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domingo, maio 10, 2009

Das responsabilidades atávicas

Homens e mulheres de qualquer cultura tem responsabilidades atávicas.
As mais esseênciais são, justamente, as mais difíceis de serem contrariadas.
Mulheres ocidentais precisam casar e ter filhos.
A lógica da evolução da espécie permite supor que a maioria delas, bastante provavelmente, tem o instinto maternal impresso em seu código genético, já que são justamente os filhos desse tipo de mulher que tiveram maior probabilidade de sobreviver em tempos mais difíceis.
Logo, não são "livres" para escolher, embora a vida moderna lhes ofereça outras opções e desafios.
Já os homens precisam "comer" e dar de comer. Ser viril e provedor. E se por acaso não se derem tão bem numa dessas tarefas, precisam compensar na outra.
Também ai vale o comentário sobre a evolução e a carga genética.
Na medida em que a sociedade passa a aceitar melhor a dissolução do casamento, as responsabilidades femininas independem da manutenção desse arranjo e embora a maternidade seja uma responsabilidade contínua, o sentido de missão cumprida se estabelece e é libertador.
Já o homem precisa colecionar conquistas que comprovam suas capacidades, e manter-se permanentemente capaz de prover. Mais difícil liberar-se das responsabilidades atávicas.
A sociedade exige bastante de ambos. As vezes tenho a impressão de que exige mais da mulher, mas não sou capaz de avaliar a questão com isenção.
Para ambos, creio que vale o investimento pessoal no sentido de reconhecer e trabalhar em busca da liberdade de pensamento, ainda que isso me pareça impossível de conquistar.
Ampliar os horizontes já será suficiente.

21 comentários:

Simone Schuck disse...

É o viver plenamente. Há pessoas que se realizam construindo uma família, enquanto outras casam e têm filhos por "tradição".

Como tu colocas bem as diferenças entre homem e mulher. Muito bom o texto, compartilho da tua opinião.

Beijos

Rosemeire Polegato disse...

Eu nunca conseguiria casar, ter filhos e ficar dentro de casa cuidando do lar, mas quanto ao casar e ter filhos no fim das contas é o desejo de toda mulher. Por mais independente que ela seja. A carga do homem de dar o que comer já não é mais tão pesada assim, hoje em dia tudo é dividido dentro do relacionamento, mas ele sempre terá de colecionar conquistas que comprovam sua capacidade, para mostrar para mulher e para o ''proprio ego''. Otimo texto Flavio. Bjs.

Batom e poesias disse...

Eita!
Adorei o poemínimo que me deixou.
O silêncio com certeza tem muito mais a dizer do que eu.

Esse teu texto nos dá o que pensar. Nossas características avitas podem ser, por força das circunstâncias modificadas e adaptadas. Muito já se foi dos tempos em que o homem provia.

Mas isso é conversa longa...
Gostei da tua casa e adoro café.
Grata pela visita.
Abç
Rossana

Avassaladora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Avassaladora disse...

Ótimo texto, Flávio. A sociedade sempre teve sua cota de responsabilidades atávicas, tanto para os homens quanto para as mulheres!
Desde a antiguidade até hoje... Mudam-se os costumes, mudam-se as resposabilidades, mas nunca acabam!
Podemos ser mais livres hoje, podemos ampliar nossos horizontes, mas sempre tem uma cotinha para pagar...rs


Beijos!

Érica Martinez disse...

uau, acho que acabei de falar isso no comentário anterior...
Sim! Ampliar os horizontes! E enfrentar os preconceitos..
Veio-me à cabeça o eterno drama sobre o fato de que o homem que come mais é o garanhão e a mulher que come mais é a galinha... Um dia isso há de mudar!

(ps: não sei o que é atávica e estou com preguiça de procurar!! haha)

Ti disse...

O fato é... Já nascemos repletos de responsabilidades impostas pela sociedade simplesmente por sermos homens ou mulher... Sem falar depois no tom de pele, país de origem, religião, etc...

A vida poderia ser bem mais simples!!!

Adorei o texto!

C. disse...

Essa igualdade e diferença simultâneas é que permite aos casais uma relação sem fusão, uma intimidade sem perda de identidade, uma aproximação, mas ao mesmo tempo, com direitos e deveres.

Flavio Ferrari disse...

Simone: Espero que quando chegar sua vez de decidir, não seja por tradição... bj

Flavio Ferrari disse...

Rosimeire: por mais "moderno" que o mundo seja, se falta dinheiro em casa quem se sente culpado é o homem, se o filho faz uma travessura, foi a mulher que não educou bem ...

Flavio Ferrari disse...

BP: adoro postar hai-kais ... Seja bem vinda e volte sempre para o café.

Flavio Ferrari disse...

Alice: aqui se faz e aqui se paga ... mas o inferno é a culpa.

Flavio Ferrari disse...

Érica: ... já foi pior ... hoje tem mulher que até dá entrevista sobre isso na Gloss !!!!

Flavio Ferrari disse...

Ti: não sei se é porque você já "fez a sua parte", mas a verdade é que você sabe simplificar bastante. Delícia ...

Flavio Ferrari disse...

C.: fico de cabelo em pé quando escuto uma mulher falar em deveres ...

•.¸¸.ஐBruneLLa França disse...

Ampliar os horizontes e voar!!!

Beijos e borboleteios

Carla P.S. disse...

Ser flexível, em suma, né?
Os espertos são flexíveis.. Complexo, porque mexe com uma série de crenças internas..
Concordo quanto a sociedade, isso tá tão enraigado, mas tão..
A única certeza que tenho na vida é que vou ter labradores. Só isso que eu sei.
Um café pra ti. Sem adoçante.

rm disse...

Flávio,
sei que a ciência da genética evoluiu bastante nas últimos tempos, mas sempre tive certa prevenção contra interpretações mendel-darwinianas do comportamento humano. Acho-as, todas, excessivamente simplificadoras, quando não simplistas.
E penso, sinceramente, que as explicações sobre a atual confusão dos papéis sociais dos gêneros, podem ser melhor encontradas, ainda, nas ciências sociais e na psicanálise.

Érica,
alguns homens são chamados de "galinhas"... O que não soube, ainda, são de mulheres sendo chamadas "garanhãs"... rss

Janaina Brum disse...

Estou de volta, FF!
Agora rapidamente, mas voltarei para ler teus últimos textos! Ando com alergia de computador ultimamente! Beijos do sul!

Bela disse...

São as responsabilidades atávicas as únicas que me incomodam hoje em dia, como acredito que a vida não é matemática ainda resisto, mas que incomoda, ah, isso eu sempre admito.

Luna Sanchez disse...

O caso é que, mesmo a mulher que decide por vontade própria, casar e ser mãe, sem sentir-se obrigada a fazer isso, é rotulada como tendo uma visão estreita da vida. As coisas inverteram-se, e a obrigação, agora, é negar tudo isso.

Não decidi sobre o casamento, mas a maternidade, eu quero, sim.

Beijo,

ℓυηα