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sexta-feira, novembro 05, 2010

Ficção ou Realidade

Dos tempos em que era sócio de uma agência de propaganda, guardo na memória algumas longas discussões que tive com jornalistas sobre sua visão crítica e negativa da publicidade.
Comum a acusação de que anuncios e comerciais visam enganar o consumidor, criar necessidades e forçar a compra de produtos.
Passou o tempo e, mesmo havendo me distanciado da atividade de forma direta, sigo seu defensor.
A boa propaganda não engana o consumidor porque, como diria minha avó, a mentira tem pernas curtas.
Criar necessidades é, convenhamos, muito mais difícil (e, portanto, mais caro) do que conhecer e atender as necessidades já existentes.
E, obviamente, ninguém pode ser "forçado" a comprar um produto, a não ser pelo governo.
Além disso, no final das contas, a esmagadora maioria das "propagandas" é explicita, ou seja, o consumidor sabe que está sendo impactado por uma mensagem de alguém que quer lhe vender um produto e pode se defender do discurso.
Já quando um jornalista decide vender uma idéia, não costuma avisar antes.
A imprensa brasileira evoluiu bastante nos últimos anos.  O caso da "Escola Base", em 1994, foi um divisor de águas importante e levou toda a mídia a repensar sua atividade jornalistica e suas responsabilidades.
Entretanto, em anos de eleição a parcialidade velada de alguns veículos é escancarada, deixando claro que ainda temos muito para conquistar.
É fato que a "verdade" não pode ser retratada, por maior que seja o esforço do jornalista.  Os fatos serão sempre parciais e passíveis de interpretações distintas.  A bagagem educacional e cultural do jornalista sempre o levará, inexoravelmente, a ser tendencioso.  Ai não há mal nem pecado.
O pecado, quando acontece, está na falta de transparência das intenções.

5 comentários:

Sentimental ♥ disse...

putz, em política a coisa complica de qualquer jeito...

Anne M. Moor disse...

Flávio

O jogar com as palavras é uma arte que pode ser usada de maneira positiva e/ou negativa. A capacidade de LER (o explícito, o implícito e o escamoteado) é uma habilidade a ser desenvolvida e uma que a escola esqueceu de ensinar!!!

Bjos
Anne

Vivian disse...

...e o PT conseguiu
'vender' a ficção como
realidade.

rsrsrs

Batom e poesias disse...

Você foi perfeito!
Concordo em tudo!

Bjcas
Rossana

A. Marcos disse...

Flávio meu querido, é isso aí! Atingiu o centro da questão. Nenhuma vírgula a mais, nenhuma virgula a menos.

Nem PT, nem PSDB ficam livres (um pelo CARTA CAPITAL, o outro pela VEJA e pelo ESTADÂO) de serem beneficiados pela parcialidade da imprensa.

Mas uma coisa é a parcialidade natural, como vc anotou, decorrente das convicções de um jornalista que capta a "verdade" e a transfere para os leitores segundo sua ótica e abordagem.

Outra é a parcialidade instrumental que visa, despudoradamente, distorcer a verdade para angariar eleitores.

Agora, nestas eleições o PSDB perdeu por mérito próprio.