Páginas

terça-feira, janeiro 11, 2011

Homeopatas, Alopatas e Sociopatas

A medicina atual apresenta 3 grupos de interesse:
- os homeopatas, que acreditam que as doenças podem ser curadas por princípios ativos semelhantes à sua natureza
- os alopatas, que acreditam que as doenças devem ser tratadas por princípios ativos que se contrapõem à sua natureza
- e os sociopatas, que são os indivíduos que não respondem bem a nenhum dos dois tratamentos
Creio que foi na peça "O doente imaginário" (de Molière), encenada pelo Grupo Ornitorrinco, que assisti uma cena antológica onde o médico dava um esporro numa velhinha que não respondia aos melhores tratamentos, considerando isso um desrespeito à medicina.
Certos médicos são assim ... tratam a doença, não o paciente.
Alternativas à medicina convencional, como a acumpuntura, cromoterapia, terapias energéticas e outros quetais são colocados no mesmo balaio e rotulados de charlatanice.
Talvez alguns mereçam mesmo esse rótulo, menos pelos princípios que pelos praticantes.
Mas as atitudes excessivamente ortodoxas de muitos dos médicos atuais, considerando a "sua" forma de tratamento da doença como absoluta, mesmo quando pouco eficaz, não deixa de ser um sinal indicativo de sociopatia.
Apenas para mencionar um exemplo, volto a uma postagem que fiz aqui no Arguta há algum tempo, sobre o uso de vibradores para o tratamento da histeria (Assunto Vibrante).
O próprio termo "histeria", cunhado por Hipócrates, significa "doença do útero".  O pai da medicina acreditava que os sintomas eram gerados por algum mal funcionamento do útero, e recomendava como tratamento o massageamento da vulva até que o útero entrasse "em crise" (que ele chamava de paroxismo histérico), o podia ser percebido pelo surgimento de contrações involuntárias e lubrificação da vagina.  Embora o diagnóstico não fosse dos melhores, o tratamento, já naquela época, demonstrava razoável eficiência, atenuando muitos dos sintomas, principalmente quando aplicado repetidamente.
Foi abandonado na primeira metade do século XX, quando a medicina alopática substituiu o vibrador por medicamentos mais sofisticados, mais caros e menos divertidos, deixando de cuidar da paciente e passando a tratar da "doença".
Para não deixar dúvidas, não sou genericamente contra a medicina moderna ou os medicamentos alopáticos.  Ao contrário, sou grande consumidor contidiano de várias dessas pílulas de conforto, mas consciente de que, na maioria dos casos, estou minorando um sintoma pontual e devo fazer uma observação mais holística da origem do incômodo.
Mas quase todos os confortos modernos provocam uma espécie de diluição da atenção e da intenção, para a qual deveríamos ser alertados, sob pena de nos distanciarmos de um "ser" saudável.

9 comentários:

A. Marcos disse...

Este é o problema dos praticantes da ciência. Eles desconsideram aquilo que ignoram, são arrogantes e nem sempre conseguem ter formação multidisciplinar.

Carla P.S. disse...

Concordo com tudo o que foi dito. A grande chaga da medicina é a prepotência, por conseguinte, a inflexibilidade. Por que tu achas que na área médica se criam tantos protocolos? Às vezes são coisas banais, que apenas o bom senso resolveria, mas são pontuadas para botar "ordem no galinheiro". É pra organizar, mas também para orientar os egos inflados, desses estudantes famintos pela melhora do paciente mas também pelo conhecimento próprio e os bolsos cheios. Isso sem falar no status, que muito conta.
Eu comparo o uso de certos medicamentos com a maconha. Quando fumei maconha, o que eu senti foi uma exata ausência de ansiedade - a natural que sempre tive - e uma maior "bestificação" das coisas. Faziam "buh" pra me assustar e eu me matava de rir...
Mas ao mesmo tempo sentia que era algo artificial, uma serenidade artificial, eu tinha essa noção enquanto "emaconhada".
Pois é isso, acho que o máximo que um remédio faz, quando mal empregado, é mimetizar o que você deveria ter dentro de si para obter a cura real. Conquistar isso é que faz parte das grandes aprendizagens da vida. E por isso também que eu sou fã da "cura pela fala", ou "terapias de insight", como queira. Mas é bem complexo; ainda bem.
Beijos, e um café.

Jaqueline Köhn disse...

Você é muito original em suas postagens ...

Tathiana disse...

Talvez a maior doença seja a forma obtusa com que são feitos os tratamentos, sem levar o paciente em consideração - como você mesmo mencionou.
Tratamentos iguais para pessoas diferentes... Como isso pode ser 100% eficaz? Simples: não é.
Há algum tempo não confio em médicos... Eles erram demais comigo.
Bjs.

Sentimental ♥ disse...

e eu me pergunto: pra q ficar doente? rs

Batom e poesias disse...

Eu, heim?
Então, "ser saudável" é estar focado nos próprios desconfortos?
Que diluam-se todos!
Viva o frontal!

:)
bjcas
Rossana

Ju disse...

viva o vibrador!!!!!!!!!!!
;-)

Ava disse...

Acho que um "vibrador" para a alma teria um ótimo resultado...rs

É que as vezes o estado de letargia é tão grende, que necessário seria uma sacudidela, ou um bom vibrador... para a alma...rs

Nem tudo se resolve no plano físico, como bem pontuas em seu texto...

Talvez eu esteja a falar besteiras... Efeito de uma letargia que me acomete os sentidos...

Meu carinho e meu beijo, sempre...

udi disse...

Flavio em versão 2011: filósofo!