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sexta-feira, outubro 02, 2009

Versão brasileira

Passei as últimas semanas em constantes reuniões de trabalho com meus companheiros latinoamericanos.
Sempre que isso acontece (pelo menos duas vezes ao ano) não posso deixar de notar as semelhanças e diferenças entre nós, os latinos.
A seriedade dos chilenos, o contraste entre o respeito hierárquico e o humor anárquico (fora do escritório) dos mexicanos, a educada formalidade dos colombianos, o pessimismo bem humorado dos argentinos, só para citar algumas particularidades marcantes, contrastam com a já famosa descontração brasileira.
Algumas expressões nossas são consideradas muito engraçadas pelos nossos irmãos de lingua espanhola.
"Tudo legal", por exemplo, desperta a curiosidade de um colega chileno que não entende nossa obsessão pela legalidade.
"Deixa comigo" é, unanimemente, nossa expressão considerada mais típica. E eles já entenderam que ela não representa a garantia de que o assunto em questão será resolvido.
Mas o que me chama a atenção é a sensação de que nós, brasileiros, somos mais "transparentes" na comunicação. Dizemos o que pensamos e sentimos com mais liberdade, o que as vezes nos vale a fama de mal educados ou desrespeitosos.
Com o tempo a gente se acostuma com os códigos das outras culturas, e aprende a interpretar o sub texto das colocações. Também descobre o que não se deve fazer ou dizer, ou o que se deve fazer e dizer, no contexto de cada cultura.
Se um mexicano sugere que experimente a comida do seu prato durante o almoço, aceite. Negar será interpretado como um gesto antipático e sinal de alguma animosidade.
Colombianos se incomodam com a invasão de seu espaço pessoal. Nada de abraços.
Argentinos são o oposto. Abraçam e beijam generosamente. Não tenha medo do contato físico.
Os uruguaios encantam pela educação e serenidade. Mas não se engane. São tão bons de briga quanto os argentinos, e levam a vantagem de não brigarem entre eles.
Chilenos se aproximam muito para conversar e são muito bons de papo. Mas não lidam bem com nossa sensualidade.
Claro que aqui estou generalizando minhas percepções, e toda generalização tende a ser estúpida.
Mas o que vale é a diversão de conviver com pessoas tão parecidas e com códigos tão diferentes.

25 comentários:

A.Tapadinhas disse...

Portugal apresenta uma das maiores taxas de sinistralidade e mortalidade rodoviária da Europa.
Num inquérito de rua todos cumprem escrupulosamente o código...

O bom das generalizações é que ninguém se sente atingido: são sempre os outros!

Bom fim-de-semana!

António

Ti disse...

Cuidar de um area de recursos humanos LATAM, não é facil...

Trabalho duplicado, como ja avisa a propria sigla em espanhol RRHH..

Barbarella disse...

Engraçado como nós, somos diferentes de tudo que existe por aí né...rs. Curto isso..
bjinho e bom findi!

Carla P.S. disse...

Dicas muito bem aceitas!!
Beijos!

Batom e poesias disse...

E se eu for para a Bolivia?
Hum... Deixa comigo!
bjs

cristinasiqueira disse...

Oi Flávio,

Ótimas observações.Você traçou um perfil bem interessante deste mix de latinidade.
Observação e perspicácia.

Escrevi Sampa,passe por lá.

Beijos,

Cris

Anne M. Moor disse...

Isso é o bão da interculturalidade!

Beijos

Sentimental ♥ disse...

Tive a oportunidade de participar de um evento onde a américa latina estava representada por quase todos os países, e agora lendo seu post eu lembro que as suas impressões são bem acertadas, mas sem generalização, claro.
bjs

Tempestade disse...

Deixa comigo hehehe
Mas gosto de sermos diferentes!
Beijos Tempestuosos!

Carolina Pagioli Lessa disse...

ahahaha, é engraçado como as pessoas e as culturas são diferentes né??? é sempre bom saber particularidades de cada cultura...

Beijos

Amanda Arthur disse...

Impressões absolutamente compartilhadas. Apesar de estar distante (e saudosa!) desta babel latina, ainda pude concordar contigo.
Beijos e besos,
Amanda

Fernanda Pereira disse...

Psiu...vc ganhou a promoçãozinha do meu blog. Passa lá pra conferir e me mandar seu endereço...rs

PS: achei engraçadíssimo os mexicanos...ahahahaha

Bjocas

Flavio Ferrari disse...

Tapadinhas: meu pai costumava dizer que o bom senso é a coisa mais bem distribuida na face da terra.

Flavio Ferrari disse...

Ti: ningúem dá conta disso como você ... baita orgulho !

Flavio Ferrari disse...

Barbarella: me too. tks.

Flavio Ferrari disse...

Carla: cuidado com os rapazes argentinos ...

Flavio Ferrari disse...

Rossana: tenho pouco contato com bolivianos ... não deu para esteriotipar ...

Flavio Ferrari disse...

Cristina: tks ... vou lá.

Flavio Ferrari disse...

Anne: também acho ... e perdão se não representei bem os uruguaios.

Flavio Ferrari disse...

Juliana: sinta-se à vontade para complementar...

Flavio Ferrari disse...

Letícia: tá deixado...

Flavio Ferrari disse...

Carolina: nova no pedaço ... bem vinda. Espero que goste do Arguta e volte sempre.

Flavio Ferrari disse...

Amanda: faz falta por aqui ...

Flavio Ferrari disse...

Fernanda: brigadão ... muito raro ganhar algum concurso ...

Carolina disse...

Eu vou mais além, a nosso lado latino deixa desejar em alguns pontos. Reunião com latinos é todo mundo acalorado e levando pra casa as divergências ou fazendo bico pro colega nos próximos dias com aquele climão no ambiente. Reuniões com americanos, podemos nos xingar, brigar e defender os nossos pontos, depois vai todo mundo pro bar fazer happy hour. As divergências ficaram no seu devido lugar. A diferença está aí, somos bélicos e passionais demais.
Nada contra nós, mas esta falata de objetividade, às vezes, me cansa no mundinho corporativo...