disse...

...fiquei curiosa! qual passo se dança no board?!
lembra do filme "O Baile"?

Anne M. Moor disse...

Nos boards se dança o tango, cheio de piruetas e um se esquivando do outro... É a dança das palavras.

Jorge Lemos disse...

A Dança das Horas
que foram perdidas,
Pessoas unidas
distantes,
duros semblantes.

Dançar por dançar
Não existe prazer!

O bom é envolver
com o calor das palavras
o corpo da amada
e o sentir flutuar
duas almas apaixonadas!!!

Flavio: o resto fica apenas: dois prá lá, dois pra cá"

Flavio Ferrari disse...

Gracinhas ...

Raffaella disse...

dançar por obrigação é quase coerção, né...

Jorge Lemos disse...

Revi ontem "Perfume de Mulher" com Al Paccino. Genialíssimo! Como esquecer a leveza do encontro.